Solidão High Tech

Bia WIlcox

Bia Wilcox

Bia Willcox sempre escreveu.Professora e advogada por formação, sua grande paixão é conteúdo, texto, assuntos diversos pra trocar e enriquecer.assina a coluna Amores Cariocas na Rádio Bandnews e um blog sobre cultura e entretenimento no Portal R7

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Todo o inferno está contido numa única palavra: solidão

Victor Hugo, você precisava conhecer os dias de solidão high tech que vivemos hoje.

Com todas as portas, janelas e fendas gigantescas para falar ao mundo que habita fora de nós, as definições de solidão foram atualizadas. Victor Hugo não conhecia o poder da companhia de todos os aplicativos de Internet quando visualizou na solidão o Inferno. 

O Inferno de Victor Hugo anda mais ameno. Será?

Ser sozinho hoje, seja morar sozinho, ter poucos amigos no convívio cotidiano ou interagir quase nada no meio de muitos (fisicamente falando) pode ser uma das experiências mais povoadas de sua vida. Depende de seu grau de imaginação e de sua banda larga.

Ainda há um medo enorme da solidão. Um incômodo de não ter companhia pra dormir, pra dividir os afazeres domésticos, pra socorrer num sufoco, pra rir juntos, pra tocar.

Esse medo é real e secular. 

Medo de solidão física, de falta de par, falta de afeto, falta de aceitação, falta de experiência - a angústia do isolamento.

A cada 3 pessoas no Ocidente, 1 delas se sente solitária, sozinha. A solidão sempre foi um entrave à felicidade, desde os tempos antigos de filósofos amargurados e hoje ela é epidêmica. Muitos se sentem absolutamente solitários - eis um quadro da contemporaneidade.

Solidão em tempos líquidos: a sensação de estarmos num deserto sem fim ou numa ilha perdida mesmo em meio à urbis e ao caos. Fato incontestável.

Se é uma condição tão comum hoje, por que ainda há tanto receio de se estar sozinho? 

Temos tantas conexões: amigos reais, virtuais, desconhecidos, todos em voz, vídeo, chat. Sozinho, sozinho, ninguém fica mais, certo? Mas a angústia só aumenta entre as pessoas. O preço desse sentimento que mistura medo, angústia, melancolia e até pânico de ser e estar sozinho, leva a níveis de carência e aceitação quase absurdos.

Em nome de convivermos, habitarmos, passarmos tempo, dividimos nossa vida com alguém, abandonando até sonhos e partimos para o abraço. Literal. 

Não julgo. Compreendo o sentimento. 

O sentimento recorrente de solidão me parece própria do ser humano.

Solidão inegavelmente relativizada pelos recursos da internet, ajudando para que o tal Inferno seja um lugar de trocas e de  novas amizades. Quase um Paraíso.

Até porque, segundo Baudelaire, se não soubermos povoar nossa solidão, nem uma multidão pode nos ajudar.

Sendo assim, a internet é uma senhora ferramenta de povoamento. Não tenho dúvidas.

Publicidade
TAGS:

Bia WIlcox

Bia Wilcox

Bia Willcox sempre escreveu.Professora e advogada por formação, sua grande paixão é conteúdo, texto, assuntos diversos pra trocar e enriquecer.assina a coluna Amores Cariocas na Rádio Bandnews e um blog sobre cultura e entretenimento no Portal R7

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.