Crianças são presentes, se as aceitarmos

César Vasconcelos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza

Saúde Mental e Você

O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

quinta-feira, 03 de abril de 2025

Com esse título a escritora Kathleen Turner Crilly comenta sobre um texto de Melody Beattie, especialista sobre codependência afetiva. Vou citar parte do texto junto com ideias minhas, para nossa reflexão hoje.

Não tenho dúvidas de que crianças são presentes. Elas são como flores que enfeitam nossa casa. Alegram o ambiente com sua espontaneidade e pureza. Nossos filhos, se tivermos filhos, são um presente para nós. Pense bem que nós, como filhos, éramos presentes para nossos pais, não é mesmo? Entretanto, é verdade e uma infelicidade, que muitos de nós não recebemos a mensagem de nossos pais de que éramos presentes para eles e para o Universo. Talvez nossos pais estivessem sofrendo; talvez eles estivessem esperando que fôssemos seus cuidadores; talvez tenhamos nascido em um momento difícil na vida deles; talvez eles tivessem seus próprios problemas e simplesmente não foram capazes de aproveitar, aceitar e nos apreciar pelos presentes que somos.

Atendi em meu consultório ao longo do tempo muitas pessoas que sofriam com uma insegurança emocional de tal maneira que ao terem filhos se sentiam despreparados para isso e por causa dessa fraqueza emocional, não puderam curtir seus filhos, pelo menos nos anos em que o problema emocional os perturbava.

Muitos têm uma crença profunda, às vezes subconsciente, de que eram e são um fardo para o mundo e as pessoas ao redor. Essa crença pode bloquear a capacidade de aproveitar a vida e relacionamentos com os outros. Essa crença pode até prejudicar o relacionamento com Deus, o Criador do Universo.

Tem gente que sente ser um fardo para Deus. Essa sensação pode ser mesmo baseada nas experiências vividas ao longo da infância com pai e mãe, um ou outro, ou ambos, despreparados para a paternidade e a maternidade. Esse despreparo emocional é muito comum hoje em dia em milhares de jovens rapazes que engravidam garotas e nessas jovens que dão à luz crianças que sofrerão por falta de condições emocionais dos pais cuidarem delas.

Se você tem essa crença de ser um fardo para as pessoas e até para Deus, é hora de deixá-la ir embora. É hora de acabar com ela. É hora de começar a lutar para não permitir que ela fique em sua consciência perturbando. Você não é um fardo. Nunca foi, ainda que tenha sido uma criança mais peralta. Se você recebeu essa mensagem de seus pais, é hora de reconhecer que esse problema é deles para eles resolverem. Eles é que precisariam ou precisarão refletir sobre isso e aceitar que erraram com os filhos de uma forma que favoreceu o surgimento da crença psicológica na mente das crianças que diz que elas são um fardo.

Você tem o direito de lidar consigo mesmo como um presente para si, para os outros, para o mundo e para o Universo. Eu e você estamos aqui na vida e temos esse direito que nos foi dado pelo Criador.

Se você luta com este tipo de crença destrutiva, se achando um fardo, pense e decida agir com você mesmo dizendo assim: “Hoje, tratarei a mim mesmo e a quaisquer filhos que eu tiver como sendo um presente. Deixarei de lado quaisquer crenças que eu tenha sobre ser um fardo, e isso para meu Deus, para meus amigos, minha família e para mim mesmo.” E sendo pai ou mãe, pense: “Meus filhos são presentes especiais para mim.”

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Cesar Vasconcellos de Souza

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