Inverno deverá ser diferente este ano, com previsão de chuvas

Onda de frio deve derrubar temperaturas a partir desta sexta-feira. Previsão é que o fenômeno climático influencie o restante do inverno mobilizando autoridades
quarta-feira, 01 de julho de 2026
por Laís Lima*
Foto: Magnific
Foto: Magnific

O inverno mal começou e a estação já dá sinais de que, neste ano, será diferente do esperado. O fortalecimento do fenômeno climático El Niño no Oceano Pacífico Equatorial começa a alterar o comportamento da atmosfera e deve provocar mudanças importantes no clima brasileiro ao longo deste mês. Em Nova Friburgo, os primeiros dias de julho tendem a ser marcados por manhãs frias, nevoeiros e baixas temperaturas, características bem comuns nesta época do ano, mas a tendência para as próximas semanas é de um inverno com períodos de elevação de temperaturas e aumento das áreas de instabilidade.

O aquecimento acelerado das águas do Pacífico, próximo às costas do Peru e do Equador, confirma a consolidação do El Niño neste início do segundo semestre de 2026. O fenômeno interfere na circulação dos ventos em escala global e modifica a distribuição das chuvas e das temperaturas em diferentes regiões do Brasil.

Segundo os meteorologistas do Climatempo, a combinação entre o fortalecimento do El Niño, a passagem frequente de frentes frias e o aquecimento das águas do Oceano Atlântico favorecerá a formação e a permanência de áreas de instabilidade, especialmente na Região Sul. Os efeitos também serão sentidos no Sudeste, incluindo o Estado do Rio de Janeiro.

Primeiros dias de julho com frio em Friburgo

Na Região Serrana, julho começa com temperaturas baixas, principalmente durante as madrugadas e manhãs. A previsão indica tempo firme nos primeiros dias, com presença de nevoeiro ao amanhecer e noites frias.

Nesta quinta-feira, 2, o tempo em Nova Friburgo tende a ser ensolarado, com nevoeiro ao amanhecer e à noite. Os termômetros devem variar entre 13 e 23 graus.

Na sexta-feira, 3, a previsão é que o dia comece com sol e nevoeiro, enquanto muitas nuvens devem se formar durante a tarde e à noite. A temperatura ficará entre 12 e 22 graus. O sábado, 4, também deverá ser marcado por muitas nuvens e céu parcialmente encoberto durante todo o dia, e com frio. A máxima não deverá passar dos 17 graus, enquanto a mínima será de 12 graus. Já no domingo, 5, o frio continua e o céu deverá permanecer nublado, com algumas aberturas de sol e temperaturas variando entre 11 e 17 graus. 

Embora uma nova massa de ar polar avance pelo Centro-Sul do país entre esta quinta-feira, 2, e o sábado, 4, os meteorologistas explicam que ela não terá a mesma intensidade da onda de frio registrada na segunda quinzena de junho. Ainda assim, será suficiente para provocar madrugadas geladas e tardes mais frias em boa parte do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

El Niño muda o comportamento do inverno

Depois da entrada do ar frio, a tendência é de mudanças graduais no padrão climático. O El Niño deve favorecer temperaturas acima da média em diversos períodos do mês, principalmente na última semana de julho.

O Sul do Brasil deverá ser a região mais impactada, com previsão de volumes de chuva muito acima da média histórica. Os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul deverão registrar sucessivas frentes frias e períodos prolongados de instabilidade.

No Sudeste, o comportamento será mais irregular. Áreas do sul de Minas Gerais, Zona da Mata Mineira, oeste e sul de São Paulo e centro-sul do Estado do Rio de Janeiro poderão registrar precipitações acima da média para o período, embora os episódios de chuva não devam ser tão frequentes quanto os observados em junho.

Em Nova Friburgo, a expectativa é de um inverno marcado por alternância entre dias frios e períodos mais amenos, com aumento da nebulosidade em alguns momentos, reflexo direto das mudanças provocadas pelo fenômeno climático.

Calor deve ganhar força no fim do mês

Apesar do início gelado, julho não será um mês exclusivamente frio. A previsão climática aponta que o calor voltará a ganhar intensidade na reta final do mês. 

As maiores temperaturas deverão ser registradas principalmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste, Norte e interior do Nordeste. Estados como Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Tocantins estão entre os que poderão enfrentar temperaturas significativamente acima da média. Essa alternância entre massas de ar frio e períodos de aquecimento é considerada uma das principais características do El Niño.

Saúde se prepara para possíveis impactos climáticos

Diante dos efeitos esperados do fenômeno El Niño e do aumento dos eventos climáticos extremos, o Ministério da Saúde lançou um plano nacional para fortalecer a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS).

O programa prevê investimentos de R$ 9,8 bilhões até 2035 e reúne 27 metas e 93 ações voltadas para prevenção, monitoramento e atendimento em situações provocadas pelas mudanças climáticas.

Entre as iniciativas estão a criação de salas de situação para monitoramento, reforço das equipes de saúde, ampliação da comunicação com estados e municípios, fortalecimento da vigilância epidemiológica e garantia de estoques estratégicos de medicamentos, vacinas, água potável e insumos para atendimento emergencial.

Também será implantado o Painel Nacional de Excesso de Calor, ferramenta que permitirá emitir alertas com até cinco dias de antecedência para episódios de temperaturas extremas.

Outra medida é a expansão da Força Nacional do SUS, que passará a contar com oito bases distribuídas pelo país, permitindo mobilização em até 12 horas diante de situações de emergência.

Cuidados durante o inverno

Mesmo em uma estação tradicionalmente fria, especialistas alertam que as oscilações bruscas de temperatura exigem atenção, principalmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.

Entre as recomendações estão manter boa hidratação, evitar exposição ao sol nos períodos mais quentes do dia quando houver ondas de calor, conservar os ambientes ventilados, acompanhar corretamente o uso de medicamentos contínuos e utilizar soro fisiológico para aliviar o ressecamento das vias respiratórias, bastante comum durante o inverno.

Ao anunciar o plano nacional, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que os efeitos das mudanças climáticas já representam um desafio permanente para a saúde pública brasileira. Segundo ele, preparar o sistema de saúde para responder a esses eventos tornou-se uma prioridade diante da crescente frequência de extremos climáticos observados em todo o país.

(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim

 
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