Diversos moradores de diferentes bairros de Nova Friburgo têm denunciado, nas últimas semanas, à redação de A VOZ DA SERRA, por meio do WhatsApp (22) 9 9213-9995 inúmeros problemas relacionados à limpeza urbana no município. Entre as principais reclamações estão a precariedade nos serviços de capina e roçada em ruas e calçadas, além do descarte irregular de lixo, como móveis velhos e entulhos de obras, em vias públicas.
Diante das queixas da população, prefeito Johnny Maycon foi às redes sociais, pediu desculpas e disse que a prefeitura está tomando medidas para corrigir o problema
Segundo os relatos, o crescimento acelerado do mato alto em calçadas e terrenos tem dificultado a circulação de pedestres, obrigando muitas vezes as pessoas a caminhar pelas pistas destinadas aos veículos, o que aumenta o risco de acidentes. É o caso da aposentada Violeta Gonçalves, de 70 anos, moradora de Olaria. Ela afirma que a situação tem se agravado em um trecho localizado atrás do estádio do Friburguense. “Todas as manhãs faço caminhada e tenho reparado que o volume de mato vem aumentando, causando transtornos para quem passa por ali. Na última vez tive que passar pela rua, correndo risco de ser atropelada, porque não havia condições de andar no meio do mato”, relatou a moradora.
Prefeito reconhece falha
Diante das reclamações, o prefeito de Nova Friburgo, Johnny Maycon (PL), se manifestou na última sexta-feira, 6, em suas redes sociais, reconhecendo falhas na prestação do serviço. Segundo ele, nas últimas semanas a prefeitura recebeu diversas reclamações, principalmente em relação a roçada e capina.
Johnny pediu desculpas aos moradores e afirmou que a prefeitura está tomando medidas para corrigir o problema. “A EBMA, empresa contratada para realizar esse serviço, não tem atendido a contento o que está previsto em contrato e, por isso, está sendo notificada para adequação do trabalho. Nos próximos dias também será realizada uma reunião para alinhar o cumprimento do acordo”, afirmou.
O prefeito também reconheceu falhas internas nos setores responsáveis pela fiscalização e execução dos serviços. Segundo ele, as secretarias municipais de Serviços Públicos e de Desenvolvimento Regional, além das subprefeituras, estão sendo cobradas para corrigir os problemas e melhorar o atendimento às áreas de sua responsabilidade.
O prefeito também pediu a colaboração da população em relação ao descarte irregular de resíduos. De acordo com ele, a prática de abandonar entulhos e objetos nas ruas gera uma série de transtornos, como dificuldade de circulação, poluição visual e proliferação de insetos e outros animais.
Novo contrato para limpeza urbana
O atual cenário ocorre poucas meses após a prefeitura anunciar um novo contrato para a gestão dos serviços de limpeza urbana no município.
Em 18 de dezembro de 2025, foi firmado o contrato de concessão para os serviços de limpeza urbana, manejo de resíduos sólidos domiciliares e destinação final. A vencedora da licitação foi a empresa Vital Engenharia Ambiental S.A., e a operação passou a ser realizada pela Sociedade de Propósito Específico (SPE) EBMA Gestão de Resíduos S.A., criada para executar o serviço.
O contrato tem prazo de 30 anos e valor global de R$ 1.601.666.772,44. Segundo a prefeitura, o novo acordo encerra um período de prorrogações temporárias e marca o início de uma fase de reorganização e modernização da limpeza urbana. Entre as atribuições da concessionária estão a coleta manual e conteinerizada de resíduos domiciliares e públicos, fornecimento e manutenção de contêineres, coleta seletiva porta a porta e em pontos de entrega voluntária, operação de ecopontos, coleta de resíduos de serviços de saúde, além da coleta e destinação de resíduos inertes.
Questionamentos e denúncia
Na última quinta-feira, 5, o vereador Cláudio Damião protocolou uma representação junto ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) solicitando a apuração da ausência do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS) no contrato firmado pela prefeitura com a EBMA.
De acordo com o vereador, a legislação federal determina que os municípios possuam esse plano como instrumento básico de planejamento para a gestão de resíduos sólidos. “Sem o plano o município não consegue captar recursos do Governo Federal para aplicar em políticas voltadas à limpeza urbana. Estamos falando de um instrumento essencial para o planejamento da política pública de resíduos”, afirmou o vereador.
Cláudio Damião também encaminhou denúncias a órgãos ambientais, protocolando documentos junto ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e ao canal Linha Verde, solicitando que o município seja responsabilizado por omissão na coleta de lixo e entulhos.
Na representação encaminhada ao MP, o vereador pede que o órgão avalie a legalidade do novo contrato e verifique se o município atende às exigências da legislação federal para a gestão adequada de resíduos sólidos.
Nesta segunda-feira, 9, A VOZ DA SERRA questionou a EBMA sobre as queixas da população e as falhas no serviço de capina, roçada e limpeza, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.
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