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Abelhas sem ferrão

terça-feira, 06 de janeiro de 2026
por Jornal A Voz da Serra

Opa! Tudo verde?

Bora pra mais uma prosa sustentável e o tema de hoje é “mais docinho”...

Começamos este novo ano olhando para algo pequeno em tamanho, mas gigantesco em importância: as abelhas sem ferrão. Na EcoModas, acreditamos que falar de futuro passa, necessariamente, por proteger a vida em todas as suas formas. Foi com esse entendimento que criamos o Meliponário Zumbido Verde, um espaço vivo de cuidado, aprendizado e regeneração ambiental, instalado em nossa sede no Alto do Teleférico, em Nova Friburgo.

Opa! Tudo verde?

Bora pra mais uma prosa sustentável e o tema de hoje é “mais docinho”...

Começamos este novo ano olhando para algo pequeno em tamanho, mas gigantesco em importância: as abelhas sem ferrão. Na EcoModas, acreditamos que falar de futuro passa, necessariamente, por proteger a vida em todas as suas formas. Foi com esse entendimento que criamos o Meliponário Zumbido Verde, um espaço vivo de cuidado, aprendizado e regeneração ambiental, instalado em nossa sede no Alto do Teleférico, em Nova Friburgo.

As abelhas sem ferrão fazem parte da história do Brasil muito antes da chegada dos colonizadores. Povos indígenas já conheciam, criavam e protegiam espécies como jataí, uruçu, mandaçaia e guaraipo, reconhecendo nelas não apenas produtoras de mel, mas guardiãs da floresta. O meliponicultivo indígena era — e continua sendo — uma prática profundamente conectada ao equilíbrio da natureza, à alimentação e à cultura.

Do ponto de vista ecológico, essas abelhas exercem um papel insubstituível. Elas são responsáveis pela polinização de grande parte da flora nativa, garantindo a regeneração das matas, a diversidade vegetal e a manutenção dos ecossistemas. Sem polinizadores, não há floresta em pé. Sem floresta, não há água, clima equilibrado ou produção de alimentos. É uma cadeia silenciosa, mas absolutamente vital.

Quando falamos em alimento humano, a importância das abelhas se torna ainda mais evidente. Estima-se que cerca de 70% dos alimentos que chegam à nossa mesa dependem, direta ou indiretamente, da polinização. Frutas, legumes, sementes e grãos só existem em abundância graças a esse trabalho invisível, diário e coletivo realizado pelas abelhas.

Foi a partir dessa consciência que implantamos o Zumbido Verde, não como um projeto isolado, mas como parte da nossa atuação integrada em sustentabilidade. O meliponário da EcoModas, que conta com a equipe técnica de um engenheiro florestal e uma bióloga, contribui diretamente para a polinização das matas do Morro do Teleférico, fortalecendo a vegetação local e ampliando a biodiversidade da região. É natureza cuidando da natureza — com o apoio humano certo.

A EcoModas tem se destacado justamente por essa imersão dentro e fora de seus muros institucionais. Não nos limitamos ao discurso ou à produção sustentável; colocamos a sustentabilidade em prática, no território, na comunidade e nas relações que construímos. O meliponário é um reflexo desse compromisso: educativo, ambiental e social.

Dentro do contexto turístico de Nova Friburgo, o Zumbido Verde também se tornou uma ferramenta poderosa de conscientização. Recebemos turistas de diferentes regiões que visitam nossa sede e participam de visitações guiadas ao meliponário, onde aprendem sobre a importância das abelhas sem ferrão, a relação com a floresta e os desafios ambientais atuais. É turismo com propósito, que informa, sensibiliza e transforma.

Hoje, cinco hotéis parceiros já indicam a sede da EcoModas como um atrativo turístico sustentável da cidade, fortalecendo uma rede que conecta meio ambiente, educação e economia local. Essa integração mostra que é possível pensar desenvolvimento sem abrir mão da preservação.

Começar o ano falando de abelhas sem ferrão é, para nós, mais do que simbólico. É um lembrete de que o futuro depende de escolhas feitas agora. De projetos que respeitam os ciclos naturais. De iniciativas que entendem que sustentabilidade não é tendência, é responsabilidade.

Seguimos acreditando que, assim como o zumbido discreto dessas abelhas mantém a floresta viva, pequenas ações consistentes podem sustentar um futuro mais equilibrado para todos nós.

Saudações sustentáveis! Tudo verde sempre!

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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Então, é Natal!

terça-feira, 23 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Opa! Tudo verde? Bora pra mais uma prosa sustentável e hoje com uma reflexão “natalina”.

Opa! Tudo verde? Bora pra mais uma prosa sustentável e hoje com uma reflexão “natalina”.

A frase “Então, é Natal. E o que você fez?”, eternizada em forma de canção, ressurge todos os anos como um convite à reflexão. Mais do que celebrar, o Natal nos provoca a olhar para dentro, rever escolhas e pensar no impacto que nossas atitudes têm no mundo. Em tempos de emergência climática, essa interrogação ganha ainda mais força — não apenas na Região Serrana do Rio de Janeiro, mas em todos os territórios do planeta, onde eventos extremos, escassez de recursos e desigualdades socioambientais revelam que nossas decisões locais têm consequências globais.

Nova Friburgo, cidade abraçada por montanhas, rios e áreas verdes, conhece profundamente tanto a beleza quanto a fragilidade do meio ambiente. Nos últimos anos, eventos extremos — como chuvas intensas, deslizamentos, aumento das temperaturas, períodos prolongados de estiagem seguidos por incêndios de grandes proporções e mudanças no regime climático — deixaram de ser episódios isolados e passaram a integrar o cotidiano. Esses fenômenos não transformam apenas a paisagem natural; impactam diretamente a vida das pessoas, a economia local, o turismo, a agricultura e a saúde da população, evidenciando a urgência de repensarmos nossa relação com o território e com a natureza.

Falar de sustentabilidade, portanto, não é um discurso distante ou abstrato. É falar de sobrevivência, qualidade de vida e responsabilidade coletiva. Sustentabilidade começa na rotina: na forma como consumimos, descartamos, nos locomovemos e nos relacionamos com o território onde vivemos. Cada escolha cotidiana carrega um impacto — positivo ou negativo — sobre o meio ambiente e sobre a sociedade.

O período natalino, tradicionalmente marcado por excessos, também pode ser ressignificado. É possível celebrar sem desperdiçar, presentear sem explorar e confraternizar sem ignorar os desafios do nosso tempo. O consumo consciente se apresenta como uma ferramenta poderosa de transformação social e ambiental. Escolher produtos duráveis, reduzir embalagens, evitar descartáveis e repensar compras por impulso são atitudes simples, mas extremamente eficazes.

Valorizar o comércio local de Nova Friburgo e da Região Serrana é outro gesto essencial. Ao optar por produtos feitos na cidade ou na região, o consumidor fortalece a economia local, gera renda, reduz emissões de carbono ligadas ao transporte de mercadorias e contribui para um desenvolvimento mais justo. O artesanato local, por exemplo, carrega identidade, história e afeto. São peças únicas, produzidas com cuidado, muitas vezes a partir do reaproveitamento de materiais, conectando tradição, criatividade e sustentabilidade.

Também é fundamental apoiar iniciativas, projetos e empresas que atuam alinhadas aos princípios da sustentabilidade e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Negócios que reutilizam resíduos, investem em economia circular, promovem impacto social e cuidam do meio ambiente demonstram que é possível crescer sem destruir. Em Nova Friburgo, já existem exemplos inspiradores de empreendimentos que transformam resíduos em novos produtos, educam para a sustentabilidade e envolvem a comunidade em ações de preservação ambiental.

Nesse contexto, o presente de Natal ganha um novo significado. Ele deixa de ser apenas um objeto e passa a ser um posicionamento. Presentear de forma consciente é dizer, mesmo sem palavras, que nos importamos com o futuro, com as pessoas, com as cidades e com o planeta. É transformar o ato de dar presentes em um gesto de responsabilidade e cuidado coletivo.

Que este Natal seja mais do que uma data no calendário. Que seja um momento de pausa, reflexão e mudança de rota. Porque cuidar do meio ambiente é, antes de tudo, cuidar das pessoas — das que vivem hoje em Nova Friburgo, na Região Serrana, no Brasil e nos mais diversos cantos do planeta, e também das que ainda virão. Pessoas que compartilham o mesmo ar, a mesma água e a mesma responsabilidade sobre o futuro comum. E talvez esse seja um dos maiores sentidos dessa interrogação que insiste em nos acompanhar todos os anos.

Saudações sustentáveis!

Que o Natal seja um tempo de consciência, cuidado e esperança, e que 2026 chegue trazendo novas oportunidades, escolhas mais responsáveis e muitas alegrias compartilhadas — entre as pessoas e com o planeta.

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(Ilustração: Divulgação Ecomodas)
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Ecodesign: Como mesas e cadeiras escolares ressignificadas transformam espaços e consciências

terça-feira, 09 de dezembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Opa, tudo verde? Bora para mais uma prosa sustentável.

Quando decidimos transformar a área externa da sede da EcoModas em um ambiente criativo e sustentável, queríamos que cada peça de mobiliário carregasse história, propósito e impacto positivo. Não imaginávamos, no entanto, que as mesas e cadeiras ressignificadas — vindas de uma escola que as descartaria — se tornariam símbolos tão fortes do nosso compromisso com o ecodesign e com a educação ambiental.

Opa, tudo verde? Bora para mais uma prosa sustentável.

Quando decidimos transformar a área externa da sede da EcoModas em um ambiente criativo e sustentável, queríamos que cada peça de mobiliário carregasse história, propósito e impacto positivo. Não imaginávamos, no entanto, que as mesas e cadeiras ressignificadas — vindas de uma escola que as descartaria — se tornariam símbolos tão fortes do nosso compromisso com o ecodesign e com a educação ambiental.

Hoje, essas peças não apenas integram o visual da nossa sede — que inclusive passou a fazer parte do roteiro turístico recomendado por seis hotéis da cidade — como também inspiram turistas, moradores, estudantes e grupos de diferentes regiões do Brasil e do mundo a repensarem o que chamam de “lixo”. Mais do que mobiliário, são ferramentas de reflexão e encantamento que fortalecem Nova Friburgo como referência em inovação sustentável, mostrando que é plenamente possível transformar resíduos em soluções funcionais, esteticamente marcantes e profundamente educativas.

Cada mesa e cada cadeira exposta na EcoModas prova que sustentabilidade pode — e deve — ser vivida de maneira prática, replicável e transformadora. Tanto é que diversas pessoas, escolas e empresas já demonstraram interesse em adquirir nossos mobiliários e contratar nossos serviços para levar esse modelo para suas cidades, tornando seus ambientes mais responsáveis, criativos e ambientalmente corretos.

 

O ecodesign como ferramenta de mudança

Desde o fim dos anos 1980, quando o ecodesign começou a ganhar força no mundo, seu objetivo sempre foi o mesmo: criar soluções que considerem todo o ciclo de vida de um produto, evitando desperdícios e reduzindo impactos ambientais.

Na sede da EcoModas no alto do Teleférico, esse conceito virou prática diária. Transformar o que já existe é, ao mesmo tempo, um ato de respeito ao meio ambiente e uma expressão de criatividade. E poucas peças representam isso tão bem quanto nossas mesas e cadeiras escolares reaproveitadas, que hoje despertam admiração em quem visita Nova Friburgo.

 

Mesas artesanais feitas com mangueiras de incêndio vencidas

As mesas de escolas que recebemos tinham estruturas de madeira quebradas — impossíveis de manter em uma área externa exposta ao sol e à chuva. Também já estavam condenadas ao descarte.

Optamos pela ressignificação. Substituímos todas as bases por mangueiras de incêndio vencidas, materiais que não poderiam mais ser usados em sua função original e que, em muitos casos, acabam descartados irregularmente.

O processo foi totalmente manual, coletivo e artesanal. Trançamos cada mesa cuidadosamente e o resultado é uma peça resistente, visualmente surpreendente e carregada de significado ambiental. Para conservar seu aspecto de novidade, aplicamos novas demãos de tinta — geralmente à base d’água — sempre que necessário.

 

Cadeiras escolares ressignificadas com bandas de pneus

As cadeiras também vieram de escolas e estavam destinadas ao lixo. Se fossem parar em aterros, além do volume de resíduos, causariam impactos significativos — especialmente por conter metais de lenta decomposição.

Para ressignificá-las, utilizamos bandas de pneus como novos assentos. Os pneus são um dos resíduos mais problemáticos do mundo: levam séculos para se decompor, podem acumular água, liberar substâncias tóxicas e favorecer proliferação de doenças. Convertê-los em assentos duráveis e atraentes é uma solução que une funcionalidade, proteção ambiental e estética.

 

Mais que mobiliário: uma experiência que educa, provoca e transforma

Quem visita a EcoModas logo percebe que nossas mesas e cadeiras ressignificadas vão muito além da função de mobiliar um espaço. Elas despertam curiosidade, provocam perguntas e estimulam diálogos profundos sobre consumo, descarte e responsabilidade ambiental. Em cima das mesas, deixamos disponíveis alguns tabuleiros de jogos de dama cujas peças do jogo são feitas com tampas plásticas de garrafas pet reutilizadas despertando momentos de interação entre as pessoas. Cada conjunto das nossas mesas e cadeiras mostra, de forma concreta, que sustentabilidade e design podem caminhar juntos, inspirando visitantes a imaginarem — e criarem — soluções semelhantes em suas próprias cidades, escolas ou empresas.

Esse impacto vai além das fronteiras de Nova Friburgo. Turistas de diversos estados e até de outros países frequentemente compartilham conosco que voltam para casa motivados a desenvolver seus próprios mobiliários, projetos de reaproveitamento ou iniciativas ambientais. Esse movimento reforça o papel da EcoModas como referência em inovação socioambiental e fortalece a imagem de Nova Friburgo como uma cidade que transforma resíduo em oportunidade e educação.

E essa inspiração não acontece apenas no campo das ideias — ela se materializa diretamente no meio ambiente. Conseguimos evitar que móveis inteiros fossem enviados ao lixo, prolongar a vida útil de materiais já existentes, dar destino consciente a mangueiras de incêndio e pneus e, consequentemente, reduzir emissões de CO₂. Cada peça exposta em nosso espaço conta uma história de impacto positivo, mostrando que escolhas criativas podem gerar benefícios reais para o planeta.

 

Criar e preservar, sempre juntos — e inspirando novas cidades

Ao olhar para essas mesas e cadeiras, posicionadas sobre um gramado feito com plástico reciclado, vemos muito mais que mobiliário: vemos escolhas conscientes, vidas transformadas, oportunidades de educação e inovação que surgem a partir de materiais antes tratados como lixo.

Nova Friburgo já colhe frutos desse movimento — e, cada vez mais, outras cidades percebem que podem seguir o mesmo caminho. Estamos prontos para auxiliar escolas, empresas, governos e organizações que desejam criar ambientes mais sustentáveis, replicar nossas soluções em seus territórios e promover experiências de impacto socioambiental.

Saudações sustentáveis! Tudo verde sempre!

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(Foto: Divulgação Ecomodas)
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Bombas de sementes: uma iniciativa que lança vida e consciência

terça-feira, 25 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Opa! Tudo verde?

Bora pra mais uma Prosa Sustentável!

Desde 2018, quando começamos a desenvolver o projeto Bombas de Sementes na EcoModas, percebo como pequenos gestos podem gerar transformações profundas — tanto na natureza quanto no coração das pessoas. A iniciativa nasceu do nosso desejo de unir regeneração ambiental, educação ecológica e participação ativa da comunidade friburguense.

Opa! Tudo verde?

Bora pra mais uma Prosa Sustentável!

Desde 2018, quando começamos a desenvolver o projeto Bombas de Sementes na EcoModas, percebo como pequenos gestos podem gerar transformações profundas — tanto na natureza quanto no coração das pessoas. A iniciativa nasceu do nosso desejo de unir regeneração ambiental, educação ecológica e participação ativa da comunidade friburguense.

As bombas de sementes — pequenas esferas feitas com barro, composto orgânico e sementes de espécies nativas — seguem uma técnica ancestral, resgatada e difundida pelo agricultor japonês Masanobu Fukuoka, precursor da agricultura natural. Ele defendia que a natureza sabe o momento certo de germinar; nosso papel é apenas facilitar esse encontro entre a semente e o solo. Essa filosofia está na essência do nosso projeto.

De lá para cá, já lançamos e distribuímos mais de 15 mil bombas de sementes — e esse número segue crescendo dia após dia. Carregamos dentro de nós um desejo constante de ampliar esse movimento ecológico em Nova Friburgo, cidade onde nascemos em 2010 e onde seguimos plantando transformação.

 

A força de um gesto simples

Hoje, nossas bombas de sementes conquistam tanto moradores quanto turistas que visitam nossa pequena loja de produtos sustentáveis, no teleférico. Muitas são distribuídas como brindes; outras são adquiridas por quem deseja contribuir com a sustentabilidade financeira do projeto. Em ambos os casos, cada pessoa passa a participar de um ato simbólico e, ao mesmo tempo, profundamente prático: lançar vida ao solo enquanto passeia de cadeirinha no teleférico ou trafega pela serra que liga Nova Friburgo a Cachoeiras de Macacu.

 

Ações que criam raízes

Ao longo desses anos, vivi experiências marcantes relacionadas às bombas de sementes. Uma delas foi um evento que realizamos no Encontro dos Rios, quando desci de rafting com um grupo guiado pela equipe da Lumiar Aventura. Em alguns pontos da descida, fizemos pequenas paradas para lançar bombas de sementes nas margens do rio. A alegria e o envolvimento das pessoas naquele momento foram emocionantes.

Também idealizamos e realizamos ações junto à concessionária Rota 116, distribuindo milhares de bombas de sementes nas praças de pedágio. Motoristas que nunca haviam ouvido falar sobre regeneração ambiental saíam de lá com uma semente — literal e metaforicamente — para plantar. Muitas dessas bombas foram lançadas às margens da rodovia na serra fluminense, incentivando milhares de pessoas a cuidar do meio ambiente com as próprias mãos.

E não posso deixar de mencionar as atividades no Morro do Teleférico, onde estivemos inúmeras vezes — antes mesmo de nos instalarmos ali. Buscamos alcançar áreas de difícil acesso para promover o enriquecimento florestal e transformar esse esforço numa oportunidade de engajamento, permitindo que as pessoas vivam experiências marcantes e inspiradoras.

 

Turismo regenerativo: quando visitar também significa cuidar

Muito se fala em turismo sustentável, mas o mundo começa a dar um passo além: o turismo regenerativo. Mais do que reduzir impactos, esse modelo propõe que cada visitante deixe o destino melhor do que encontrou — seja por meio de ações ambientais, culturais ou sociais. É uma forma de turismo que não apenas preserva: regenera, fortalece ecossistemas e cria vínculos profundos entre pessoas e território.

Nesse sentido, temos contribuído diretamente para esse movimento. Embora hoje sejamos lembrados pela loja no Teleférico — onde oferecemos moda sustentável, acessórios ecológicos, artesanatos e produtos artesanais de empreendedores locais — nosso papel vai muito além da experiência de compra. Somos um ponto de educação ambiental de sensibilização e de conexão viva com a Mata Atlântica.

A iniciativa das bombas de sementes, coordenada pela bióloga Adriana Santos, é prova disso. Quando um visitante recebe ou adquire uma bomba e a lança da cadeirinha ou durante a viagem pela serra, ele faz parte de um ato regenerador, tornando a própria visita uma ação de cuidado com a natureza. Com isso, ajudamos Nova Friburgo a consolidar-se como um destino turístico moderno, responsável e inspirador. As bombas de sementes transformam o passeio em um ato de participação ecológica e fortalecem a imagem da cidade como referência em sustentabilidade.

O nosso trabalho no alto do teleférico é uma verdadeira vitrine da sustentabilidade friburguense — e, ao mesmo tempo, um laboratório vivo de aprendizado e educação ambiental que inspira pessoas de diversas partes do Brasil e do mundo. Ali, ao lado de nossos clientes e visitantes, nasce a ideia, nasce a conversa, nasce o despertar. Porque quem passa por ali não leva apenas um produto: leva um propósito.

Enquanto houver mãos dispostas a semear, seguiremos transformando a cidade em um território de vida regenerada e esperança plantada.

Saudações sustentáveis! Tudo verde sempre!

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(Foto: Divulgação)
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No teleférico, a transformação de garrafas descartadas em impacto social, ambiental e turístico

terça-feira, 11 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Opa! Tudo verde?

Bora pra mais uma prosa sustentável!

Quando nos instalamos no alto do teleférico de Nova Friburgo, algo nos inquietava: a quantidade de garrafas plásticas de água mineral descartadas irregularmente nas matas da encosta. Não era apenas um incômodo visual. Era um alerta ambiental e também um risco ao turismo — uma das principais vocações econômica da nossa cidade.

Opa! Tudo verde?

Bora pra mais uma prosa sustentável!

Quando nos instalamos no alto do teleférico de Nova Friburgo, algo nos inquietava: a quantidade de garrafas plásticas de água mineral descartadas irregularmente nas matas da encosta. Não era apenas um incômodo visual. Era um alerta ambiental e também um risco ao turismo — uma das principais vocações econômica da nossa cidade.

Ali, percebi que não bastava ocupar aquele espaço com uma loja de moda e produtos sustentáveis. Precisávamos fazer parte da solução. Foi assim que nasceu a ideia do nosso primeiro coletor de PET, instalado no primeiro estágio do teleférico, bem próximo da EcoModas.

O lixo que virou oportunidade

Hoje, esse coletor recebe em média 500 garrafas por mês, cerca de seis mil unidades por ano. Pode parecer pouco diante dos desafios do plástico no Brasil — onde cada pessoa gera, em média, 64 quilos de resíduos plásticos por ano — mas para o ecossistema local, a diferença é enorme.

A iniciativa, alinhada ao turismo sustentável, desviou essas garrafas do aterro sanitário e das trilhas do morro do teleférico. O impacto é triplo: ambiental, por evitar poluição; social, por envolver os visitantes nos cuidados com o território; e econômico, ao valorizar a cadeia da reciclagem.

O recolhimento das garrafas é feito através de um prestador de serviços que é um pequeno empreendedor da nossa região, que gera renda com a venda de PET para a indústria de reciclagem. É com ele, inclusive, que também compramos caixas de papelão reutilizadas para embarcar nossos produtos até o endereço dos clientes corporativos. Na prática: o que era lixo se tornou trabalho, renda e economia circular local.

O impacto em números

Para medir nosso avanço, adotamos uma referência operacional:

  • 1 garrafa PET (500 ml): 12 g
  • 6.000 garrafas = 72 kg de PET (0,072 tonelada)
  • Cada 1 kg de PET produzido emite cerca de 2,5 kg de CO₂e

Isso significa que, só no primeiro ano do coletor, evitamos aproximadamente 180 quilos de CO₂e na atmosfera. Para ficar mais claro: é como tirar um carro a gasolina circulando por 1.500 quilômetros das ruas.

Mais que reciclagem, consciência turística

No entanto, o resultado mais transformador não cabe em gráficos, está no comportamento das pessoas. Quando um turista segura sua garrafa, olha para o coletor e a descarta corretamente, ali acontece uma virada silenciosa. Ele entende que faz parte da preservação do destino que está visitando. E isso é poderoso!

Somos uma cidade turística. E o turismo é sensível, ou seja, lixo visível afasta visitantes, mancha a reputação do destino, reduz tempo de permanência e impacta diretamente quem vive dessa cadeia — do artesão ao hoteleiro, do guia ao comerciante. Por outro lado, quando o turista percebe cuidado, pertencimento e responsabilidade, ele respeita, consome, volta e recomenda.

Uma sala de aula a céu aberto

Aproveitamos o fluxo de visitantes do teleférico para ir além da coleta: fazemos educação ambiental de maneira envolvente. Recebemos escolas, famílias e viajantes, e temos cinco hotéis da cidade que indicam a sede da EcoModas como um mais um atrativo turístico de experiências. Aqui, apresentamos alternativas ecológicas para alguns tipos de resíduos, mostrando a economia circular acontecendo ao vivo — de forma prática e inspiradora. Provamos que impacto positivo não precisa ficar nas páginas dos livros, pode ser vivido na montanha, em cada visita e em cada passeio consciente. Eu sempre digo que não estamos recolhendo garrafas, estamos semeando conceitos e transformando descarte em oportunidades de transformação de mentalidades.

Para onde vamos agora

Nosso próximo passo é expandir a iniciativa, instalando dez coletores em pontos estratégicos da cidade. Cada coletor tem um custo médio de R$ 700 para fabricação e instalação, além das etapas de autorização junto ao poder público municipal que, inclusive, poderia estimular esta ação oferecendo incentivos — por exemplo, abatimento no alvará ou em tributos municipais — que nos permitiria converter esse valor em ações socioambientais imediatas. Todos ganhariam: a cidade fica mais limpa, a economia gira com a cadeia da reciclagem, mais pessoas são beneficiadas e Nova Friburgo se posiciona como um destino de turismo sustentável e inovador no Brasil.

E, como diz um velho ditado popular, sonhar não custa nada. A diferença é que, neste caso, o sonho já começou a acontecer pelas nossas próprias ações — e pode crescer muito mais com os parceiros certos.

O que realmente estamos construindo

No fim, o coletor é só o começo. O que estamos construindo é uma equação.

✅ O turista, que desfruta de um lugar mais cuidado;
✅ A natureza, que respira com menos lixo;
✅ O trabalhador local, que gera renda;
✅ A cidade, que fortalece sua imagem e sua economia;
✅ E o futuro, que recebe um pouco mais do nosso compromisso do que da nossa culpa.

Na EcoModas, no alto do teleférico, aprendemos que sustentabilidade não é sobre perfeição. É sobre decisão. E a nossa, todos os dias, é estar do lado certo da mudança.

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Meu jornal agora chega sem plástico. Um gesto simples e prático de cuidar do planeta

terça-feira, 28 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

“Quando escolhemos agir com consciência, deixamos de ser espectadores e passamos a ser parte da solução”

Opa! Tudo verde?

Bora para mais uma prosa sustentável!

“Quando escolhemos agir com consciência, deixamos de ser espectadores e passamos a ser parte da solução”

Opa! Tudo verde?

Bora para mais uma prosa sustentável!

Todas as manhãs, ao chegar à EcoModas, no alto do teleférico, vivo um pequeno ritual que já se tornou parte da minha rotina: receber o exemplar de A VOZ DA SERRA. Esse momento vai muito além da simples leitura das notícias. É quando me desconecto das telas digitais, das inteligências artificiais e do ritmo corporativo para me reconectar com a cidade, com suas histórias e com o cotidiano que ajuda a moldar o nosso jeito friburguense de viver.

Curiosamente, o exemplar costuma chegar até minhas mãos de uma forma única: pela cadeira do teleférico, com o apoio gentil da equipe que trabalha ali. Podemos dizer que, além de poético, esse meio de entrega também representa uma alternativa mais sustentável de logística. Recentemente, ao observar esse hábito tão presente na minha rotina, percebi uma oportunidade de alinhar ainda mais o meu trabalho ao propósito que norteia tudo o que fazemos na EcoModas: repensar o impacto das nossas ações e buscar alternativas mais sustentáveis.

O jornal, por questão de proteção contra chuva e umidade, é entregue tradicionalmente embalado em sacolas plásticas. E foi justamente ao notar esse detalhe que surgiu uma ideia simples, mas cheia de significado: por que não substituir essa embalagem por uma alternativa reutilizável e ecológica?

Foi assim que eu e minha esposa, Adriana Santos, desenvolvemos uma embalagem feita a partir de banners publicitários reaproveitados. O material, que antes seria descartado, ganhou uma nova função: proteger o jornal, sem gerar resíduos plásticos. É um tipo de material que já trabalhamos desenvolvendo brindes sustentáveis para outras empresas.

Essas bolsas agora são utilizadas na entrega do jornal na EcoModas e, periodicamente, retornam para A VOZ DA SERRA, que as reutiliza em novas entregas. Dessa forma, criamos um ciclo sustentável e contínuo, envolvendo também quem embala e quem entrega o jornal — todos participando, juntos, de uma ação que une consciência e colaboração.

 

Números que mostram que o gesto vale a pena

Cada saco plástico usado para proteger um jornal pesa cerca de dois gramas. Considerando que o jornal é entregue seis dias por semana, são 312 sacos por ano — o que equivale a aproximadamente 624 gramas de plástico apenas na minha assinatura. Pode parecer pouco, mas ao longo do tempo o impacto é significativo. Somente com essa mudança, deixamos de colocar em circulação cerca de 0,62 kg de plástico por ano apenas na EcoModas. Se outros 100 assinantes, por exemplo, adotassem a mesma prática, isso representaria mais de 62 kg de plástico a menos no meio ambiente por ano.

Segundo estudos de Análise de Ciclo de Vida (LCA) — como os compilados pelo Carbon Trust (Reino Unido, 2022) e pela European Environment Agency (EEA) — a produção de plásticos convencionais, como o polietileno usado em sacolas, gera entre 1,8 e seis quilos de CO₂ equivalente (CO₂e) por quilo produzido. Com a eliminação de aproximadamente 624 gramas de plástico por ano através desta iniciativa, conseguimos evitar entre 1,1 e 3,7 kg de CO₂e anualmente.

 

Reutilizando o que antes viraria “resíduo de comunicação”

Além de eliminar o uso de plástico, a ação também ajudou a desviar dos aterros uma área total de 11,2 m² de banners publicitários, sendo reaproveitados na confecção das bolsas retornáveis. A iniciativa evitou o descarte de aproximadamente 15 kg de resíduos plásticos vinílicos, gerando um impacto positivo duplo: redução de lixo e extensão do ciclo de vida do material.

 

O problema do plástico no mundo e no Brasil

O PNUMA estima que mais de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas todos os anos no planeta, e menos de 10% desse volume é efetivamente reciclado. Grande parte acaba em aterros, rios e oceanos, fragmentando-se em microplásticos que hoje já foram detectados na água, no ar e até no sangue humano. No Brasil, segundo o IBGE (2022) e a WWF-Brasil, são geradas mais de três milhões de toneladas de resíduos plásticos mal geridos por ano, sendo a maior parte composta por embalagens de uso único.

 

Semana Lixo Zero

Essa ação foi pensada para ser lançada durante a Semana Lixo Zero, entre 18 a 31 de outubro, um movimento nacional no qual participo como embaixador e que convida pessoas, empresas e comunidades a repensarem hábitos de consumo e reduzirem a geração de resíduos. A ideia inicial era realizar a ação apenas nesse período, como uma forma simbólica de participar da campanha.

No entanto, após alguns testes realizados previamente, percebemos que a proposta era totalmente viável, prática e funcional. Com o apoio e a aprovação da equipe do jornal A Voz da Serra, decidimos então manter a iniciativa ao longo de todo o ano, transformando o que seria uma ação pontual em uma prática permanente.

O resultado foi exatamente o que imaginávamos: uma experiência positiva, simples e inspiradora — que reforça o espírito da Semana Lixo Zero e os princípios dos “5 Rs” que direcionam a EcoModas: repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar.

“Começamos com a ideia de realizar uma ação pontual, mas percebemos que dar continuidade era o caminho natural. Quando uma iniciativa funciona e gera impacto positivo, ela deixa de ser apenas um projeto e passa a ser um compromisso”, afirma Adriana Santos, responsável pela confecção das bolsas ecológicas produzidas com banners reaproveitados.

 

Sustentabilidade começa onde estamos

O mais inspirador dessa experiência é perceber como ela envolve diferentes pessoas em torno de um mesmo propósito. O embalador, o entregador do jornal, os trabalhadores do teleférico, além da equipe EcoModas que passaram a participar de uma ação ambiental concreta, reafirmando no dia a dia aquilo que acreditamos e defendemos: que a sustentabilidade é construída nas pequenas decisões cotidianas.

A cada entrega, o jornal chega protegido, sem plástico, e com ele vem também uma mensagem: é possível fazer diferente. E talvez, ao conhecer essa história, outros leitores e empresas também se sintam convidados a repensar suas rotinas e a dar seus próprios passos rumo a um futuro mais consciente. Porque a sustentabilidade, assim como a boa notícia, se espalha quando é compartilhada.

Saudações sustentáveis!

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Reflorestando a Mata Atlântica com cones de linha em Nova Friburgo

terça-feira, 14 de outubro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Olá! Tudo verde?

Bora pra mais uma prosa sustentável!

Olá! Tudo verde?

Bora pra mais uma prosa sustentável!

Em 2010, ao lado da minha esposa, fundei a empresa que hoje leva o nome de EcoModas — já com o propósito claro de aproximar dois universos que, à primeira vista, pareciam distantes: a moda e a restauração ambiental. Em Nova Friburgo, um dos maiores polos de confecção de lingerie do Brasil, nasceu uma ideia inédita e transformadora: reaproveitar cones plásticos vazios de linhas de costura industrial — que antes teriam o lixo como destino — para cultivar mudas de espécies nativas da Mata Atlântica. Desde então, ajudamos a plantar um pouco mais de 35 mil árvores em ações próprias e compartilhadas com outras iniciativas da região, e evitamos que cerca de 1,5 tonelada de plástico dos cones fosse parar em aterros sanitários.

 

Superando o ceticismo com trabalho enraizado

No começo, muita gente duvidava do nosso propósito. Ouvíamos com frequência frases como: "Plantar árvore aqui em Friburgo? Já tem verde demais!" Para alguns, nosso trabalho parecia inútil. Para outros, era apenas uma “jogada” de marketing.

Mas sabíamos que não era. Porque, apesar da vegetação abundante ao redor da cidade, a Mata Atlântica é um dos biomas mais desmatados e ameaçados do mundo, com menos de 12% de sua cobertura original. Plantar árvores nativas aqui não é excesso — é necessidade.

Outro desafio foi técnico. No início, por desconhecimento, cultivávamos mudas de abacate aproveitando alguns caroços das frutas que comíamos. Só depois entendemos que, para fazer sentido ecológico, precisávamos priorizar espécies nativas. Contamos com a generosa ajuda de dois amigos aqui de Friburgo — Marcos Cunha e Bruno Ferrari — que na época produziam nativas em grande escala e nos ajudaram a dar os primeiros passos certos nessa trilha. Com o tempo, também encontramos apoio de instituições nacionais, o que nos deu força, base e conexões para evoluir.

 

Palmeira-juçara: nosso foco atual e uma missão de conservação

Atualmente, nossas atenções estão voltadas para uma espécie emblemática da Mata Atlântica: a palmeira-juçara (Euterpe edulis). Essa palmeira é fundamental para o equilíbrio do bioma. Seus frutos servem de alimento para mais de 60 espécies de aves e mamíferos, sendo uma das maiores fontes de alimento na floresta durante a época de frutificação. Mas, apesar da sua importância ecológica, a juçara enfrenta sérias ameaças.

Durante décadas, ela foi explorada de forma predatória para a extração do seu palmito — um processo que mata a planta, já que ela tem apenas um estipe (caule). Hoje, a espécie sofre ameaças de extinção, e o cultivo de mudas para fins de reflorestamento e conservação se tornou urgente.

 

Viveiro Educandário: onde floresta, moda e conhecimento se encontram

Todo esse trabalho com produção de mudas acontece em um espaço que resume bem o que é a EcoModas hoje: nosso viveiro florestal, localizado em anexo da nossa sede, no alto do teleférico. Ali também está a nossa loja física, onde oferecemos nossos próprios produtos, como roupas e acessórios sustentáveis, e onde reunimos itens de 15 produtores locais, fortalecendo a economia artesanal da cidade.

O Viveiro Educandário, mais do que um espaço de cultivo, transformou-se em um verdadeiro laboratório de aprendizado e experiências vivas. Atendemos grupos escolares, equipes de empresas e, cada vez mais, turistas — muitos deles indicados por hotéis parceiros que reconhecem o valor socioambiental do trabalho que realizamos em Nova Friburgo. É um lugar onde as pessoas não apenas conhecem o processo de regeneração ambiental, mas se conectam com ele de forma prática, sensorial e transformadora. Essas visitas são momentos de troca, onde mostramos como resíduos da indústria da moda podem gerar florestas, como a biodiversidade se beneficia das nossas ações e como cada pessoa pode fazer parte da regeneração ambiental.

 

De Nova Friburgo para o mundo: um novo jeito de fazer moda

O que começou com lixo têxtil se tornou um modelo inspirador de economia circular, educação ambiental e empreendedorismo de impacto. Nosso trabalho está alinhado com diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, entre eles:

  • ODS 12 – Consumo e Produção Responsáveis: ao transformar resíduos têxteis em insumos para o cultivo
  • ODS 13 – Ação Contra a Mudança do Clima: ao sequestrar carbono com o plantio de árvores
  • ODS 15 – Vida Terrestre: ao proteger espécies ameaçadas como a palmeira-juçara e recuperar ecossistemas
  • ODS 17 – Parcerias e Meios de Implementação: conectando moda, turismo, educação e reflorestamento

                               

Plantamos o que acreditamos

Mais do que um negócio, a EcoModas é um propósito em constante aperfeiçoamento e crescimento. Plantamos árvores, sim. Mas também plantamos futuro, relações, aprendizado e transformação. Acreditamos que a moda pode ser mais do que tendência — pode ser ferramenta de cura, de reconexão e de regeneração.

E seguimos, cone por cone, muda por muda, semeando um novo jeito de viver e de vestir o mundo.

Saudações sustentáveis! Tudo verde sempre!

Foto da galeria
(Foto: Divulgação)
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A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.

Primavera, beija-flor e o estado da sustentabilidade no Brasil

terça-feira, 30 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Opa! Tudo verde?
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Com a chegada da primavera, renova-se a promessa de flores, cores e vida — mas também reacendem os dilemas ambientais que exigem urgência. O beija-flor, pequeno pássaro de asas rápidas e metabolismo intenso, é um dos mais sensíveis indicadores de qualidade ambiental: sua sobrevivência depende diretamente da disponibilidade de flores, néctar não poluído e habitat preservado.

Quantos beija-flores existem?

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Com a chegada da primavera, renova-se a promessa de flores, cores e vida — mas também reacendem os dilemas ambientais que exigem urgência. O beija-flor, pequeno pássaro de asas rápidas e metabolismo intenso, é um dos mais sensíveis indicadores de qualidade ambiental: sua sobrevivência depende diretamente da disponibilidade de flores, néctar não poluído e habitat preservado.

Quantos beija-flores existem?

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), existem cerca de 360 espécies de beija-flores no mundo. O Brasil abriga aproximadamente 87 dessas espécies, sendo considerado o país com a maior diversidade de beija-flores do planeta. Eles estão distribuídos em diferentes biomas, do cerrado à Amazônia, e são fundamentais para a polinização de milhares de plantas.

Características fascinantes

  • São as únicas aves capazes de voar para trás.
  • Batem as asas em média 80 vezes por segundo, o que explica seu voo quase estático.
  • Possuem o metabolismo mais rápido entre as aves, com frequência cardíaca que pode ultrapassar 1.200 batimentos por minuto.
  • Alimentam-se basicamente de néctar e pequenos insetos para garantir proteínas.
  • Pesam em torno de três a seis gramas e medem entre seis e 20 centímetros, dependendo da espécie.

Venenos urbanos que ameaçam o beija-flor

Nas cidades, alguns inimigos silenciosos podem ser fatais:

  • Inseticidas e pesticidas usados em jardins e plantações.
  • Herbicidas que reduzem a diversidade de flores disponíveis.
  • Produtos de limpeza tóxicos descartados incorretamente no solo ou na água.
  • Até o açúcar refinado em excesso pode ser prejudicial se oferecido de forma inadequada em bebedouros.

Beija-flor, um símbolo espiritual

Além da biologia, o beija-flor carrega uma forte carga simbólica em diversas culturas. Para povos indígenas das Américas, ele representa leveza, alegria e resistência. Nas tradições espirituais, o beija-flor é visto como mensageiro da esperança e do amor, lembrando-nos de encontrar beleza nos pequenos instantes da vida. Sua capacidade de visitar centenas de flores diariamente é interpretada como um convite à resiliência e à busca de energia positiva.

Polinizadores em risco, produção em jogo

Um estudo da Escola Politécnica da USP, publicado em 2023, mostrou que quase 90% dos 4.975 municípios brasileiros poderão enfrentar significativa perda de espécies polinizadoras nos próximos 30 anos em razão das mudanças climáticas. Atualmente, cerca de 60% das culturas agrícolas do país dependem de polinizadores em maior ou menor grau.

Em 2018, relatório elaborado pela Embrapa, pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) e pela Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (Rebipp) estimou que os serviços de polinização prestados por animais — sobretudo abelhas, mas também aves como os beija-flores — representavam aproximadamente R$ 43 bilhões anuais para a agricultura brasileira.

O que a primavera pode nos ensinar — e o que fazer

A primavera oferece um espelho: se a natureza floresce com sol, chuva, flores e ar puro, também revela sua fragilidade quando esses elementos faltam. O beija-flor, que visita flor por flor, é o mensageiro do que está em risco.

Algumas ações concretas que podem ser cultivadas por cidadãos e gestores:

  1. Proteção de habitats naturais e corredores verdes — garantir diversidade de plantas nativas em jardins, parques e reflorestamentos.
  2. Políticas públicas voltadas à preservação de polinizadores — restrição ao uso de agrotóxicos nocivos e fomento à agroecologia.
  3. Investimento em ciência e monitoramento — ampliar inventários da biodiversidade e incentivar projetos de ciência cidadã.

Assim como a primavera colore o mundo de esperança, cabe a nós florescer novos hábitos. O beija-flor nos lembra que cada gesto conta, por menor que pareça, para manter o equilíbrio da vida.

Saudações sustentáveis!

Tudo verde sempre!

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(Foto: UNSPLASH)
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Resíduos têxteis: um desafio crescente e as soluções possíveis

terça-feira, 16 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

 

Opa! Tudo verde?

Boras pra mais uma Prosa Sustentável!

O setor da moda é um dos mais dinâmicos do mundo, mas também um dos que mais geram impactos ambientais. De acordo com um relatório da Ellen MacArthur Foundation (2017), o equivalente a um caminhão de lixo de resíduos têxteis é aterrado ou incinerado a cada segundo no planeta. Estima-se que a produção global de roupas tenha dobrado entre 2000 e 2015, enquanto o tempo médio de uso de uma peça caiu em mais de 30%.

 

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O setor da moda é um dos mais dinâmicos do mundo, mas também um dos que mais geram impactos ambientais. De acordo com um relatório da Ellen MacArthur Foundation (2017), o equivalente a um caminhão de lixo de resíduos têxteis é aterrado ou incinerado a cada segundo no planeta. Estima-se que a produção global de roupas tenha dobrado entre 2000 e 2015, enquanto o tempo médio de uso de uma peça caiu em mais de 30%.

No Brasil, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) aponta que o país descarta cerca de 170 mil toneladas de resíduos têxteis por ano, grande parte sem destinação adequada. Esse descarte ocorre em costureiras, facções, indústrias e até mesmo no pós-consumo, quando roupas usadas são jogadas no lixo comum.

Além do impacto direto no acúmulo de resíduos sólidos, a moda também é uma das indústrias que mais consome recursos naturais. A produção de uma única calça jeans pode demandar cerca de 5 mil litros de água, segundo estudo da Water Footprint Network, além do uso de pesticidas no cultivo do algodão e produtos químicos em processos de tingimento e acabamento.

O problema vai além do lixo

Quando esses tecidos chegam aos lixões ou aterros, a decomposição dos materiais sintéticos, como poliéster e nylon, pode levar séculos. Além disso, liberam microplásticos que contaminam solos e oceanos, entrando na cadeia alimentar.

Alternativas em curso

Diante desse cenário, empresas e organizações têm buscado soluções inovadoras. A economia circular no setor têxtil já apresenta modelos como a reciclagem mecânica de fibras, a reutilização criativa (upcycling) e projetos de logística reversa para estimular o retorno das roupas usadas.

No Brasil, um exemplo é a EcoModas Soluções Sustentáveis, empresa sediada em Nova Friburgo (RJ), que há 15 anos atua transformando resíduos têxteis em produtos sustentáveis. A iniciativa já reaproveitou milhares de peças, incluindo uniformes empresariais em desuso, convertendo-os em bolsas, mochilas, estojos e outros.

Voz da transformação

Para Adriana Santos, fundadora da EcoModas, o resíduo têxtil precisa ser entendido como um recurso, não como um problema:

“Cada pedaço de tecido que é descartado carrega junto energia, água e trabalho humano. Quando reutilizamos e transformamos esse material em brindes sustentáveis corporativos, estamos preservando recursos naturais e mostrando que é possível unir moda, responsabilidade social e cuidado ambiental. A moda precisa deixar de ser descartável e passar a ser regenerativa.”

Polo de moda íntima de Nova Friburgo

Em meio a esse cenário, Nova Friburgo se destaca como um dos maiores polos de moda íntima do país, oficialmente reconhecida como Capital Nacional da Moda Íntima pela Lei nº 14.883/2024, sancionada em junho de 2024 (segundo publicação do Jornal O Dia, 2024).

De acordo com informações disponibilizadas pela Prefeitura de Nova Friburgo (2024), o município responde por cerca de 25% da produção nacional, fabricando aproximadamente 114 milhões de peças por ano nos segmentos de lingerie, praia, fitness e roupas de dormir, e gerando em torno de 28 mil postos de trabalho diretos e indiretos.

Grande parte dessa produção utiliza poliéster e poliamida, fibras sintéticas amplamente escolhidas pela elasticidade, secagem rápida, durabilidade e brilho. Mas essas mesmas características trazem sérios desafios ambientais: os sintéticos são derivados do petróleo, liberam microplásticos a cada lavagem e podem levar séculos para se decompor quando descartados inadequadamente.

O papel do consumidor

Embora as soluções industriais e empreendedoras sejam fundamentais, o papel do consumidor é decisivo. Prolongar o ciclo de vida das roupas, optar por peças de maior qualidade, apoiar marcas responsáveis e destinar corretamente peças em desuso são atitudes que contribuem para reduzir a pressão sobre o planeta.

O futuro da moda sustentável

Segundo a ONU, a indústria da moda é responsável por cerca de 10% das emissões globais de gases de efeito estufa. A tendência, portanto, é que cada vez mais empresas sejam cobradas a apresentar práticas sustentáveis, seja por legislações, seja por consumidores mais conscientes.

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(Foto: Pixabay)
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Turismo de experiência ganha espaço e impulsiona economia

terça-feira, 02 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra

Nova Friburgo se destaca com experiências sustentáveis que unem aprendizado, cultura e preservação ambiental

Nova Friburgo se destaca com experiências sustentáveis que unem aprendizado, cultura e preservação ambiental

O turismo de experiência, conceito que vem conquistando cada vez mais adeptos no Brasil e no mundo, vai além da visita a pontos turísticos. Ele permite que o viajante viva momentos significativos, aprenda algo novo, interaja com a cultura local e contribua positivamente para o destino visitado. Surgiu na década de 1990 em países europeus e nos Estados Unidos, o conceito se popularizou com experiências personalizadas, como aulas de culinária, visitas a produtores locais e imersões culturais. No Brasil, se consolidou nos anos 2000, especialmente em destinos que unem natureza, gastronomia e patrimônio cultural.

O turismo de experiência atrai famílias, grupos de amigos, estudantes, universitários e profissionais em busca de vivências diferenciadas e transformadoras. Entre os destinos brasileiros referência no setor estão Gramado (RS) e Bonito (MS), onde o turista participa de oficinas, trilhas guiadas, experiências gastronômicas e atividades de preservação ambiental.

Dados do Sebrae apontam crescimento médio de 30% ao ano nesse tipo de turismo no país, refletindo a demanda por experiências autênticas e educativas. Especialistas estimam que o setor continue em expansão nos próximos anos, principalmente em áreas que valorizam a sustentabilidade e a educação ambiental.

 

Cuidados na oferta de experiências

Para garantir qualidade e segurança, operadores e espaços turísticos devem investir em:

  • Planejamento e capacitação: equipes treinadas e roteiros estruturados;
  • Segurança e infraestrutura: equipamentos adequados, sinalização e acessibilidade;
  • Autenticidade e ética: respeito à cultura local e ao meio ambiente;
  • Sustentabilidade financeira: preços compatíveis com o público e custos do serviço.

 

Oportunidades do mercado

O setor oferece múltiplas oportunidades:

  • Turismo educativo: programas para escolas e universidades;
  • Turismo sustentável: experiências ligadas à preservação ambiental e economia circular;
  • Turismo corporativo: workshops e vivências para empresas engajadas em ESG;
  • Parcerias com hotéis e pousadas: criação de pacotes diferenciados e atrativos exclusivos.

 

O exemplo de Nova Friburgo

Em Nova Friburgo, o turismo de experiência sustentável vem se fortalecendo com ações da empresa EcoModas, localizada no Alto do Teleférico. O espaço oferece atividades que combinam educação ambiental, economia circular, inovação e sustentabilidade prática.

Segundo Adriana Santos, da empresa, "o objetivo da iniciativa é levar os visitantes a uma imersão completa em práticas sustentáveis, mostrando como pequenas atitudes podem gerar grandes impactos positivos ambientais e sociais. Recebemos grupos de estudantes, turistas e empresas, que vivenciam desde oficinas de reaproveitamento de resíduos, visita ao viveiro florestal e meliponário com abelhas sem ferrão até o plantio de mudas e sementes. Além disso, quatro hotéis da cidade indicam a empresa como atrativo diferenciado para seus hóspedes. Essa parceria não apenas enriquece a experiência do turista, mas também fortalece a economia local, aumenta a visibilidade da cidade e valoriza os hotéis que promovem turismo consciente", explica

 

Em Vargem Alta

Na localidade rural de Vargem Alta, no distrito friburguense de São Pedro da Serra, o turismo de experiência se destaca com visitas guiadas às estufas de flores, onde os visitantes podem acompanhar todo o processo de cultivo e, em alguns casos, aprender na prática técnicas de agricultura local. Essa interação permite que turistas e estudantes compreendam melhor a cadeia produtiva, transformando a visita em uma experiência educativa, sensorial e conectada à cultura agrícola local.

 

EcoCaminhos e o turismo de agrofloresta

O projeto EcoCaminhos, também em Nova Friburgo, atua diretamente com turistas estrangeiros, oferecendo vivências em agroflorestas produtivas. Os visitantes aprendem técnicas de cultivo integradas à preservação ambiental, convivem com a biodiversidade local e participam de atividades práticas de manejo, colheita e replantio. Essa abordagem promove educação ambiental e aproxima os turistas de práticas inovadoras de agricultura regenerativa.

 

Estufas de morango: colher para levar

Outra experiência oferecida na cidade são as estufas de morango, onde os visitantes podem colher seus próprios frutos e levá-los para casa. Essa prática interativa fortalece o vínculo com a produção local, incentiva o comércio regional e proporciona uma experiência lúdica e educativa, valorizando tanto o produto quanto o destino turístico.

Com iniciativas como essa, Nova Friburgo se consolida como destino inovador em turismo consciente, atraindo visitantes em busca de experiências autênticas e transformadoras, com benefícios diretos para o município e para a rede hoteleira local.

Saudações sustentáveis!

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Grupo aprendendo sobre abelhas nativas brasileiras e sem ferrão no Meliponário Zumbido Verde, da EcoModas, no Alto do Teleférico (crédito: Alex Santos)
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