Personalidade

Reinaldo Queiroz
sexta-feira, 19 de junho de 2026
por Marcelo Gonzales
Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

Há pessoas que, com o passar dos anos, deixam de pertencer apenas a um lugar e passam a fazer parte da paisagem dele.

Em São Pedro da Serra, um desses nomes é Reinaldo Queiroz.

Quem cruza as ruas tranquilas do distrito, frequenta seus festivais, saraus, feiras culturais ou encontros comunitários provavelmente já encontrou, em algum momento, a voz grave e marcante de Rey ecoando entre montanhas, palcos e rodas de conversa. Paraense de origem, ele trouxe para a serra fluminense muito mais do que sua música. Trouxe também uma maneira de viver a cultura como prática cotidiana, construída coletivamente e enraizada na comunidade.

Antes de chegar à região, viveu durante anos em Nilópolis, participando de festivais e projetos culturais. Mas foi em Nova Friburgo que consolidou uma trajetória artística reconhecida pelo público e pela crítica. Como cantor e instrumentista do Grupo Nó Cego, tornou-se uma das vozes mais conhecidas da música regional, participando de apresentações que dividiram espaço com nomes importantes da cultura brasileira e realizando shows ao lado de artistas que ajudaram a construir a identidade da música popular do país.

Dono de um timbre grave e metálico, facilmente reconhecível, Rey desenvolveu ao longo das décadas um estilo próprio ao violão, somando técnica, sensibilidade e forte presença de palco. Características que ajudaram a transformar suas apresentações em experiências marcadas pelo contato direto com o público.

Mas limitar sua história apenas à música seria insuficiente.

Em São Pedro da Serra, Reinaldo é também um dos fundadores da Casa dos Saberes, instituição que se tornou referência na promoção da cultura, da educação ambiental, da agroecologia e dos saberes populares. O espaço reúne iniciativas que dialogam com arte, sustentabilidade, memória, agricultura familiar, turismo e formação comunitária, funcionando como ponto de encontro entre conhecimentos tradicionais e acadêmicos.

Reconhecida como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura e como Ponto de Memória pelo Instituto Brasileiro de Museus, a entidade desenvolve cursos, oficinas, vivências, exposições e ações voltadas ao fortalecimento das identidades locais.

É ali também que funciona a Bambuzeria Escola, coordenada por Reinaldo. Mestre de bioconstrução com bambu, ele ensina técnicas de artesanato, movelaria e construção sustentável, compartilhando conhecimentos que unem tradição, criatividade e respeito ao meio ambiente.

Ao longo dos anos, sua atuação ultrapassou os palcos. Rey ajudou a construir festivais, apoiou eventos comunitários, coordenou atividades culturais, ministrou oficinas em escolas da região e participou ativamente da vida cultural de Lumiar e São Pedro da Serra. Uma presença constante em iniciativas que valorizam a arte como ferramenta de transformação social.

Talvez por isso sua história seja tão associada ao lugar onde vive. Porque, mais do que cantar para a comunidade, Reinaldo escolheu construir caminhos junto dela.

No próximo dia 28, às 17h, o público poderá reencontrar essa trajetória no palco do Espaço ARP, no centro de Nova Friburgo, durante mais uma apresentação do Grupo Nó Cego. Um encontro que reúne quase três décadas de música, cultura popular e dedicação à vida cultural da serra.

 

 

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