Previsto para dezembro, prova de Enduro terá trilhas e rock'n'roll

Equipe Friburgo Off Road é uma das representantes do município, com alguns dos pilotos organizando a prova de dezembro
terça-feira, 16 de junho de 2020
por Vinicius Gastin
Evolução do Enduro ao longo dos anos atraiu inúmeros adeptos para a modalidade
Evolução do Enduro ao longo dos anos atraiu inúmeros adeptos para a modalidade

A natureza faz de Nova Friburgo uma cidade diferenciada. Mesmo nos espaços urbanos, a presença do meio ambiente é notada de forma especial, e quando voltamos os olhares e atenções para os locais mais afastados do Centro, fica ainda mais fácil contemplar o privilégio. E é dentro desse contexto que os esportes praticados na natureza ganham destaque no município.

São inúmeras as modalidades praticadas em meio ao universo natural friburguense, e dentre elas, está o motocross. As trilhas aqui existentes sempre atraem inúmeros motociclistas, e nos últimos anos, Nova Friburgo passou a ser sede de etapas e competições importantes da categoria. Para 2020 há pelo menos mais uma programada.

A Friburgo Off Road 2020 está prevista para acontecer nos dois primeiros fins de semana de dezembro, dias 4, 5, 11 e 12, sextas-feiras e sábados. Os organizadores ainda ajustam detalhes e preparam toda a programação, mas além das trilhas, prometem bastante rock and roll. A expectativa, por conta da pandemia, é que a prática esportiva esteja, se não normalizada, bem próximo de uma realidade que possibilite o planejamento e a realização de eventos deste porte no final do ano.

Nova Friburgo possui pilotos e equipes que competem e se destacam nas provas Enduro, por exemplo. A Friburgo Off Road possui um histórico de atletas vencedores, à exemplo de Gabriel Alves, campeão carioca e da Copa MXF, Itamar Júnior, campeão da Copa Estrada Real e do Ibitipoca,  e Douglas Schumacker, também detentor do título da Copa MXF e de outras taças, dentre tantos outros pilotos.

Outro piloto nascido em Nova Friburgo e que faz sucesso na modalidade é Emerson “Bombadinho” Loth. Profissional desde 2011 reside em Curitiba-PR, e carrega no currículo conquistas como o tetracampeonato brasileiro (2013 / 2015 / 2017 / 2019) na categoria master, pentacampeonato sul-brasileiro (2012 / 2013 / 2014 / 2016 / 2017), octacampeonato paranaense e o títulos do Enduro da Independência 2014 e Ibitipoca 2019.

Aos 36 anos de idade, Bombadinho é patrocinado pela maior fabricante de motopeças da América Latina, tendo o contrato renovado no final de 2019. “Estamos construindo uma grande história juntos. A vida de atleta não é fácil, são altos e baixos, mas a parceria em todos os momentos me dá o suporte que eu preciso para buscar os meus objetivos no motociclismo”, afirma.

Um deles é a estreia no Sertões, o maior rally das Américas, além do Ibitipoca, o Independência e a disputa do nacional. Tudo depende, no entanto, das liberações sanitárias para a realização dos eventos, em acordo com o cenário epidemiológico do país.

Um pouco sobre o Enduro

O Enduro é a especialidade mais completa do motociclismo, e exige do piloto velocidade, resistência, técnica e outras qualidades. No passado era conhecido como “regularidade”, e no início a prática era confundida com o trial. Teve origem na Inglaterra e os primeiros construtores de motos viram a necessidade de adaptar os veículos para poderem circular em locais pouco acessíveis.

A partir dos testes de alterações, a especialidade começou. No entanto, a primeira corrida oficial internacional fora de uma pista, aconteceu na França, em 1902.

Quando em 1904 foi criada a Federação Internacional de Motociclismo (FIM), as corridas de todo-o-terreno já se diferenciavam claramente das corridas de velocidade. Em 1913 ocorreu a primeira edição dos Seis Dias de Trial, os antepassados dos Seis Dias de Enduro, que só chegaria a esta denominação em 1981. A primeira edição do evento teve lugar na Grã-Bretanha, na cidade de Carlisle.

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) interrompeu a evolução da competição até 1920, ano a partir do qual o evento passou a ser desenvolvido por diferentes países europeus, tais como a França, a Suíça, a Suécia e a Noruega. No entanto, a grande inovação chegaria só em 1924. A partir dessa altura, além da prova já conhecida, foi instituída a Taça de Prata, uma classe em que também participaram equipas nacionais, mas desta vez com motos não fabricadas no seu próprio país.

Os regulamentos sobre o número de elementos que compunham as equipes eram variados, e só nos anos 30 é que se estabeleceu que as equipes do troféu principal teria seis pilotos e as equipes da Taça de Prata, quatro. As edições de 1933 a 1936 foram realizadas na Alemanha.

Depois do fim da guerra, a Europa começou a recuperar o ritmo e, claro, as competições. Nesse mesmo ano, os Seis Dias de Enduro realizaram-se na Tchecoslováquia, em estradas e trilhos, diferentes das atuais, obviamente.

O motociclismo britânico começou a perder força de outros tempos, e na década de 1950, os países da Europa Central dominavam a corrida. A Tchecoslováquia e as duas Alemanhas partilharam a maioria das vitórias entre 1952 e 1977 e a República Checa dominou a Taça de Prata até 1979.

Entretanto, em 1968, foi criado o Campeonato Europeu, que se manteria com este nome até 1990, ano em que se transformou em Campeonato do Mundo. No entanto, em 1981, teria lugar uma reorganização da especialidade e um novo nome foi introduzido. O todo-o-terreno passaria a ser conhecido por Enduro.

O Campeonato do Mundo trouxe uma adaptação contínua das categorias, dando entrada às motos “a quatro tempos” em classes independentes. A categoria de 80 desapareceu em 1984, e desde então é o motor de 125 cilindradas que permanece como primeira etapa da especialidade. Apenas quatro categorias permaneceram até 1998. O impacto ambiental dos motores a dois tempos é pesado e os fabricantes começam a concentrar-se nos motores a quatro tempos, o que facilita o cumprimento dos regulamentos cada vez mais rigorosos.

Os anos passaram e o perfil do motociclista mudou, até porque muitas pessoas do mundo do motocross se aventuraram no enduro. Em 2004 há uma nova alteração nas categorias, que são reduzidas a apenas três, desaparecendo um ano depois o título absoluto ou scratch que tinha sido instituído em 1998.

Este programa manteve-se até ao momento em que a classe Enduro GP foi estabelecida para motociclos de 250 d.c. e superior e a classe Enduro 2, que é o novo nome da classe Enduro 1, foi substituída por Enduro 3. Em 2018, os promotores do Campeonato do Mundo deram um passo atrás, recuperando as três categorias e mantendo a classe Enduro GP como uma categoria absoluta.

 

LEIA MAIS

Dentre os principais destaques estão Maicon Corguinha, campeão na categoria Elite, e o jovem Davi Alves, primeiro colocado da etapa na Novato

Competição em Quatis, com pista escorregadia por conta das chuvas, abriu o calendário da modalidade

Publicidade

Apoie o jornalismo de qualidade

Há 76 anos A VOZ DA SERRA se dedica a buscar e entregar a seus leitores informações atualizadas e confiáveis, ajudando a escrever, dia após dia, a história de Nova Friburgo e região. Por sua alta credibilidade, incansável modernização e independência editorial, A VOZ DA SERRA consagrou-se como incontestável fonte de consulta para historiadores e pesquisadores do cotidiano de nossa cidade, tornando-se referência de jornalismo no interior fluminense, um dos veículos mais respeitados da Região Serrana e líder de mercado.

Assinando A VOZ DA SERRA, você não apenas tem acesso a conteúdo de qualidade, mantendo-se bem informado através de nossas páginas, site e mídias sociais, como ajuda a construir e dar continuidade a essa história.

Assine A Voz da Serra

TAGS: Enduro