Um dos nomes mais importantes da história do esporte brasileiro, quando o assunto é inclusão. E não apenas por esse fator: o friburguense Nelson da Conceição, o Chofer (apelido por ter sido "motorista de praça", termo usado na época para motorista de táxi), marcou história no Vasco da Gama e na Seleção Brasileira. Sua morte, em 24 de abril de 1942, completa 84 anos nesta sexta-feira, 24, e na eternidade de seus atos, dentro e fora de campo, Nelson continua sendo homenageado.
Nascido em Nova Friburgo, no dia 18 de agosto de 1898, foi o primeiro goleiro campeão pelo Vasco, onde atuou entre 1919 a 1927. Foi também o primeiro goleiro vascaíno convocado pela Seleção Brasileira (juntamente com Paschoal e Torterolli) e, ainda, primeiro goleiro negro nas seleções brasileira e carioca. Com a Amarelinha, marcou seu nome na equipe de 1923, mesmo ano do primeiro título carioca do Cruzmaltino. No dia 11 de novembro daquele ano, o Brasil enfrentava o Paraguai com o primeiro goleiro negro da história da Seleção.
Até a estreia de Nelson, todos os goleiros que haviam vestido a camisa da Seleção eram brancos. Contudo, a qualidade do jogador friburguense sobrepôs todo o racismo que imperava no país. Tornou-se impossível não convocar o melhor da posição no Rio de Janeiro, então capital do Brasil.
A ida para o Rio
A trajetória no futebol começa, de fato, quando Nelson mudou-se para a capital e começou a disputar partidas oficiais de futebol, com apenas 15 anos. Iniciou a carreira em 1915, no Paladino Football Club, clube filiado à Liga Metropolitana de Sports Athleticos (LMSA). Em 1916 atuava pelo Engenho de Dentro Athletico Club, onde se tornou tricampeão da Liga Suburbana. Em 1919, foi contratado pelo Vasco.
Ao chegar ao clube, Nelson era chofer de praça (taxista) no Engenho de Dentro, profissão proibida pela Liga Metropolitana. Para ser aceito, Nelson precisou deixar a profissão de taxista. Com a ajuda do Vasco, o goleiro passou a trabalhar na Casa Alberto, comércio de chapelaria, que pertencia a um torcedor do clube.
Apesar de toda retaliação por parte principalmente de dirigentes e torcedores adversários e da própria imprensa, Nelson "fugiu" do pedido de exclusão feito pela AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Atléticos) e que resultou na famosa Resposta Histórica do Vasco em 1924.
Na época, a liga solicitou que o clube excluísse 12 atletas, negros e operários, do seu quadro para que continuasse a disputar o campeonato. O Vasco se recusou a atender o pedido e não disputou a competição em 1924. Em decorrência do sucesso do time, a AMEA decidiu admitir o Vasco em 1925, o que se tornou um marco no desenvolvimento do futebol brasileiro, não somente pela luta dos jogadores de classes menos favorecidas, mas também por ter contribuído para a profissionalização dos atletas na modalidade.
A estreia no cruzmaltino
Nelson da Conceição estreou pelo Vasco no dia 23 de março de 1919, na vitória de 1 a 0 sobre o River/RJ, pelo Torneio Início da 2ª Divisão da LMDT (Liga Metropolitana de Desportos Terrestres). Com a camisa da Seleção Brasileira, conquistou a Taça Rodrigues Alves e a Taça Confraternidad Brasil-Argentina.
A sua última partida pelo Vasco foi no dia 17 de julho de 1927, na vitória de 2 a 1 sobre o América do Rio, em jogo válido pelo Campeonato Carioca. Mesmo após deixar o clube, o goleiro seguiu como sócio do clube. No geral, Nelson da Conceição disputou 192 partidas pelo Cruzmaltino, com 123 vitórias, 27 empates e 42 derrotas. Nelson faleceu em 24 de abril de 1942 no Hospital Graffrée e Guinle, onde estava internado à custa do clube.

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