Desabamento de deque que “engoliu” 4 carros era tragédia anunciada

Reportagem de 2019 já mostrava mau estado de conservação de piso de madeira na Vila Amélia, com tábuas soltas e acidentes causados por buracos
segunda-feira, 08 de fevereiro de 2021
por Adriana Oliveira (aoliveira@avozdaserra.com.br)

O desabamento do piso de madeira instalado sobre o Córrego do Relógio, na Vila Amélia, engolindo quatro automóveis estacionados na  Rua Teresópolis durante o temporal deste sábado, 6, era uma tragédia anunciada. Em 13 de setembro de 2019 A VOZ DA SERRA publicou reportagem com vídeo (relembre aqui) sobre o péssimo estado de conservação do deque, que estava com buracos e tábuas soltas e já causando acidentes. 

Na época, a Secretaria municipal de Obras do governo Renato Bravo garantiu que fazia a manutenção do piso e que enviaria uma equipe ao local  para verificar a situação e providenciar os reparos necessários. 

Antigamente, a cobertura do córrego era de cimento, mas, com a enxurrada de 2011, o piso cedeu, dando lugar às tábuas de madeira. Ou seja, desde a tragédia de 2011 já se sabe que o volume de água do córrego aumenta muito com chuvas fortes. E justamente por estar chovendo muito na tarde deste sábado, por sorte, não passava ninguém na hora e não houve feridos.

A Defesa Civil Municipal interditou o local.

O prefeito Johnny Maycon esteve no local do incidente e agradeceu os esforços de equipes da Defesa Civil municipal e de voluntários que trabalharam na retirada dos veículos. Segundo ele, a prefeitura “tomará as medidas que lhe compete a fim de gerar segurança aos cidadãos e providenciar todas as intervenções que a situação demandar”.

Em entrevista coletiva na manhã desta segunda, quando abordou vários assuntos, Johnny disse que  recentemente houve uma reunião com a equipe do Escritório de Gerenciamento de Convênios e Projetos  (EGCP) para discutir "essa problemática". Segundo ele, "estava muito claro e visível a todos nós que em algum momento teríamos um incidente ali. E foi o que de fato aconteceu, graças a Deus nenhuma pessoa foi atingida diretamente, apenas perdas materiais”.

O prefeito disse que o município tem cerca de R$ 400 mil retidos na Caixa Econômica Federal porque a empresa não concluiu o trabalho na época. "Mas, antes mesmo desse incidente, já havíamos iniciado um diálogo para iniciar as tratativas de modo a solucionar esse problema. Estamos nos dedicando ao máximo para dar uma resposta concreta à sociedade o mais rápido possível", afirmou.

Conforme mostrou a reportagem de 2019, o piso estava - e continua, nos trechos que ainda não desabaram -  com várias tábuas soltas há algum tempo. Quem caminha por ali frequentemente se queixa do perigo de acidentes. Foi o caso de um estudante do Sesi que caiu num buraco, sofreu escoriações em um dos braços e ficou com uma mão enfaixada, com dificuldades para estudar e traballhar.

De acordo com pedestres ouvidos na época por A VOZ DA SERRA, muitas pessoas já tropeçaram, caíram e se machucaram por conta das tábuas soltas e outras com desníveis e buracos. Durante o período em que a equipe jornal esteve por lá, algumas pessoas tropeçaram nas tábuas que estavam soltas, outras se desviavam caminhando pelo trecho estreito de concreto.

Na época estudante do sexto período da Uerj, a universitária Brenda Thomaz contou que desde que ingressou na faculdade, três anos antes, o problema já existia. “Piorou nos últimos meses, mas essas tábuas soltas já são comuns, por aqui. Eu tropeço quase todo dia. Sempre que eu ando com um grupo de pessoas, no mínimo uma tropeça. Já vi muita gente quase caindo aqui, por conta dessas madeiras soltas”, reclamou. 

Até mesmo um suíço, Pierre,  casado com uma friburguense, confessou que andava pela pequena parte de concreto porque não confiava nas madeiras soltas.

Luísa da Silva fez um apelo para que a prefeitura  consertasse as tábuas.

 

 

 

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TAGS: acidente | Trânsito | obra