Investir é se educar

Gabriel Alves

Educação Financeira

CEO da empresa Delta, de consultoria, Gabriel escreve sobre economia e finanças e dá dicas de inteligência no gerenciamento de gastos e de como conquistar o equilíbrio entre desejo de aquisições e controle emocional para otimizar as despesas.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Conhecer as opções e os objetivos de diferentes produtos financeiros, também é educação financeira. Hoje eu quero desabafar; botar para fora toda a minha indignação da exploração pela falta de conhecimento. Aqui, neste espaço, minha missão sempre foi dividir aprendizado. Contudo, apesar de um cenário difícil - quiçá cruel –, me motivo ao perceber o quão distante estou de cumpri-la. Neste texto, vou abrir algumas práticas comuns de grandes instituições financeiras responsáveis pela, antes dita, exploração pela falta de conhecimento.

 Antes de mais nada, títulos de capitalização não são investimentos; não é qualquer título de renda fixa que vai ser bom para você; e por fim, mas não menos importante, escolhas ruins fazem você perder dinheiro. Que tal um pouco de conhecimento para chegarmos juntos a uma conclusão? Pode ser o caminho para desenvolver seu senso crítico financeiro.

  • Seu dinheiro perde poder de compra com o passar do tempo;
  • Depender de sorte não é investir;
  • Você precisa saber o tempo de resgate dos seus investimentos;
  • Se todo investimento tem risco, qual é o do seu investimento?

Títulos de capitalização e títulos de renda fixa são os produtos de captação mais populares em grandes instituições financeiras. Um, de fato, é investimento e pode ser uma ótima opção se escolhido com cautela e entendendo as necessidades do cliente investidor; o outro, por sua vez, é apenas uma péssima decisão a ser tomada para o seu dinheiro.

  • Títulos de capitalização: lembrando mais uma vez (em alto tom de ironia), não são investimentos! Basicamente, funcionam como um tipo de economia programada na qual o banco está autorizado a fazer determinada retirada mensal de sua conta corrente para comprar o título. Parece uma boa ideia pelo ponto de vista poupador, mas vai por mim: seria melhor deixar aplicações programadas na caderneta de poupança. Estes títulos são formas de captar dinheiro para os bancos e a única forma de você, cliente, sair com alguma rentabilidade é ter a sorte de ser contemplado nos sorteios que são feitos periodicamente. No final das contas, quem ganha mesmo é o banco, pois ao final do período predeterminado do título só retorna ao cliente a quantia aplicada ao longo do tempo; sem – ou pouquíssima – nenhuma rentabilidade.

Ou seja, você perde dinheiro.

  • Títulos de renda fixa: neles você pode investir “sem medo” (entre muitas aspas). O primeiro passo a ser dado é a transparência dos dados acerca do investimento. Liquidez, risco e rentabilidade são os três pontos a serem muito bem analisados em seus investimentos – inclusive em renda fixa. Dia desses, numa ligação com um novo cliente, identifiquei mais um caso lamentável da falta de transparência: numa agência bancária, seu gerente havia recomendado um determinado CDB sob a alegação de uma boa escolha. Assim, sem ao menos transparência como base de um bom argumento. Por fim, o cliente se viu num produto com prazo de vencimento (liquidez) acima de dez anos. Contudo, ainda que o resgate pudesse ser antecipado e em poucos dias o dinheiro estivesse disponível, o cliente só teria direito ao capital alocado inicialmente e sem a incidência de juros.

Ou seja, o cliente perdeu dinheiro (e você também).

Investir é fundamental para construir patrimônio e projetar o futuro com qualidade de vida. Não desista por experiências ruins; você só precisa de uma orientação especializada. O mundo tem passado por grandes mudanças e, com isso, novas profissões vêm surgindo; inclusive a de assessores e consultores de investimentos. Ademais, o que você realmente precisa, independente do profissional intermediador, é a atenção e sabedoria de quem pode, de fato, manter transparência e vontade de disseminar educação financeira.

Publicidade
TAGS:

Gabriel Alves

Educação Financeira

CEO da empresa Delta, de consultoria, Gabriel escreve sobre economia e finanças e dá dicas de inteligência no gerenciamento de gastos e de como conquistar o equilíbrio entre desejo de aquisições e controle emocional para otimizar as despesas.

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.