Projeto de revitalização do Arco Metropolitano anima empresários da Região Serrana

Firjan articula parceria público-privada para conservação e segurança da rodovia utilizada para escoamento da produção do polo industrial de Friburgo
terça-feira, 09 de março de 2021
por Jornal A Voz da Serra
Projeto de revitalização do Arco Metropolitano anima empresários da Região Serrana

A parceria público-privada idealizada pela da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) para dar segurança e revitalizar o Arco Metropolitano (trecho da BR 393 que liga Itaboraí a Itaguaí, na Região Metropolitana) agrada aos empresários da Região Serrana. A estrada é caminho de muitas indústrias que enviam suas mercadorias para o sul fluminense, São Paulo ou até mesmo estados da região Sul do país, e que mesmo sob risco da violência naquele trecho, continuam utilizando a rodovia.

O presidente do Sindicato das Transportadoras de Cargas de Nova Friburgo (Setcanf), Jackson Thedin, explica que apesar do abandono, a via expressa continua sendo importante pelo seu potencial logístico. “Hoje, os caminhoneiros são alertados para trafegar em horários específicos e se cercar de muitos cuidados, diminuindo a probabilidade de ocorrências. No entanto, a construção do posto da PRF e a inclusão do trecho da estrada no processo de concessão da Via Dutra (Rio-São Paulo) poderão fazer com que o Arco alcance toda a sua capacidade”, explica.

O Projeto Arco Seguro tem como meta principal zerar o índice de roubos de carga no trecho prioritário da via até o final de 2021 e, para isso, conta com apoio do Governo do Estado e da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A intenção da Firjan é que a via tenha segurança 24 horas, primeiro com o uso de uma estrutura provisória, depois com conclusão do posto da Polícia Rodoviária Federal, em Japeri, na Baixada Fluminense. A construção está prevista para ser entregue em 2022 e já conta com recursos financeiros oriundos de emenda parlamentar.

Na opinião do empresário Roberto Porto, a mudança desse cenário poderia significar a redução de custos para as empresas. No caso dele, usar o Arco Metropolitano faria com que o trecho percorrido entre a sua fábrica em Paty do Alferes, no Sul fluminense, e o centro de distribuição na Penha, Zona Norte do Rio, fosse reduzido. “É possível cortar até 20% no custo do combustível, além do fim do pedágio, que soma R$ 3.400 por cada veículo/mês, sem falar no ganho na velocidade da entrega”, conclui.

O Arco Metropolitano corta toda a Baixada Fluminense e interliga os polos industriais da Região Metropolitana, além de reduzir o tráfego de cargas pelas vias expressas da capital. A expectativa inicial era de fluxo diário de 30 mil veículos, mas atualmente é metade desse volume. O sentimento de que o Arco Metropolitano pode ajudar no desenvolvimento do Estado do Rio é ressaltado por Carlos Henrique Sercio, industrial de Três Rios, mas a violência, o abandono e as ocupações irregulares ameaçam o investimento de uma das rodovias consideradas mais modernas do país em 2014, ano em que foi inaugurada. “De total importância para a logística, o que contribuiria muito no desenvolvimento que nosso estado tanto precisa, mas hoje não tenho coragem de utilizar”, explica.

Diminuição de custos com frete e seguros

O grupo de trabalho liderado pela Firjan identificou necessidades de infraestrutura indispensáveis ao funcionamento seguro e permanente do Arco Metropolitano (iluminação, assistência veicular, socorro a acidentes, entre outras). A sensação de segurança nas estradas abriria novamente as rotas com os estados vizinhos e refletiria também redução dos custos operacionais, do frete e do seguro de mercadorias que chegam a custar 50% do valor da carga, segundo o empresário José Renato Romão. “Hoje muitas transportadoras se negam a entrar no Rio. Para receber um equipamento do Sul foi preciso fazer orçamento com oito transportadoras, sendo que seis se negaram a entregar, uma disse que viria somente até São Paulo e outra trouxe o produto até Petrópolis. Tudo por conta do medo e pelos mais altos custos do Brasil, no combustível e nos pedágios”, conta Romão.

A insegurança também faz com que Marcus Randazzo, empresário de Nova Friburgo, oriente seus colaboradores a não circular pelo Arco Metropolitano, mas a expectativa é que o Rio de Janeiro possa colher os benefícios de uma via expressa tão importante. “A estrada é de grande ajuda para encurtar espaços e fugir dos engarrafamentos. Acredito que as mudanças vão melhorar o fluxo de veículos dentro dos municípios cortados pelo Arco e, em consequência, haverá a recuperação nos custos logísticos”, avalia.

Corredor logístico

Com um total de 145 quilômetros de extensão, o Arco Metropolitano liga os municípios de Itaboraí e Itaguaí. Com pouco mais de 70 quilômetros, o trecho prioritário vai do entroncamento da BR-040 (Rio-Juiz de Fora), em Duque de Caxias, ao acesso ao Porto de Itaguaí na BR-101 (Rio-Santos), cortando as rodovias BR-465 (antiga Rio-São Paulo) e BR-116 (Via Dutra). Antigo pleito da Firjan, a obra do primeiro trecho do Arco teve início em 2007 e ficou pronta em 2014.

 

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