Novidade Paradesporto: guia do capacitista em desconstrução é lançado no Brasil

O conteúdo também aborda situações recorrentes no ambiente de trabalho e no convívio social
segunda-feira, 16 de março de 2026
por Jornal A Voz da Serra
Guia integra o conjunto de ações voltadas à promoção da inclusão, diversidade e acessibilidade (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)
Guia integra o conjunto de ações voltadas à promoção da inclusão, diversidade e acessibilidade (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

O Ministério do Esporte lançou o Guia Capacitista em Desconstrução. Para a pasta, enfrentar o capacitismo é parte indissociável da construção de políticas públicas comprometidas com a cidadania. O guia convida a população a rever palavras, atitudes e práticas que, muitas vezes sem intenção, reforçam exclusões. A publicação integra o conjunto de ações voltadas à promoção da inclusão, da diversidade e da acessibilidade, somando-se à expansão de programas como o TEAtivo.

Com linguagem acessível e exemplos do cotidiano, o guia propõe um processo de letramento anticapacitista, começando pela forma como nos expressamos. Ao tratar do capacitismo linguístico, o material orienta a substituição de termos ultrapassados por expressões corretas e respeitosas, explicando por que palavras como “portador de deficiência”, “deficiente mental” ou “surdo-mudo” desumanizam e reforçam estigmas históricos. Mais do que listar o que não deve ser dito, o guia convida à reflexão sobre o impacto das palavras na construção de relações e ambientes.

No esporte, o guia é direto ao afirmar que o desempenho de atletas com deficiência não deve ser narrado como exceção ou superação pessoal. O esporte, destaca o material, é resultado de trabalho, treino, talento e estratégia. Colocar a deficiência como elemento central da narrativa distorce o sentido da prática esportiva e reforça estereótipos.

O conteúdo também aborda situações recorrentes no ambiente de trabalho e no convívio social, como a infantilização de adultos com deficiência, a exclusão de processos decisórios, a presunção de incapacidade para liderar projetos ou a desigualdade de reconhecimento e remuneração. Em todos esses casos, o capacitismo se manifesta de forma estrutural, indo além de atitudes individuais.

Outro eixo central da publicação é a interseccionalidade. O guia reconhece que o capacitismo se entrelaça a outros preconceitos, como racismo, sexismo, LGBTQIAPN+fobia, classismo, etarismo e xenofobia, ampliando desigualdades e barreiras. Enfrentá-lo exige, portanto, um olhar atento à complexidade das experiências e ao protagonismo das pessoas com deficiência.

Para o secretário Nacional do Paradesporto, Fábio Araújo, o guia representa um passo decisivo na transformação cultural necessária para garantir inclusão efetiva no esporte e na sociedade.

“O Guia Capacitista em Desconstrução é essencial porque transforma consciência em ação. Ele mostra como o capacitismo aparece no dia a dia e como isso cria barreiras que afastam pessoas com deficiência do esporte e da vida em sociedade. O desafio é cultural e diário. É rever práticas, linguagem, estruturas e a forma como acolhemos as pessoas. O esporte é uma das ferramentas mais poderosas para essa mudança, mas só cumpre esse papel quando a inclusão é real”, observa Araújo.

“O recado presente no guia é simples: respeito e acessibilidade não são favor. São direitos. E o guia é um passo concreto para acelerar essa transformação”, complementou.

Em 2025, o Ministério do Esporte também lançou o Guia de Atividade Física para Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que reúne bases conceituais, orientações para avaliação, planejamento de intervenções e monitoramento de resultados, ampliando o acesso à prática esportiva em diferentes contextos.

 

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