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Boas e más influências

Tereza Cristina Malcher Campitelli
Momentos Literários
Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.
É fato. Somos seres que recebem influências e influenciam. É ingênuo pensar que alguém é dono de si posto que recebemos influências e, da mesma forma, somos influenciadores. Ou seja, estamos mergulhados numa rede de influências intermináveis, verdadeiros campos magnéticos que atraem quem está ao redor. São invisíveis e vibram na mesma frequência entre as pessoas que sentem afinidade umas pelas outras, pelos mesmos ideais ou estilos de vida.
A influência pode ser descrita como um poder, uma ação ou um discurso que causa impacto, modificando modos de agir, pensar, perceber os fatos e decidir daquele que é influenciado. É uma força que penetra, adentra no interior dos sujeitos, inclusive nas suas essências. Todo grupo para permanecer como tal precisa que seus integrantes sigam regras, como as preservadas pela família, estabelecidas pelos grupos de trabalho, condomínios, dentre tantos.
As influências desempenham papel fundamental no âmbito social dado que a sociedade sobrevive a partir das inter-relações pessoais, institucionais, profissionais e comunitárias. Através de intensos processos de comunicação, do acesso, do poder e da observação, as influências vão, de forma dinâmica, dando novos contornos à vida individual e comunitária. Como a moda, as heranças familiares e históricas. Uma obra literária também possui o poder de influenciar, como o “Diário de Anne Frank”, “Dom Quixote” ou “O Pequeno Príncipe”.
As influências são exercidas quando inspiram e motivam ou quando manipulam e controlam. São poderosas forças apenas quando permitimos que incidam sobre nós, ou seja, como somos seres de livre arbítrio podemos decidir se vamos aceitá-las ou não. Porém, nem sempre, somos capazes de percebê-las em nossas vidas, como também, podemos não ter o amadurecimento e o discernimento suficientes para decidir se vamos aceitá-las ou não. Como estamos mergulhados no centro de forças influentes, é preciso fortalecer o autoconhecimento de modo que nos sejam claros os valores que preservamos para filtrar o que nos chega, como as informações emanadas das redes sociais. A autoconfiança nos permite escolher os ambientes que vamos frequentar e as pessoas com quem compartilhamos situações. Igualmente precisamos estar cientes de que nossos modos de pensar e agir podem interferir na vida do outro.
Estou desenvolvendo esse delicado tema influenciada pela leitura do livro “Trilogia de Copenhagen: Infância, Juventude e Dependência”, de Tove Ditlevsen, uma autobiografia, cuja leitura está me sensibilizando pelas experiências que a protagonista descreve. Durante a pré-adolescência, ela fez amizade com uma menina, vinda de uma família com grandes dificuldades. Essa amiga, a quem Tove adorava, a ensinou a roubar, a valorizar a prostituição, dentre outras imposturas.
Então, comecei a refletir sobre os cuidados que as famílias precisam ter com seus filhos pré-adolescentes e adolescentes. Especialmente, nessa fase de vida, a pessoa é facilmente influenciável e se submete às pressões dos grupos. É tão comum, a criança, o jovem e até o adulto imitarem gestos, modos de falar e agir. Os hábitos são compartilhados. Muitas vezes, valorizam-se atitudes antes de avaliá-las, geralmente respaldadas por ideias precipitadas. São ideias que criam ecos na vida e acabam virando rotina, como ver o celular quando se anda pela rua ou conduzindo um automóvel. Noutro dia, presenciei uma adolescente tropeçar e cair ao atravessar a rua, fora do sinal, vendo o celular.
Um dos meios mais eficazes de influenciar são os exemplos. O ser humano é um imitador: os filhos imitam os pais; os mais jovens imitam os mais velhos; os modismos são seguidos pela população; as pessoas do mesmo grupo cultural tendem a apreciar determinados ritmos musicais.
As influências seduzem os jovens. Geralmente de forma divertida e leve. As drogas lhes são apresentadas, as responsabilidades são estimuladas a serem abandonadas, o sexo pode se tornar prova de amor. São influências que sugam energias, promovem a negação de valores e estimulam o abandono de projetos de vida benéficos. A pior influência é fazer com que o outro deixe de acreditar em si, se sinta inseguro e incapaz para tomar decisões que façam parte do seu crescimento.
As boas influências, nem sempre sedutoras, fazem o outro perceber como pode melhorar, mostram modos de pensar, sentir e agir saudáveis. Fazem a pessoa a acreditar em si mesma e superar as dúvidas em relação ao seu potencial. As conquistas são valorizadas e os erros apontados e tratados através de críticas construtivas.
Enfim, é um tema a ser pensado com o devido cuidado em todos os momentos da vida.

Tereza Cristina Malcher Campitelli
Momentos Literários
Tereza Malcher é mestre em educação pela PUC-Rio, escritora de livros infantojuvenis e ganhadora, em 2014, do Prêmio OFF Flip de Literatura.
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