Após o eclipse encoberto por nuvens, onda de frio deve chegar com força

Temperaturas prometem despencar a partir desta terça, sendo quinta-feira o dia mais frio da semana
segunda-feira, 16 de maio de 2022
por Adriana Oliveira (aoliveira@avozdaserra.com.br)
Duas fases do eclipse clicadas pelo fotógrafo Jalmirez Silva antes da nebulosidade nos céus de Friburgo (Foto: Jalmirez Silva)
Duas fases do eclipse clicadas pelo fotógrafo Jalmirez Silva antes da nebulosidade nos céus de Friburgo (Foto: Jalmirez Silva)

Logo após o carnaval e o feriado de aniversário da cidade,  uma intensa onda de frio - a mais forte do ano, segundo confirmu o Climatempo nesta segunda-feira, 16 - deve provocar uma queda acentuada das temperaturas em Nova Friburgo. Os termômetros devem começar a baixar a partir desta terça-feira, 17, com as mínimas caindo de 12 para apemas 4 graus de terça para quinta,  o dia mais crítico.

A partir do próximo fim de semana, no entanto, as mínimas voltam a subir,  mas para um patamar bem mais frio do que o atual. As madrugadas estarão registrando  em torno de 9 graus, enquanto os dias continuarão com máximas por volta de 16, segundo a atualização mais recente. Essas previsões estão sujeitas a atualizações diárias.

Na  madrugada de domingo para segunda, um eclipse lunar total seria completamente visível nos céus de Friburgo, em todas as fases, se uma barreira de nuvens não atrapalhasse a  observação em Nova Friburgo.Das 23h30às 3h50, o Sol, a Terra e a Lua (cheia) ficaram alinhados, nesta ordem. A Lua Cheia ficou sob a sombra da Terra, sendo que o auge desse fenômeno aconteceu precisamente à 1h11.

O fotógrafo Jallmirez Silva  conseguiu capturar o início do eclipse. Ele pretendia fotografar sete diferentes estágios do eclipse, mas só conseguiu dois. "Iinfelizmente chegou uma grande barragem de nuvens sobre o meu quintal e, após isso, só a vi entre camadas de névoa", lamentou.

O motivo da onda de frio (foto acima, de Henrique Pinheiro), é uma massa de ar polar estava  associada a  um ciclone extratropical sobre  o oceano. 

Maio, o terceiro e mais frio mês do outono, já traz muitas características climatológicas do inverno, como, por exemplo, dias mais secos (foto abaixo, de Adiana Oliveira).  Mas a amplitude térmica, que é a diferença entre mínimas e máximas, passa a ser a “vedete” desta época do ano. Em um mesmo dia, a temperatura pode variar até mais de dez graus, o que explica a recomendação de usar várias camadas de roupas. 

Efeito do La Niña, que continua 

O frio precoce pode ser efeito do prolongamento do fenômeno La Niña (resfriamento das águas do Oceano Pacífico), que se estabeleceu na primavera de 2021,  atravessou todo o verão de 2022,  já afeta o outono, promete ficar durante o inverno e ameaça se estender  até o início de 2023.

Segundo o Climatempo, o fenômeno havia perdido força em fevereiro e março, mas voltou a se intensificar  em  abril, com o deslocamento de águas mais frias das camadas mais profundas do Pacífico em direção à superfície. Esse novo resfriamento indicou aos meteorologistas que o fenômeno poderá persistir por mais alguns meses.

Em março, como mostrou A VOZ DA SERRA, um relatório do Instituto de Pesquisas Internacionais para o Clima e Sociedade (IRI), ligado à Universidade de Columbia, nos EUA, já previa a continuidade do La Niña nos meses seguintes. 

Ainda  há divergências quanto à duração desse prolongamento. Enquanto alguns modelos meteorológicos indicam que o fenômeno deve atuar até o fim do  inverno, em setembro, outros cogitam a possibilidade de La Niña se estender até o  início de 2023. De certeza até agora, só há a alta probabilidade de La Niña continuar neste  inverno, oscilando de fraco a moderado.  

La Niña influencia o clima no mundo todo. No Brasil, define o regime de chuvas no verão, facilitando, o Sudeste,  a formação de corredores de umidade que descem da Amazônia. Daí o verão altamente chuvoso que tivemos. Por causa do fenômeno,  o verão friburguense só teve 24 dias quentes e ensolarados e dias com termômetros marcando apenas 12 graus em pleno fevereiro, como mostrou A VOZ DA SERRA. 

O outono já chegou, em 20 de março, trazendo uma  chuva torrencial no início da madrugada, alagando vários bairros friburguenses.  Mas o que surpreendeu mesmo foi a  queda brusca de temperatura.

Assim como abril, maio é um mês de transição, com grandes variações térmicas e, consequentemente, mudanças bruscas de temperatura. Por isso nesta época ficam  mais recorrentes os nevoeiros (foto acima, de Vera Barcellos), que costumam se dissipar nas primeiras horas da manhã.  Os dias ficam bem mais frios, mas nem tão secos:  ainda ocorrem chuvas, porém rápidas. 

Como um dos principais efeitos de La Niña é o frio precoce, em fevereiro o Climatempo já previa  que maio poderia ser um mês com bastante oscilação de temperaturas, variando de dias muito quentes para dias frios devido ao avanço de massas de ar de origem polar.  O Climatempo também já previa, na época, a primeira onda de frio intenso para a partir da segunda quinzena de maio. 

Planetário reabre

O Planetário da Via Expressa  reabriu para observação do céu com o uso de telescópios. As visitas devem ser agendadas previamente, pelo Whatsapp de número (22) 99213-3790, às terças e quartas-feiras, a partir das 18h, nas noites de lua crescente, pois é a fase lunar mais favorável à observação.

De acordo com o responsável pelo planetário, Reinaldo Ivanicska, os meses de maio a setembro são os da alta temporada  para a astronomia. "Noites escuras e estreladas, geralmente com tempo bom, encorajam esse tipo de atividade. E a vantagem de se ter um planetário é que se o tempo não colaborar, temos as estrelas artificiais e as exposições para visitar", explica.

 

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TAGS: Clima