Empresários e vereadores se reúnem para discutir futuro do transporte em Friburgo

Entre os temas em debate, a transição de empresas de ônibus prevista para breve
quinta-feira, 10 de junho de 2021
por Jornal A Voz da Serra
Ônibus da Faol circulando em Friburgo (Arquivo AVS/ Henrique Pinheiro)
Ônibus da Faol circulando em Friburgo (Arquivo AVS/ Henrique Pinheiro)

Representantes das entidades que integram a Frente Empresarial e de Classe de Nova Friburgo (FEC-NF), se reuniram nesta semana na Câmara de Vereadores para discutir a contratação emergencial de uma empresa de ônibus que irá assumir em breve as cerca de 80 linhas urbanas do município. No final de maio, o prefeito Johnny Maycon anunciou que o Grupo Itapemirim apresentou a melhor proposta e irá assumir o transporte coletivo de passageiros no município, substituindo a Friburgo Auto Ônibus (Faol) que desistiu de operar as linhas urbanas. A nova empresa será contratada pela prefeitura emergencialmente, por um ano, até que seja feita uma licitação no setor. 

Participaram da reunião o presidente da Associação Comercial e Industrial (Acianf), Júlio Cordeiro; o empresário, representante da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e conselheiro da Acianf, Antônio Américo Ventura; o vice-presidente do Conselho Empresarial da representação regional da Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan), Jovino Fernandes de Azeredo Júnior; o presidente do Sindicato das Transportadoras de Cargas de Nova Friburgo (Setcanf), Jackson Thedin; o presidente da Câmara Municipal, vereador Wellington Moreira; o vereador e membro da Comissão de Mobilidade Urbana da Câmara, Max Bill; o procurador do Legislativo, Rodrigo Ascoli e o secretário-geral da Câmara Municipal, coronel James de Barros.

No encontro, Júlio Cordeiro destacou que o interesse dos empresários em participar das discussões sobre o futuro do setor de transporte coletivo é devido ao grande número de passagens de ônibus pagas pelas empresas em Nova Friburgo (mais de 83%) aos seus funcionários através dos cartões vale-transporte. Júlio observou ainda que é necessário o conhecimento mais profundo da nova empresa que irá assumir o transporte, se ela possui poder econômico, crédito e se prestará um serviço de qualidade aos friburguenses.

O que queremos é que esta nova empresa possa oferecer aos usuários um serviço de qualidade, com preço justo, para que nossos funcionários possam trabalhar e retornar às suas casas com a tranquilidade de um bom serviço, pontualidade e segurança”,  pontuou o presidente da Acianf.

Empresários preocupados 

Durante a reunião, foram abordadas também algumas preocupações com a contratação emergencial do Grupo Itapemirim, como o investimento de R$ 65 milhões para cumprir um contrato de somente um ano, a pesquisa que apontou processos judiciais contra a empresa e seus representantes, valor do subsídio a ser pago pela prefeitura, processo de transição, quantidade de ônibus para viabilizar a operação, preço das passagens, contratação de pessoal, e até mesmo estrutura física para garagem, com espaço para estacionamento, oficina e tanques de combustível. 

Paralelamente, a direção da Faol afirma que a empresa se encontra deficitária, o que levanta a dúvida se o negócio é realmente viável. Os representantes das entidades deixaram claro que não estão do lado de nenhuma das duas empresas de ônibus e sim da população. “O que queremos é que Nova Friburgo tenha um serviço de qualidade prestado aos passageiros”, resumiram os membros da FEC. 

O presidente do Setcanf, Jackson Thedin, pontuou que é necessário se aprofundar e conhecer melhor a nova empresa e sugeriu também a criação de uma comissão formada por representantes da prefeitura, Câmara, entidades representativas e associações de bairros, para que melhores decisões sejam tomadas. Jovino Fernandes, sugeriu que o próximo passo, a partir do encontro, seja realizar uma prévia análise do plano de negócio elaborado pelo Grupo Itapemirim. 

Já o presidente da Câmara, vereador Wellington Moreira, garante que o dever das lideranças é acompanhar de perto a transição: “A nós, cabe cobrar se os critérios determinados, serão cumpridos”, disse. Wellington ponderou também que as atitudes devem ser tomadas o mais breve possível, já que o prazo determinado por liminar, para que a empresa Faol permaneça prestando o serviço de transporte coletivo é até 15 de julho, podendo este prazo ser prorrogado. 

Para Rodrigo Ascoli, procurador da Câmara, uma troca de empresa de ônibus em pleno período de pandemia e crise sanitária é um desafio. E ressalta que somente após um ano de atuação da nova empresa, o transporte público terá um processo licitatório, para escolha definitiva de qual empresa vai operar o setor.

A FEC NF

Integram a FEC, a Acianf, CDL, Sincomércio, Firjan, Setcanf, Sindicato das Indústrias de Vestuário (Sindvest), Associação dos Lojistas do Cadima Shopping (Alcas), 9ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Nova Friburgo Convention & Visitors Bureau, Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, Conselho Comunitário de Segurança de Nova Friburgo (Conseg) e Associação do Comércio e da Indústria de São Pedro da Serra (ACISPS), Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado do Rio (Sinepe) e Rotary Clubs de Nova Friburgo.

 

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TAGS: Transporte