Consumismo não é apenas consumo

Gabriel Alves

Educação Financeira

CEO da empresa Delta, de consultoria, Gabriel escreve sobre economia e finanças e dá dicas de inteligência no gerenciamento de gastos e de como conquistar o equilíbrio entre desejo de aquisições e controle emocional para otimizar as despesas.

sexta-feira, 07 de agosto de 2020

Há um vilão por trás das finanças pessoais de todo indivíduo e talvez você esteja passando por isso. Estamos, todos, sujeitos às nossas grandes vontades (não dá para chamar de sonho) e viver num sistema que incentiva o consumo e pode agravar a situação. Hoje, vamos conversar sobre como o consumismo pode afetar negativamente suas finanças e, ainda mais importante, sua qualidade de vida.

Contudo, antes vamos elaborar um conceito de riqueza. O enriquecimento, mesmo que com pouco dinheiro, é algo possível. E quando eu falo em enriquecimento, não falo em acumulo de bens ou ostentação; eu falo de qualidade de vida. É difícil você ver alguém por aí cujo sonho seja ter um bom plano de saúde e educação de qualidade, mas encontra a cada esquina pessoas sonhando com o carro zero.

É possível viver com o necessário que te faz bem. É esse o motivo de eu orientar – e praticar – o minimalismo: a redução do custo em prol da qualidade de vida. Considerar os pequenos gastos do dia a dia; evitar gastos supérfluos; criar metas reais e alcançáveis com um planejamento adequado: tudo isso vai te ajudar a conquistar seus grandes objetivos.

O minimalismo é um estilo de vida; e como tudo, basta achar o seu ponto de equilíbrio. Viver com menos roupa da moda, celular de alta tecnologia ou barzinho no fim de semana, pode acabar te trazendo outras oportunidades e você passará a viver com mais investimento em educação, viagens, saúde, bem estar, cultura e o que mais você considere parte da sua essência. É claro, cada pessoa tem suas prioridades e isso é natural. O importante é entender a ideia de que menos pode ser mais.

Você realmente precisa de tudo o que tem? Ao contrário do consumo, o consumismo não é natural; é algo inserido na nossa sociedade e, em contrapartida ao minimalismo, o American Way of Life (o estilo de vida americano) que surgiu no século passado como uma alternativa para os Estados Unidos superarem suas crises financeiras, foi difundido no mundo todo, principalmente nos países emergentes. Isso nos trouxe o consumismo desenfreado que, aliado à precária educação financeira, fez do trabalhador e consumidor um refém de suas próprias dívidas. No Brasil, em 2019, o número de inadimplentes passava dos 63 milhões de pessoas.

Todavia, o interessante disso tudo, é perceber uma ligeira mudança no cenário nacional. Em 2017, uma pesquisa feita no Brasil pela PwC, mostra que o consumidor está dividido entre a aquisição de bens de consumo e a busca por experiências (viagens, cultura e conhecimento, por exemplo): 50% para cada lado. Não obstante, outra pesquisa realizada no mesmo ano, pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), que criaram juntos o Indicador de Consumo Consciente (ICC), aponta um percentual de apenas 28% de consumidores conscientes. Um cenário ainda preocupante.

Ainda precisamos estudar muito sobre nossas finanças e parar de correr para nos salvar de nós mesmos. Pense nisso!

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CEO da empresa Delta, de consultoria, Gabriel escreve sobre economia e finanças e dá dicas de inteligência no gerenciamento de gastos e de como conquistar o equilíbrio entre desejo de aquisições e controle emocional para otimizar as despesas.

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