Investimentos em bolsa de valores

Gabriel Alves

Educação Financeira

CEO da empresa Delta, de consultoria, Gabriel escreve sobre economia e finanças e dá dicas de inteligência no gerenciamento de gastos e de como conquistar o equilíbrio entre desejo de aquisições e controle emocional para otimizar as despesas.

sexta-feira, 03 de julho de 2020

Para os investidores, sejam iniciantes ou mais experientes, o ano de 2020 está sendo marcante. Dentro do mercado de renda variável, há diversos ativos e índices; contudo, é o índice Bovespa – o Ibovespa –, a carteira teórica da B3 (a Bolsa de Valores de São Paulo) composta por cerca das 70 maiores empresas de capital aberto do Brasil, que representa o panorama econômico e suas expectativas futuras para o país. É através deste índice que mede-se a saúde das grandes empresas brasileiras diante do contexto nacional e internacional.

Você acompanhou o desempenho do Ibovespa nos últimos seis meses? Pois bem, fechamos o primeiro semestre de 2020 e muitos estudos sintetizam o que houve nesse ano turbulento.

  • 1° trimestre (janeiro a março): o índice alcançava a marca histórica de 119.527,63 pontos no dia 23 de janeiro. Era um novo recorde. Mas nem tudo são flores e a volatilidade diante dos reflexos internacionais causados pelo Covid-19 fez o Ibovespa cair 46,82% em exatos dois meses; mas uma breve recuperação fechou o primeiro trimestre como o pior da história atingindo a marca de -36,86%.
  • 2º trimestre (abril a junho): vamos continuar falando de volatilidade, pois saímos do pior trimestre histórico para o melhor desempenho desde 2003. Curioso não?
  • 1º semestre: apesar da forte recuperação, o Ibovespa fechou em -17,80% com a pior performance desde 2015.

Mas qual é a causa de tanta volatilidade?

 O ano de 2020 já começou marcante com o calendário de eleições nos Estados Unidos, motivo para já promover certa insegurança no mercado, o que aumenta – de forma mais previsível – a volatilidade. Contudo, foram os movimentos inesperados os responsáveis pelas grandes quedas nos índices de bolsas globais: a guerra de preços do petróleo entre Rússia e Arábia Saudita foi um grande marco para o ano e causou fortes impactos no setor (e por ser matéria-prima essencial, refletiu em outros setores e também causou fortes quedas em índices globais); por outro lado, nada se compara aos impactos negativos do Covid-19, responsáveis pelos grandes movimentos de quedas.

Como alternativa, os bancos centrais mundo a fora fizeram consideráveis injeções de capital – e, com isso, liquidez – nos mercados e deram seguimento aos movimentos de queda de juros globais (inclusive a Selic no Brasil), promovendo as altas observadas ao longo do segundo trimestre como alternativa aos prejuízos de investidores e instituições. Mas aqui fica um grande questionamento: até que ponto essas altas são justificáveis?

Saber se o mercado de alta é apenas um momento forçado e artificial ou condizente com a realidade é a principal resposta procurada pelos investidores; mas ainda não temos certezas e os especialistas ainda se mantém divididos.

 Contudo, uma coisa você e eu (investidores) podemos fazer: estudar!

Buscar boas empresas é a solução para fugir da volatilidade indefinida e você pode seguir quatro passos para tomar boas decisões.

  • 1º passo: analisar o setor da empresa é fundamental para verificar se existe espaço promissor no livre mercado. O setor de saúde, por exemplo, pode ser promissor após este período tão delicado de pandemia passar.
  • 2º passo: busque informações sobre o caixa disponível da empresa analisada. Em momentos de pouca receita, uma empresa sem caixa está fadada ao fracasso.
  • 3º passo: o endividamento da empresa vai dizer muito sobre sua saúde financeira. Dívidas podem ser justificáveis e benéficas, mas o descontrole de crédito e a baixa geração de renda, aliada ao pouco caixa, pode ser o suficiente para o processo de falência ou recuperação.
  • 4º passo: saber o percentual “free float” é fundamental para identificar o tamanho da empresa que está aberto ao mercado financeiro. Quanto maior o percentual, maior o risco de volatilidade, então não fique refém de empresas que contam demasiadamente com o mercado aberto.

Apesar de haverem outros diversos indicadores fundamentais para analisar bons investimentos, estes são muito condizentes com o momento; então analise-os.

Investimentos em mercado financeiro podem ser a melhor alocação para o seu dinheiro, portanto faça-os com cautela: estude ou busque auxílio profissional. Pense nisso!

Publicidade
TAGS:

Gabriel Alves

Educação Financeira

CEO da empresa Delta, de consultoria, Gabriel escreve sobre economia e finanças e dá dicas de inteligência no gerenciamento de gastos e de como conquistar o equilíbrio entre desejo de aquisições e controle emocional para otimizar as despesas.

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.