Combate à dengue: primeira vacina nacional e aprovada e será disponibilizada pelo SUS

Ministério da Saúde fará a inclusão do imunizante no calendário nacional de vacinação. Expectativa é ampliar o acesso da população em 2026
quinta-feira, 27 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
 (Foto: Pablo Jacob / Governo de São Paulo)
(Foto: Pablo Jacob / Governo de São Paulo)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apresentou parecer favorável sobre a segurança e eficácia da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. Será o primeiro imunizante 100% nacional para o combate da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. O termo de compromisso assinado na quarta-feira, 26, é a etapa final de um longo período de pesquisas e investimentos que teve o apoio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
    Com a conclusão desta etapa, o Ministério da Saúde fará a inclusão da vacina no calendário nacional para disponibilização exclusiva pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A expectativa é garantir a oferta e ampliar o acesso à vacina em 2026, conforme a capacidade produtiva do laboratório.
    Na próxima semana, o Ministério da Saúde levará o tema a um comitê de especialistas e gestores do SUS para definir a estratégia de vacinação e públicos que devem ser priorizados a partir dos resultados do estudo. “A grande novidade agora é termos uma vacina 100% nacional que nos permitirá definir uma estratégia para todo o país de proteção da nossa população. Esta vacina foi desenvolvida pelo Instituto Butantan a partir de uma parceria articulada pelo Ministério da Saúde com a empresa chinesa WuXi, fundamental para ampliar a capacidade de produção. Sozinho, o Butantan não teria escala para entregar grandes quantidades, mas a parceria torna isso possível, o que permite que, já no ano que vem, a vacina esteja integrada ao Programa Nacional de Imunizações”, afirmou o ministro da Saúde Alexandre Padilha.
    O Ministério da Saúde investe mais de R$ 10 bilhões por ano no Instituto Butantan e, especificamente para a expansão da sua estrutura, incluindo a produção da vacina contra a dengue, são mais de R$ 1,2 bilhão pelo Novo PAC Saúde com foco na estrutura produtiva. O Brasil foi o primeiro país a ofertar a vacina no sistema público de saúde.
    A pasta distribui vacinas importadas para 2,7 mil municípios. Desde o início da estratégia, mais de 7,4 milhões de doses foram aplicadas no público prioritário para esta vacina. Para 2025, o Ministério da Saúde garantiu nove milhões de doses da vacina atualmente utilizada, com esquema vacinal que prevê duas aplicações para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Outras nove milhões de doses estão previstas para 2027.

 

Avaliação e eficácia 

A nova vacina utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado, que é segura e já utilizada em diversas outras vacinas em uso no Brasil e no mundo. A vacina apresentou uma eficácia global de 74,7% contra dengue sintomática na população de 12 a 59 anos. Isso significa que em 74% dos casos a doença foi evitada por conta da vacina. Também demonstrou 89% de proteção contra as formas graves e com sinais de alarme, conforme publicação na The Lancet Infectious Diseases.

A indicação da nova vacina aprovada é para pessoas na faixa etária de 12 a 59 anos. Este perfil ainda pode ser ampliado no futuro, a depender de novos estudos apresentados pelo fabricante. “É fonte de orgulho para a Anvisa avançar com o registro de uma tecnologia desenvolvida e feita no país, pelo Instituto Butantan, uma vacina que vem sendo desenvolvida há algum tempo e teve apoio expressivo do BNDES e do Ministério da Saúde”, ressaltou o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle.
 

Apoio do BNDES 

Um marco importante desse processo ocorreu ainda em 2017, quando o BNDES apoiou o Butantan com R$ 97,2 milhões para custeio de ensaios clínicos e construção de uma planta de escalonamento para fornecimento da vacina contra a dengue. Os recursos não reembolsáveis do Fundo Tecnológico do Banco (BNDES Funtec) corresponderam a 31% do investimento total, no valor de R$ 305,5 milhões. Composto de partes do lucro do Banco, o BNDES Funtec apoia projetos de pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e inovação.
    Em 2008, também com recursos do Funtec, o BNDES já havia aprovado apoio financeiro no valor de R$ 32 milhões à Fundação Butantan para o desenvolvimento de vacinas contra rotavírus, dengue e leishmaniose canina.
     

Cooperação internacional

O registro da vacina contra a dengue é, também, fruto da cooperação estratégica entre Brasil e China. Em outubro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou a empresa WuXi Vaccines, parceira do Butantan no desenvolvimento e na futura produção em larga escala do imunizante.
    A iniciativa fortalece a estratégia brasileira de inovação em imunobiológicos, com transferência de tecnologia e desenvolvimento conjunto. A vacina protege contra os quatro sorotipos do vírus em dose única, um avanço científico com potencial para transformar o enfrentamento da dengue no país.
 

Cenário epidemiológico 

Mesmo com a redução de 75% nos casos de dengue em 2025, em comparação com 2024, o Ministério da Saúde reforça que o combate ao Aedes aegypti deve continuar em todo o país. Até outubro deste ano, o Brasil registrou 1,6 milhão de casos prováveis de dengue, representando queda de 75% em relação ao mesmo período de 2024. A maior concentração ocorre em São Paulo (55%), seguido de Minas Gerais (9,8%), Paraná (6,6%), Goiás (5,9%) e Rio Grande do Sul (5,2%). Em Nova Friburgo, segundo a Secretaria Municipal de Saúde foram registrados este ano (até o último dia 22) 193 casos confirmados da doença.
    Em relação aos óbitos, que até outubro somaram 1,6 mil em todo o Brasil, também houve redução de 72% em comparação ao mesmo período de 2024. O estado de São Paulo concentra a maior parte das mortes (64,5%), seguido por Paraná (8,3%), Goiás (5,5%), Rio Grande do Sul (3%) e Minas Gerais (8%).

Fonte: Gov.br e Secretaria da Presidência da República

 

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