Off folia: Praça Getúlio Vargas recebe 4ª edição do Palco Alternativo

Com tema “Alquimia Tropical”, projeto aposta na diversidade cultural, programação infantil e revitalização do espaço público
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
por Isabella Rodrigues (*)
Foto: Henrique Pinheiro
Foto: Henrique Pinheiro
O Carnaval de Nova Friburgo ganha, mais uma vez, neste carnaval, um espaço dedicado à diversidade artística e à ocupação consciente. Até a próxima terça-feira, 17, o Palco Alternativo chega à sua quarta edição consecutiva, instalado no coreto da Praça Getúlio Vargas, com o tema “Alquimia Tropical” e uma proposta que une ritmos, gerações e expressões culturais em uma mesma programação.

Durante os dias de folia, a programação contempla o público infantil; à noite, o palco se transforma em um ponto de encontro de diferentes estilos musicais
Consolidado ao longo dos últimos anos, o projeto se firmou como uma iniciativa inclusiva dentro do segundo maior carnaval do Estado do Rio de Janeiro. Durante o dia, a programação contempla o público infantil; à noite, o palco se transforma em um ponto de encontro de diferentes estilos musicais, reunindo do rock ao rap, do samba à música eletrônica.

Segundo Bernardo Fukuoka, um dos idealizadores do projeto, a criação do Palco Alternativo surgiu da necessidade de integrar movimentos culturais que, até então, atuavam de forma isolada na cidade. “Existiam blocos de rock, rap, samba, música eletrônica, mas eram pontas soltas na programação. O Palco Alternativo veio como uma maneira de juntar todos esses ritmos”, explicou.

A escolha da Praça Getúlio Vargas também foi estratégica. De acordo com ele, o local, apesar de central, ficava esvaziado durante o Carnaval, o que acabava abrindo espaço para situações de insegurança. “Acreditamos que, através da cultura, conseguimos revitalizar e mudar a percepção de um espaço. Nosso principal objetivo foi ocupar a praça de forma consciente e reverter um cenário que estava desfavorável para a festa”, afirma.

Memória 

Além da música, o projeto também tem um compromisso com a memória do samba friburguense. Desde a primeira edição, o palco busca valorizar a história das escolas de samba locais da cidade, com a criação de um acervo que conta a origem das agremiações, o significado de suas cores, datas de fundação e títulos conquistados. No primeiro ano, essas informações foram apresentadas como um “livro aberto”, instalado no próprio espaço do coreto.

Bernardo ressalta que a proposta nunca foi criar um carnaval paralelo. “Não queremos tirar a identidade da festa. O foco está na avenida. O Palco Alternativo é um espaço de multiarte que dialoga com o carnaval da cidade”, pontua.

Entre os responsáveis por fazer o projeto sair do papel estão Bernardo Fukuoka, um dos idealizadores; Ana Carolina Santos e João Victor Bayer Pinto, que fazem parte da produção desde a primeira edição; e o projeto Icau e o Casa na Árvore, que são responsáveis por desenvolver a programação infantil.

Transformação como narrativa

O tema deste ano, “Alquimia Tropical”, dá continuidade à narrativa construída desde a primeira edição. Em 2023, o foco foi a diversidade individual; no segundo ano, a união das tribos; no terceiro, “Origem do Amanhã”, refletindo sobre o indivíduo no coletivo. Agora, a alquimia surge como metáfora de transformação, tanto do espaço quanto das pessoas.

A referência dialoga com a obra de Jorge Ben Jor, artista conhecido por explorar a ideia de alquimia em suas composições. O conceito também se materializa na cenografia: todos os anos, a equipe reutiliza materiais e até sucatas das escolas de samba para transformar em novos elementos de decoração do palco, reforçando a ideia de transmutação.

Outro diferencial do projeto é o incentivo a novos artistas. O Palco Alternativo abre espaço para talentos que ainda não tiveram oportunidade de se apresentar em eventos oficiais e também orienta sobre os caminhos para participação em editais públicos, funcionando como um agente cultural na formação e profissionalização de artistas locais.

Ao completar quatro anos, o projeto celebra não apenas a continuidade, mas também os resultados. De acordo com a organização, as três edições anteriores ocorreram sem registros de brigas ou situações de risco, consolidando o espaço como um ambiente familiar e seguro.

Programação

Sexta-feira, 13
  • Four in Jazz – 18h30
  • DJ Curupira – 20h30
  • Os Mansurelli – 22h
  • Matheus Schuenck – 23h

Sábado, 14
  • Gincana Casa na Árvore – 15h
  • Sérgio Pinho - Contação de História – 17h
  • Tosh (Grafitti) – 19h
  • DJ Toots – 19h
  • Rapper Sérgio Pinho – 20h30
  • Gee Santoz – 21h30
  • Hoover – 22h30
  • Lost – 23h30
  • Cadu Martins – 00h30

Domingo, 15
  • Roda de Capoeira Mestre Caroço – 15h
  • Roda de Samba Jah Deu Samba e Convidados – 17h30
  • As Lumiarinas (Participação especial de Pablo Balman) – 20h30
  • On Jack Tal Jack – 21h30
  • Saulo Emerick – 23h

Segunda-feira, 16
  • Pedro Prince – 15h
  • Banda Brinccante – 16h
  • Jessé Rodrigues -  Contação de História – 17h
  • DJ Rosemberg – 20h30
  • Mariana Benjamin – 21h30
  • DJ Lúcio Petrillo – 23h
  • Ian Melon – 0h30

Terça-feira, 17
  • Edgar Salarini Circo – 16h
  • Mágico Gabriel – 17h
  • DJ Vitor Lopes – 19h
  • DJ Cesinha + DJ Kalex – 20h30
  • Nónanente – 22h
  • Donbre – 22h30
  • NVI – 23h
  • Dolla Dolla – 23h30
  • DJ Lorran – 0h    

(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim     

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