O relator da representação contra o deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ) no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, Paulo Magalhães (PSD-BA), apresentou, na quarta-feira, 2, parecer recomendando a cassação do mandato de Glauber, que tem base eleitoral em Nova Friburgo. Glauber é alvo de um processo por quebra de decoro parlamentar, aberto no ano passado, em razão do episódio em que Glauber expulsou o integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), Gabriel Costenaro, do plenário da Câmara dos Deputados, aos chutes. O episódio ocorreu em 16 de abril de 2024.
“Diante das provas produzidas nos autos, verifica-se que o deputado Glauber Braga extrapolou os direitos inerentes ao mandato, abusando, assim, das prerrogativas que possui", afirmou Magalhães em seu relatório. Naquela ocasião, Costenaro fez insinuações sobre a mãe de Glauber, a ex-prefeita de Nova Friburgo, Saudade Braga, que na época estava doente. Ela faleceu 22 dias após o ocorrido.
A expectativa é que a representação que recomenda a cassação do mandato de Glauber Braga seja votada na próxima semana, após pedido de vista (mais tempo para análise) feito pelo deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ) nesta quarta-feira, 2.
Em sua defesa, Glauber chamou Costenaro de "provocador", afirmou que essa conduta faz parte do "modus operandi" do MBL e lembrou da posição de um dos líderes da “Bancada da Bala”, Alberto Fraga, que disse que se o fato ocorresse com ele, iria "quebrar (o manifestante) na porrada".
"O depoimento do deputado federal Alberto Fraga neste Conselho de Ética foi um depoimento de absolvição ou de arquivamento do procedimento", disse. Glauber também disse que agiu para "defender a honra da mãe" e que tal conduta era um "dever de vida".
A Comissão de Ética contou com a presença da bancada do Psol na Câmara dos Deputados. O principal ponto de reclamação desse grupo foi o fato de que o deputado federal Chiquinho Brazão (União-RJ), preso há mais de um ano sob a acusação de ser o mandante do assassinato da ex-vereadora carioca, Marielle Franco, e do motorista dela, Anderson Gomes, ainda mantém o mandato parlamentar enquanto o plenário não julga a representação contra ele.
Outros aliados de Glauber Braga presentes na sessão levaram faixas com a frase "Glauber fica" e chamaram o relator de "capacho de Lira". Durante toda a tramitação do processo, o psolista disse que o relatório foi "comprado" pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que exercia o cargo no ano passado. Glauber ainda chamou Lira em diferentes oportunidades de "bandido". (Portal Uol)
Deixe o seu comentário