Isabella Rodrigues (*)
A possibilidade da formação de um Super El Niño nos próximos meses tem chamado a atenção de especialistas em clima e Defesa Civil em todo o país. Considerado uma versão mais intensa do El Niño, o evento pode aumentar a ocorrência de chuvas volumosas, tempestades e ondas de calor. De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), existe 82% de probabilidade do fenômeno se formar até julho.
Embora aconteça no Oceano Pacífico Equatorial, o El Niño tem capacidade de influenciar o clima em diferentes regiões do mundo. O fenômeno ocorre quando as águas superficiais do oceano apresentam temperaturas acima da média por um longo período, alterando a circulação atmosférica global. Quando esse aquecimento atinge níveis excepcionalmente elevados, os meteorologistas classificam o evento como um Super El Niño.
De acordo com informações passadas pelo coordenador do Laboratório de Monitoramento e Modelagem de Sistema Climático (Lammoc) da Universidade Federal Fluminense (UFF), Márcio Cataldi, ao jornal O Globo, entre junho e agosto, deve chover mais do que o esperado. A época de seca irá começar em agosto, se estendendo até o início de dezembro, com ondas de calor e riscos de incêndios. Já na segunda quinzena de dezembro, o El Niño deve mudar de fase e começar a esfriar o Oceano Pacífico, com risco de chuvas prolongadas.
Friburgo em atenção
Em Nova Friburgo, a previsão acende um sinal de alerta para riscos de deslizamentos de encostas, enxurradas e alagamentos, especialmente em áreas consideradas vulneráveis. A preocupação é constante devido ao histórico de desastres climáticos. A memória do desastre de 2011, considerado um dos maiores eventos climáticos da história do país, permanece viva.
Prevenção
Diante desse cenário, Nova Friburgo vem investindo em medidas voltadas à redução dos riscos de desastres. Entre elas está a construção da primeira Barreira Sabo do Brasil, tecnologia desenvolvida no Japão para conter o deslocamento de sedimentos, pedras e troncos durante episódios de chuvas intensas. A estrutura está sendo implantada em uma encosta no bairro Duas Pedras, uma das áreas afetadas pela tragédia de 2011.
A obra integra um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da capacidade de resposta do município diante de eventos climáticos severos. Embora intervenções de engenharia contribuam para aumentar a segurança da população, especialistas destacam que a prevenção continua sendo a principal ferramenta para minimizar riscos.
O acompanhamento dos alertas meteorológicos, a atenção aos comunicados da Defesa Civil e a conscientização sobre os riscos existentes em áreas suscetíveis a deslizamentos são medidas consideradas fundamentais. Em um cenário de incertezas climáticas e possibilidade de eventos cada vez mais intensos, a preparação da população e o investimento contínuo em infraestrutura preventiva tornam-se elementos indispensáveis para reduzir impactos e preservar vidas.
Um episódio que entrou para a história
Há 15 anos, janeiro de 2011, a Região Serrana registrou um grande volume de chuvas. Foram provocados diversos deslizamentos de encostas e transbordamentos de rios, que arrastaram casas e prédios. Ao todo, foram mais de 900 mortes, em Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis, São José do Vale do Rio Preto, Areal e Bom Jardim. Em Friburgo, foram registradas oficialmente 442 perdas.
De acordo com a Defesa Civil de Nova Friburgo, foram mapeadas no município 254 áreas de risco pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), após a tragédia. Nesses locais podem ocorrer novos deslizamentos e inundações. Há, aproximadamente, 7.500 residências nessas áreas, ocupadas por cerca de 30 mil pessoas.
(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim
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