Praça Getúlio Vargas:Obras entram em nova fase focada no paisagismo histórico

Moradores reclamam da demora para a conclusão da obra, que já dura sete meses
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
por Estagiária Isabella Rodrigues com supervisão de Henrique Amorim
Foto: Henrique Pinheiro
Foto: Henrique Pinheiro

As obras de revitalização da Praça Getúlio Vargas chegaram a uma nova fase segundo informou a Prefeitura de Nova Friburgo. Os serviços agora serão concentrados no paisagismo. A obra, no entanto, têm gerado questionamentos entre moradores do entorno e frequentadores da principal praça da cidade e também daqueles que acompanham a intervenção urbana.

Para muitas dessas pessoas que, inclusive, tem feito queixas recorrentes à redação de A VOZ DA SERRA, é que o andamento dos serviços não corresponde ao que vem sendo anunciado oficialmente, levantando dúvidas sobre prioridades e ritmo da execução. 

Uma moradora da praça expressou, nesta semana, sua insatisfação em uma mensagem enviada ao WhatsApp do jornal, o (22) 9 9213 9995: “Estão maquiando para dizer que não estão fazendo muita coisa. Pararam com a jardinagem. Agora, estão focados nos bancos. Parece que está faltando material para o calçamento e aí resolveram mexer em outras coisas. Afinal, o que temos de material para ir adiantando? Está cheio de mudas de grama que em vez de plantarem logo estão amontoadas em caixas sobre o canteiro”, relatou.

Na última quinta-feira, 15, a prefeitura anunciou a finalização da segunda fase de obras do primeiro trecho da praça. Segundo a postagem, agora serão executados serviços relacionados ao paisagismo histórico. Serão retiradas 11 árvores, entre elas, as grevíleas, localizadas no parque infantil. Em substituição, será realizado o plantio da espécie Eucalyptus robusta, presente no projeto original executado por Auguste Glaziou.

Todas as atividades desta etapa serão realizadas por profissionais qualificados e autorizados pela Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Urbano Sustentável e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

As obras na praça começaram em 9 de junho de 2025. Os serviços estão sendo executados com a divisão de três setores e a previsão para a conclusão deste primeiro setor é o final de 2026. Foram implantadas a infraestrutura elétrica para a nova iluminação, e dos sistemas hidráulicos e de drenagem, a instalação dos tentos dos novos canteiros ajardinados e a execução de parte do novo piso.

As próximas etapas incluem a instalação do novo mobiliário urbano, como postes, bancos e cestas de lixo, e a implantação do paisagismo que contempla o plantio de espécies ornamentais destinadas ao resgate da perspectiva longitudinal do projeto original.

De acordo com a prefeitura, "a intervenção integra as diretrizes paisagísticas da Praça Getúlio Vargas, que tem como objetivo a sua recuperação do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico. Essas diretrizes fazem parte dos compromissos estabelecidos no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) n° 002/2015, firmado entre a prefeitura e o Ministério Público Federal. Os recursos destinados à execução do projeto são específicos do referido TAC e não podem ser utilizados para outras finalidades, estando integralmente comprometidos com o andamento das obras na praça”.

Cartão postal friburguense 

Projetada no fim do século 19, a Praça Getúlio Vargas faz parte da própria formação urbana de Nova Friburgo. O espaço foi desenhado em 1881 pelo paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, o mesmo responsável por grandes projetos no país, e surgiu a partir da necessidade de organizar e drenar uma área que antes era alagadiça. A solução veio com a criação de um eixo arborizado, marcado pelos eucaliptos que até hoje definem a paisagem da praça. 

Ao longo das décadas, a praça se consolidou como ponto central da vida social, política e cultural da cidade, reunindo encontros, eventos e manifestações populares. Em reconhecimento à sua importância histórica e paisagística, a Praça Getúlio Vargas foi tombada pelo Iphan em 1972 e, mais recentemente, passou a ser reconhecida também como patrimônio cultural e imaterial, reforçando seu papel como símbolo da memória e da identidade friburguense.

 
  • Foto: Henrique Pinheiro

    Foto: Henrique Pinheiro

  • Foto: Henrique Pinheiro

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