A VOZ DA SERRA vem recebendo nos últimos dias, através do WhatsApp da redação, o (22) 9 9213-9995, inúmeras queixas de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) no município relatando a imensa dificuldade para se submeter ou dar andamento ao tratamento de saúde mental na rede municipal de saúde. Há relatos da espera superior a um ano para agendamento com um psicólogo.
“A prefeitura deveria contratar médicos extras, por contrato temporário ou fazer qualquer outra coisa. No mundo que vivemos hoje, tem aumentado muito o número de pessoas com ansiedade e depressão”, diz um paciente
“Tenho diabetes e fui encaminhado a um psicólogo para fazer acompanhamento e não consigo. Essa doença está afetando muito o meu sistema emocional e não consigo ter melhora se não tiver o apoio de um psicólogo. Preciso fazer terapias”, diz o paciente que pediu para não ter sua identidade revelada. Ela lamenta que toda vez que vai ao posto de saúde saber sobre a marcação da primeira consulta recebe sempre a mesma resposta do atendente: “Sua solicitação para Psicologia está no sistema e ainda não foi liberada.”
Outro usuário do SUS diz que possui distúrbios neurológicos e necessita de acompanhamento com psiquiatra e também não consegue a marcação. “Já dei entrada há vários meses e nada. Nunca sai a vaga. Um servidor do posto (de saúde) me confidenciou que tem poucos médicos nessa área na rede. A prefeitura, então, deveria contratar médicos extras, por contrato temporário ou fazer qualquer outra coisa. No mundo que vivemos hoje, tem aumentado muito o número de pessoas com ansiedade e depressão ”, revolta-se.
Nesta quinta-feira, 5, A VOZ DA SERRA questionou a prefeitura sobre as reclamações dos usuários e solicitou informações sobre o total de profissionais de saúde mental em atividade na rede municipal no momento e quais as medidas que se pretende tomar para ampliar o atendimento, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.
Uma preocupação que só aumenta
A necessidade de maior atendimento na rede de saúde mental se torna cada vez mais evidente em Nova Friburgo, ainda mais com o aumento dos casos de suicídio no município, o que vem preocupando autoridades de saúde locais. Tanto é que, na semana passada, a prefeitura divulgou em suas redes sociais uma nota esclarecendo a população sobre a importância de buscar atendimento e onde encontrá-lo, como os núcleos dos centros de atenção psicossocial (Caps).
Também foi realizada, nesta semana, uma reunião entre os membros das equipes do serviço de saúde mental e da Atenção Especializada com o objetivo de discutir estratégias para fortalecer a rede de cuidado em Nova Friburgo. Durante o encontro foi destacada a necessidade de ampliação urgente da rede de atendimento estruturando fluxos que funcionem na prática e integrem os serviços, desde os leitos hospitalares destinados a pacientes com algum distúrbio mental até os Caps.
No mesmo encontro também foi discutida a necessidade urgente de expansão dos atendimentos ambulatoriais para casos de depressão grave e situações relacionadas a casos de autoextermínio, garantindo acolhimento e continuidade do tratamento, fortalecendo assim a articulação de toda a rede de saúde mental do município.
A reunião contou com a participação do subsecretário de Atenção Especializada, Leslie Moura; da coordenadora de saúde mental, Flávia Teixeira, além de coordenadores de saúde mental do município.
Deixe o seu comentário