Sistema de Ocorrências Virtuais da PM e Polícia Civil chega ao interior em agosto

Objetivo é agilizar o registro de ocorrências de crimes de menor potencial ofensivo
quarta-feira, 22 de julho de 2020
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
Sistema de Ocorrências Virtuais da PM e Polícia Civil chega ao interior em agosto

Implantado há um ano em caráter experimental na região da Ilha do Governador, no Rio, o Sistema de Ocorrências Virtuais (Sovi) começará a ser estendido para todo o estado a partir da primeira quinzena de agosto. Resultado de uma parceria entre as secretarias estaduais de Polícia Militar e Polícia Civil, o Sovi tem como objetivo agilizar o registro de ocorrências de crimes de menor potencial ofensivo, que representam em média 85% dos casos.

Com um smartphone, os PMs vão digitar as informações básicas da ocorrência e transmiti-las para a delegacia da Polícia Civil da área. Entrando no sistema compartilhado, o delegado formalizará a ocorrência e dará início aos procedimentos legais, como, por exemplo, convocar as partes para prestar depoimentos. “Dando escala a esse sistema, os nossos policiais estarão em condições de dar encaminhamento às ocorrências sem a necessidade de ir à uma delegacia para esperar efetuar o registro, poupando o tempo e o custo do deslocamento”, explica o secretário de Polícia Militar, comandante-geral Rogério Figueredo de Lacerda. A presença dos PMs nas delegacias só acontecerá em situações de crimes mais graves, como homicídios, por exemplo.

O coronel Figueredo ressalta que todos serão beneficiados. Os PMs ganharão tempo e poderão retornar mais rapidamente para cumprir sua missão principal, que é o patrulhamento das ruas. Os policiais civis já receberão as informações básicas digitadas, passando a ter mais tempo para investigar crimes e exercer as demais atribuições da Polícia Judiciária. E o cidadão não precisará se deslocar para a delegacia para efetuar o registro e esperar horas para obter uma cópia, pois o documento que será enviado por meio eletrônico.

“Todos esses benefícios foram confirmados na região da Ilha e meses depois em Angra dos Reis, onde o Sovi foi implantado também. Não tenho dúvidas de que dando escala a esse projeto, a sociedade terá um ganho muito grande na segurança pública”,  afirma o coronel Figueredo.

Ele explica ainda que, além da expertise desenvolvida pelas polícias Militar e Civil durante a fase experimental na Ilha e em Angra, o projeto mostrou-se ainda mais viável com a substituição do tablet, utilizado no projeto-piloto, pelo smartphone. “O serviço funciona graças a um aplicativo no celular pessoal dos agentes da atividade-fim, que estão nas ruas, com recursos de voz, texto, inserção de imagens e geolocalização”, observa o coronel.

Além de passar a ter acesso aos registros compartilhados com a Polícia Civil, a aplicação do Sovi em escala proporcionará  à PM integração de outros dois bancos de dados para tornar mais eficiente sua missão: as informações da central 190 e do Disque-Denúncia serão unificadas para consulta. “Reunir esses bancos de dados faz com que eles sejam mais úteis no processo decisório de cada batalhão, permitindo o entendimento do cenário para otimizar os recursos e alcançar o melhor resultado operacional. Há uma riqueza enorme de dados nas ligações do 190. Os moradores são essenciais dentro do processo”, explica.

A expansão do Sovi oferece concretamente novas possibilidades tecnológicas para melhorar a performance na segurança pública. Em breve, por exemplo, o PM poderá fazer, pelo próprio smartphone, o reconhecimento facial do cidadão abordado e consultar se há mandados de prisão contra ele. Outro desafio é aperfeiçoar o sistema integrado de câmeras de monitoramento, montando um cerco eletrônico. “Teremos condições de permitir, por exemplo, que um policial a receba a informação de um carro roubado e consiga, pela placa, saber em que direção o veículo seguiu”, finaliza Figueredo.

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TAGS: crime