Quando olhamos os mapas históricos e geográficos do Brasil uma das coisas que mais chama a atenção é que do começo da colonização até os dias atuais, uma inicialmente grande mancha verde que ia do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul acompanhando a faixa costeira e que em certos trechos seguia para o interior, vem diminuindo progressivamente no decorrer dos séculos.
Se notarmos bem veremos que a situação se agravou nos séculos XX e XXI. Essa mancha verde é a Mata Atlântica, a mata que abriga a maior biodiversidade do planeta e tragicamente o bioma mais devastado desse mesmo planeta.
Nesses séculos houve uma perda de cerca de 90% da sua extensão e inúmeras espécies da fauna e flora foram extintas. Simplesmente desapareceram para sempre. Há agravantes: o que sobrou, em grande parte está fragmentado e o fluxo genético, isto é, a troca de genes pela reprodução das espécies fica prejudicado, provocando a sua degradação genética, enfraquecendo os descendentes dessas espécies, tornando-os mais vulneráveis à doenças, por exemplo.
Estima-se que algo em torno de 80% da Mata Atlântica remanescente esteja em fragmentos de 50 hectares, o que praticamente torna inviável a existência dos animais de maior porte que exigem áreas mais extensas para sua sobrevivência na busca de alimentos e na fuga dos seus predadores, principalmente o Homem.
Não são apenas os animais e a variada flora que habitam o que sobrou da Mata Atlântica os que sofrem os efeitos dessa destruição: o Homem também é um grande prejudicado pois uma parte dos chamados “serviços ecossistêmicos” simplesmente cessam ou ficam gravemente prejudicados.
Com o desmatamento, os mananciais, as nascentes dos rios que abastecem a população dos centros urbanos proporcionando a segurança hídrica para toda a população, diminui drasticamente levando à chamada “crise hídrica”, que termina por prejudicar principalmente a população das camadas mais pobres, mais vulneráveis às consequências dessa escassez.
O clima fica alterado, áreas que produziam o oxigênio essencial à vida, e que sequestravam, isto é, consumiam o tóxico dióxido de carbono, agora são ocupadas por carros e demais veículos que usam combustíveis fósseis levando à maior emissão de gases de efeito estufa, com a consequente crise climática que vemos à nossa volta. É um modelo insustentável.
Diante dessa situação tão dramática e crítica para a Humanidade, surgiram iniciativas para tentar preservar parte do que sobrou desse remanescente da Mata Atlântica e também dos outros Biomas brasileiros como o Amazônico, o maior do Brasil, o Cerrado, segundo maior com grandes bacias hidrográficas, a Caatinga do semiárido principalmente no Nordeste, o Pampa gaúcho e o vasto e alagado Pantanal.
Há tempos vem se consolidando o conceito de “áreas protegidas” com diversos propósitos, desde ordenar a ocupação humana, permitindo a sua presença sendo condicionada ao respeito às demais espécies, mantendo o conceito de sustentabilidade, como as Áreas de Proteção Ambiental (APA) até áreas onde a visitação pública é proibida, como as Estações Ecológicas, (ESEC) e as Reservas Biológicas (REBIO). Essas não são muitas, na Mata Atlântica em torno de 80, mas existem nos demais biomas também. Essas áreas protegidas foram denominadas “Unidades de Conservação da Natureza”.
Para categorizar e ordenar as diversas Unidades de Conservação com suas diversas características e propósitos criou-se o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, o SNUC em 2020.
Posteriormente, trataremos de explicar com mais detalhes que tipos de Unidades de Conservação existem e as diferenças entre elas, numa série de artigos sobre essas áreas protegidas. Gostaria de ver algum tema relacionado ao meio ambiente ser abordado nessa coluna? Mande um e-mail para: [email protected]

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