O tratamento do HIV tem avançado significativamente nas últimas décadas, proporcionando uma melhor qualidade de vida para pessoas que vivem com o vírus e reduzindo as taxas de transmissão. Além disso, pesquisas recentes apontam para novas estratégias promissoras que podem levar à cura ou ao controle da infecção sem a necessidade de tratamento contínuo.
Estudo da Fiocruz com PrEP injetável aponta maior adesão ao medicamento
A profilaxia pré-exposição (PrEP) tem se mostrado uma estratégia eficaz para evitar a infecção pelo HIV. Atualmente, a PrEP oral é disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil desde 2017, e consiste no uso diário de um comprimido contendo as substâncias Tenofovir e Entricitabina. No entanto, a adesão ao tratamento contínuo pode ser um desafio para muitos usuários.
Uma alternativa promissora é a PrEP injetável, com o medicamento Cabotegravir, que já foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023 e está em fase de avaliação para incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS). Um estudo conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), denominado ImPrEP CAB, demonstrou que a adesão à versão injetável é significativamente maior do que à PrEP oral. Os resultados indicaram que 94% dos participantes que optaram pela PrEP injetável compareceram regularmente às aplicações, mantendo-se protegidos durante o período da pesquisa. Nenhuma dessas pessoas testou positivo para HIV, enquanto no grupo que utilizou a versão oral, a taxa de adesão foi menor, apenas 58% dos dias de acompanhamento, resultando em um caso de infecção.
A adoção da PrEP injetável pode representar um avanço significativo na prevenção do HIV, especialmente entre populações vulneráveis, como jovens, homens que fazem sexo com homens e pessoas transgênero, que enfrentam desafios adicionais na adesão ao tratamento oral diário.
Avanços na busca pela cura
Embora os tratamentos atuais tenham transformado o HIV em uma condição crônica controlável, a busca por uma cura definitiva ainda é um dos principais objetivos da comunidade científica. Nos últimos anos, algumas estratégias promissoras vêm sendo testadas.
Uma delas é a terapia genética, que busca modificar células do sistema imunológico para torná-las resistentes ao HIV. Um dos métodos mais avançados é o uso da técnica CRISPR-Cas9, que permite a edição genética para remover ou inativar o DNA viral presente nas células infectadas. Estudos iniciais demonstraram resultados encorajadores, mas ainda há desafios significativos a serem superados antes que essa abordagem possa ser amplamente utilizada.
Apesar de ainda não haver uma cura definitiva, os avanços recentes representam um grande progresso na redução da transmissão e no controle da infecção pelo HIV. A ampliação do acesso a novas formas de prevenção, como a PrEP injetável, e a introdução de terapias antirretrovirais de longa duração são passos importantes para facilitar o tratamento e melhorar a qualidade de vida das pessoas vivendo com o vírus.
As pesquisas sobre terapias genéticas e estratégias de erradicação continuam evoluindo, trazendo novas esperanças para o futuro. Enquanto a cura não se torna uma realidade acessível para todos, a disseminação de informações sobre prevenção, diagnóstico precoce e adesão ao tratamento segue sendo fundamental para o enfrentamento da epidemia.
Com os avanços científicos e políticas de saúde eficazes, a meta de eliminar o HIV como um problema de saúde pública até 2030, conforme estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), pode estar cada vez mais próxima de se tornar realidade.
Em Nova Friburgo, missa e testes rápidos nesta segunda-feira
Nesta segunda-feira, 7, a Pastoral da Aids da Diocese de Nova Friburgo, em parceria com o programa IST-Aids da Secretaria Municipal de Saúde, preparou uma atividade especial com missa em celebração ao Dia Estadual de Detecção Precoce do HIV, às 8h, na Catedral São João Batista, na Praça Dermeval Barbosa Moreira, e a realização de testes rápidos e gratuitos, das 9h às 15h, na secretaria da igreja.
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