Enquanto escolas particulares abrem, só 58% das municipais têm aulas presenciais

Pais de alunos fazem mutirão para reformar escola no Cascatinha
sexta-feira, 15 de outubro de 2021
por Christiane Coelho, especial para A VOZ DA SERRA
O mutirão de pais na Escola Municipal Cecília Meireles (Fotos de leitores)
O mutirão de pais na Escola Municipal Cecília Meireles (Fotos de leitores)

A pandemia ainda não acabou, mas com o avanço da vacinação, o número de infectados e de mortes causadas pela Covid-19 tem diminuído. O que possibilita um retorno gradual às atividades cotidianas, ainda seguindo as recomendações de distanciamento, uso de máscaras e álcool em gel. E, a volta às aulas de forma presencial está entre essas atividades. Em Nova Friburgo, o retorno de forma híbrida começou em maio. 

As escolas particulares, que já estavam preparadas para receber os alunos, voltaram a funcionar, de acordo com os protocolos dos diversos decretos municipais que permitiram a volta e foram sendo modificados, conforme a vivência nas escolas ia demandando. Primeiro, adotou-se o bandeiramento do Governo do Estado que estipulava o percentual de alunos nas salas de aula. Depois, o distanciamento entre carteiras escolares passou a ser o fator regulatório para o número de alunos nas salas. Escolas maiores puderam receber todos os alunos, cujos pais optaram pelo ensino presencial. As aulas remotas continuam sendo disponíveis para aqueles que ainda não se sentem seguros para voltar às salas de aulas.

“Temos em Nova Friburgo mais de 40 escolas particulares e todas estão funcionando, sem exceção. Todas seguindo rigorosamente os protocolos de segurança, com um metro de distância entre as carteiras e atividades ao ar livre. Algumas estão funcionando com revezamento de turmas, semana sim, semana não ou dia sim, dia não. Exatamente para garantir esse distanciamento. Outras escolas não precisaram fazer isso, porque tem espaço ou quantitativo menor de alunos que optaram pelo presencial”, explica o presidente do Conselho Municipal de Educação Ricardo Lemgruber (foto).

 Além do distanciamento entre as carteiras, oferta de álcool em gel, outros fatores são determinantes para o funcionamento de uma escola de forma presencial, como janelas em salas de aulas, permitindo a ventilação. E, hoje, das 121 escolas municipais, apenas 70 estão funcionando, aptas a receber os alunos que queiram retornar ao ensino híbrido (presencial e remoto). 

Rodízio nas escolas municipais 

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação de Nova Friburgo, devido ao distanciamento, ainda não há possibilidade dos alunos frequentarem as escolas todos os dias da semana. Para isso, foi adotado o rodízio. O ensino remoto permanece, inclusive para aqueles que optaram por não retornar ao ensino presencial.  Depois de quase dois anos fechadas, 51 escolas ainda não estão preparadas para ter, de forma segura, a presença de seus alunos.

Uma comunidade a serviço da educação

A Escola Municipal Cecília Meireles, no bairro Cascatinha, é uma das escolas da rede, com pedagogia alternativa, adotando a metodologia Waldorf, em que os pais são um dos pilares da escola. “No que diz respeito aos pais, existem dois grupos com bastante peso e cada um com suas funções que são: a Associação Pedagógica Cecília Meireles (APCM) que é uma entidade jurídica, composta sobretudo por pais, e que viabiliza a pedagogia na escola, além de ser proprietária do terreno e infraestrutura dela; e o Conselho de Famílias, que é composto pelos representantes de turma de cada classe”, explica Adriana Campo, mãe de alunos da escola. Já a administração da escola fica a cargo da prefeitura.

Como a escola sempre teve o apoio dos pais e da comunidade, não só no que se refere à infraestrutura, mas também à pedagogia, nesse momento de retorno às aulas presenciais, não seria diferente. “Nos reunimos com a direção da escola e a Coordenação de Pedagogias Diferenciadas da Secretaria Municipal de Educação e vimos que a prefeitura e a direção da Escola Cecília Meireles estavam se mobilizando para o retorno acontecer. E, como no método Waldorf a educação é um papel de todos nós, resolvemos nos mobilizar e fazer um mutirão para que as crianças voltassem às aulas com o máximo de segurança”, disse Rafaela Leitão Siqueira Gomes, mãe de uma aluna da escola.

Depois de quase dois anos fechada, a demanda de serviços na escola era grande, como capina, poda de árvores, pintura, consertos e limpezas gerais. “Foi montado um calendário e os pais se voluntariavam, de acordo com seus dias livres e com suas competências, dentro das necessidades no momento: limpeza das salas, transporte de areia e limpeza do parquinho”, explicou Rafaela.

Os alunos também participaram das ações. “É uma prática sempre estarmos mobilizando toda a comunidade para fazer mutirões com intuito de fazer melhorias do espaço, para solucionar alguma questão que seja importante para uma turma, ou um professor. Mas esse foi um dos mutirões mais emocionantes dos quais já participei. A Escola Cecília Meireles agora é um novo lugar. Ter a escola pronta é ressignificar tudo o que a gente acabou de passar, com todas as dificuldades que cada família enfrentou dentro da pandemia. E ter esse lugar de volta, garantido a segurança, o acolhimento, para nós, pais e mães, é mais que só as crianças voltarem à escola. É fundamental para a vida”, explica Maribel Albreschtt, mãe de três alunos da escola.

Nesta segunda-feira, 18, parte dos alunos da Escola Municipal Cecília Meireles, retornam com o primeiro e segundo segmento do ensino fundamental (1º ao 9º ano). “Eu acho que foi um movimento muito bonito. Tomara que todas as crianças possam ter essa oportunidade. E que todos entendam que a educação é todo mundo junto: professor, pais, direção, aluno. Tudo com a intenção de proporcionar saúde mental e conhecimento aos nossos pequenos. A Escola Cecília Meireles tem que voltar a ser a Escola Cecília Meireles. Colégio sem criança não é colégio”, finalizou Rafaela.

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TAGS: Educação