Novos leitos de UTI disponibilizados pelo estado podem ‘salvar’ flexibilização

Enquanto governo do Rio alega que “já foram abertos” 10 novos leitos no setor de Covid do Raul Sertã, prefeitura diz que falta “acertar detalhes”
sexta-feira, 31 de julho de 2020
por Fernando Moreira (fernando@avozdaserra.com.br)
A triagem na entrada da emergência do Raul Sertã (Arquivo AVS/ Henrique Pinheiro)
A triagem na entrada da emergência do Raul Sertã (Arquivo AVS/ Henrique Pinheiro)

Conforme anunciado pelo prefeito Renato Bravo em entrevista coletiva concedida no último dia 24, o Hospital Municipal Raul Sertã ganhará em breve dez novos leitos de UTI para tratamento de pacientes com Covid-19. A informação foi confirmada nesta quinta-feira, 30, pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) em nota enviada à redação de A VOZ DA SERRA: “Dez novos leitos de UTI foram abertos no Hospital Municipal Raul Sertã e outros podem ser abertos caso haja necessidade. A SES está fornecendo recursos humanos, insumos e medicamentos e parte dos equipamentos, como bombas de infusão, os quais serão posteriormente doados ao município”.

Porém, enquanto o Governo do Estado afirma que “já foram abertos” dez leitos de UTI, a Prefeitura de Nova Friburgo publicou uma nota em seu site oficial afirmando que “está finalizando os entendimentos com o governo estadual”. Ainda de acordo com a nota, “um representante da Secretaria estadual de Saúde esteve no Raul Sertã esta semana para acertar os detalhes finais. A direção-geral do hospital já está providenciando o espaço físico e as instalações para que os leitos possam funcionar”, informa o comunicado. 

Diante disso, entramos em contato com a Prefeitura de Nova Friburgo solicitando mais informações sobre a disponibilização dos dez novos leitos de UTI para Covid-19 no Raul Sertã, como: o que falta ser feito para que os novos leitos comecem a operar de fato; se esses leitos serão instalados na ala de Covid-19 ou em outro setor do hospital; quais são os “recursos humanos, insumos e medicamentos e parte dos equipamentos" que a Secretaria estadual de Saúde afirma estar fornecendo; no entanto, o Governo Municipal afirmou que “as informações disponíveis até o momento encontram-se na nota divulgada”.

Os leitos disponíveis

Pelo menos até a última quarta-feira, 29, esses dez novos leitos ainda não estavam disponíveis no Hospital Raul Sertã. Pelo menos, é o que indica o boletim com a taxa de ocupação dos leitos divulgados pela prefeitura no início da noite daquele mesmo dia. Segundo os dados, o único hospital público da cidade contava com dez leitos de UTI destinados exclusivamente ao tratamento de pacientes com Covid-19 (sete estavam ocupados) e outros 19 de enfermaria (16 ocupados), o que dá uma média de 70% de ocupação na UTI e 84,2% na enfermaria.

O número de leitos de UTI disponíveis no Raul Sertã é o mesmo que tem sido divulgado pela prefeitura praticamente desde o início da pandemia, o que sugere que os leitos disponibilizados pelo Estado ainda não estão em funcionamento, visto que não foram incluídos no boletim.

Ainda de acordo com o Boletim Coronavírus divulgado pela prefeitura no início da noite de quarta-feira, a distribuição dos leitos destinados a pacientes com Covid-19 nos hospitais particulares de Nova Friburgo estava assim: Unimed (UTI: dez leitos disponíveis e dois ocupados / enfermaria: 21 leitos, sendo dez ocupados); São Lucas (UTI: seis leitos disponíveis e cinco ocupados / enfermaria: 18 leitos, sendo nove ocupados); Serrano (UTI: dois leitos disponíveis e nenhum ocupado / enfermaria: sete leitos, sendo dois ocupados). Com isso a taxa média geral de ocupação dos leitos nesta quarta-feira foi de 50% na UTI (dos 28 leitos disponíveis, 14 estavam ocupados) e 55,3% na enfermaria (dos 65 leitos, 36 estavam ocupados).  

Ocupação de leitos entra na nova métrica

A primeira métrica adotada pela Prefeitura de Nova Friburgo para aferir o sistema de bandeiras para flexibilização das atividades no município levava em consideração apenas a taxa média de ocupação dos leitos de UTI (incluindo os três hospitais particulares). Com a nova métrica anunciada pelo Governo Municipal na última sexta-feira, 24, o cálculo passou a avaliar cinco indicadores, ao invés de apenas um. São eles: variação da ocupação dos leitos UTI adulto; variação da ocupação dos leitos clínicos adulto; variação de óbitos por Covid-19; variação do número de casos confirmados; e a taxa de positividade para a doença (%) – para calculá-la, divide-se o número de casos confirmados pelo número total de testes realizados no período de uma semana (contando de sábado a sexta-feira).

Ou seja, a ocupação dos leitos (de UTI e enfermaria) é fator fundamental para o cálculo que irá apontar às sextas-feiras a bandeira que será adotada no município a partir da segunda-feira seguinte. Ou seja, assim que os dez novos leitos que serão disponibilizados pelo Estado estiverem em funcionamento, o município terá a oportunidade de saltar de 28 para 38 leitos de UTI destinados exclusivamente ao tratamento de pacientes com Covid-19 e outros 65 de enfermaria. O que certamente - pelo menos num primeiro momento - desafogaria a rede pública de saúde, daria mais tranquilidade à população e possibilitaria uma retomada mais segura das atividades econômicas, sem o risco de abre e fecha no comércio, como ocorreu no início da flexibilização em Nova Friburgo.

 

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