As belezas e os perigos do inverno, a estação dos contrastes

Enquanto cerejeiras florescem, em um dos mais belos espetáculos da estação, fogo consome as matas com a longa estiagem
segunda-feira, 27 de junho de 2022
por Adriana Oliveira (aoliveira@avozdaserra.com.br)
Cerejeiras em flor no Sítio dos Matsuoka, em Conquista (Fotos da web e de Valmir Tavares)
Cerejeiras em flor no Sítio dos Matsuoka, em Conquista (Fotos da web e de Valmir Tavares)

Chegou a estação dos contrastes: as belezas e os perigos do inverno. De repente, o céu do azul mais profundo fica embaçado pela fumaça de incêndios florestais; as flores de coloração intensa de algumas espécies dão lugar a uma paisagem dominada pelo cinza e marrom das queimadas (foto abaixo, de Valmir Tavares); o ar gelado das manhãs que limpa os pulmões é substituído pela poeira das tardes que seca gargantas e provoca inúmeros sintomas respiratórios.

A estiagem é uma característica normal do inverno, que começou oficialmente há apenas uma semana, no último dia 21. Em Nova Friburgo, as últimas chuvas significativas ocorreram há quase três meses, no início de abril, quando o Rio Macaé transbordou e barreiras caíram na Estrada Serramar e no trecho de serra da RJ-116. Foi o último temporal  depois de um verão extremamente chuvoso devido ao La Niña, fenômeno que começou na primavera, em setembro do ano passado, e continua ativo.

Antes da primavera e do La Niña, no entanto, ainda em  setembro passado, Friburgo sofreu com todos os problemas da estiagem típica do inverno. Em meados daquele mês, um  grande incêndio  atingiu uma área de mata no Prado, no distrito de Conselheiro Paulino, assustando centenas de moradores. O combate ao fogo durou mais de seis horas, mobilizou três  viaturas e consumiu cerca de cinco mil litros de água. A área queimada chegou a 30 mil metros quadrados,  o equivalente a quatro campos de futebol.

Somente naquela semana os bombeiros do 6º GBM foram acionados para 11 eventos de fogo em vegetação. Com mais de cem mil focos de incêndio só em 2021, o Brasil liderava  o ranking dos países com mais queimadas de toda a América do Sul, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgados pelo Climatempo. 

Fogo na mata da Via Expressa

No último fim de semana, o primeiro grande incêndio em mata deste ano foi observado na encosta de pinheiros junto à Via Expressa, em Olaria (foto acima, de leitor). Segundo informações do Corpo de Bombeiros, foram destruídos 900 metros quadrados de mata (foto abaixo, de Valmir Tavares). O combate durou cerca de 36 horas, desde a noite de sexta até a manhã de domingo, mobilizou um total de 30 homens e quatro viaturas, além de drone para mapear a área e avaliar riscos a imóveis vizinhos. A virada do tempo no domingo, 26, ajudou no rescaldo. 

O período de estiagem normalmente vai de maio a outubro. E nesta época do ano, o perigo frequentemente cai do céu, sobre a vegetação mais seca. Todos os anos o Corpo de Bombeiros alerta sobre os perigos de soltar balões. Por carregarem  estopa  e materiais inflamáveis, os balões entram em correntes de ar e são levados para locais imprevisíveis, impossíveis de monitorar. Dependendo de onde caiam, causam danos irreparáveis. 

Segundo o artigo 42 da Lei de Crimes Ambientais (9.605/98), fabricar, vender, transportar ou soltar balões  pode levar a detenção de um a três anos, mais multa. Para denunciar, basta ligar para o Linha Verde, um programa do Disque Denúncia: o telefone é 0300 253 1177.

Segundo o Climatempo, somente a segunda quinzena do mês de julho deverá ter ondas de frio mais fortes, que podem vir acampanhadas de chuva, porém pouca. Há duas quedas acentuadas de temperatura já previstas, uma na segunda quinzena de julho e outra na virada para agosto. 

 

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TAGS: fogo | Clima