Novo livro dos Arautos do Evangelho ganha repercussão internacional

Obra destaca, em três partes, as injustiças sofridas desde a intervenção em 2017
terça-feira, 25 de novembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
(Foto: divulgação)
(Foto: divulgação)

O lançamento, há mais de uma semana, do livro “O Comissariado dos Arautos do Evangelho. Crônica dos Fatos. 2017-2025. Punidos, sem diálogo, sem provas, sem defesa” ganhou rápida projeção nos meios de comunicação internacionais, destacando a atualidade e a sensibilidade do tema. A notoriedade repentina, traz o risco de que a obra seja julgada sem a devida compreensão das motivações que levaram à sua elaboração.

O texto lembra que, há mais de oito anos, a Associação Privada Internacional Arautos do Evangelho e as duas Sociedades de Vida Apostólica a ela vinculadas permanecem sob intervenção para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica. A situação, classificada como “inexplicável e constrangedora”, teria gerado perplexidade entre membros, seguidores e simpatizantes da instituição. Por esse motivo, e por considerar que a reputação dos Arautos e da própria Igreja Católica estava sendo prejudicada, a entidade decidiu editar o livro para prestar esclarecimentos.

Após anos de silêncio para evitar má repercussão, uma comissão interna com formação acadêmica especializada elaborou o livro. O trabalho foi coordenado pelo professor José Manuel Jiménez Aleixandre, doutor em Direito Canônico, e pela Ir. Dra. Juliane Vasconcelos Almeida Campos, doutora em Filosofia. De acordo com a nota, o objetivo é apresentar de forma desapaixonada os acontecimentos relacionados ao período do comissariado.

A obra reúne documentos que, segundo os autores, demonstram tanto a necessidade de reparar suspeitas infundadas quanto os prejuízos acumulados ao longo dos anos. Entre os efeitos mencionados estão a impossibilidade de ordenação de quase 30 diáconos, a paralisação de sete turmas de seminaristas, impedimentos a votos religiosos e a suspensão do projeto educativo dos Arautos do Evangelho, que, conforme o texto, afetou famílias e adolescentes envolvidos.

O livro também aponta violações às leis canônicas como fator determinante para sua redação. A instituição afirma, entretanto, que a obra não tem caráter de ataque ou protesto, sendo apresentada como um instrumento de tutela, guiado por “consciência, justiça e amor à Igreja”. O propósito declarado é evitar que episódios semelhantes se repitam e buscar reparação justa.

     Ao lançar a obra, os Arautos do Evangelho divulgaram nota em seu site oficial com explicações essenciais sobre a polêmica da intervenção. No comunicado, destaca-se “o excessivo e inexplicável prolongamento da intervenção, que gera interrogantes a respeito da idoneidade da instituição comissariada e, consequentemente, obriga a esclarecimentos para restabelecer a verdade e a justiça.”

A nota recorda também os grandes danos acarretados, tanto para os Arautos do Evangelho quanto para a Igreja Católica, já que numerosos diáconos que não puderam ver atendida sua legítima expectativa, amparada pelo Direito Canônico, de serem ordenados sacerdotes, além de seminaristas que não puderam ascender ao diaconato, muitos outros membros impedidos de proferir seus votos, aspirantes cuja admissão está vetada, e jovens que se viram privados de um projeto educacional livre de influências contrárias aos ensinamentos do Evangelho.

A gênese da obra 

Essas razões – às quais se acrescentam ainda “variadas violações às leis canônicas”, como observa a nota dos Arautos do Evangelho, motivaram à comissão redatora do livro. A obra consta de três partes, sendo a primeira e principal uma crônica dos fatos, que pretende narrar desapaixonadamente as injustiças de que os Arautos foram objeto desde o início da intervenção em 2017.

Nesta parte, o livro recorda a falta de transparência da então Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, posteriormente Dicastério, que em nenhum momento revelou aos acusados o conteúdo das denúncias ou a matéria dos supostos crimes que levaram a decretar a Visita Apostólica e, em seguida, o Comissariado, o cerceamento das ordenações, a proibição de os Arautos hospedarem jovens e demais punições.

A crônica narra ainda os reiterados abusos de poder, arbitrariedades e ilegalidades por parte do Dicastério e seus representantes, além de demonstrar a ausência de idoneidade de alguns dos que configuraram a equipe auxiliar do Comissariado, e os grandes prejuízos morais, econômicos, institucionais, pastorais e educacionais gerados pela intervenção que, em princípio, se arvorava como destinada a “sanar” e “ajudar”.

A segunda parte consiste em um apêndice, onde se fornece uma pequena seleção dos documentos que foram sendo devidamente arquivados ao longo desses anos, através dos quais se pode comprovar a veracidade das informações contidas na crônica.

Finalmente, a obra conclui com outro apêndice, de viés jurídico-canônico, composto de libelos que apreciam, sob um prisma estritamente técnico e à luz da lei da Igreja, as irregularidades havidas no processo, como alteração de decreto, diversos abusos de autoridade ou descumprimento das Constituições da Sociedade Virgo Flos Carmeli, entre vários outros.

A obra poe ser acessada no link: https://land.lumencatolica.com.br/o-comissariado-dos-arautos-do-evangelho

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