Dívidas aumentam entre as famílias mais pobres em julho

Pesquisa da CNC aponta ainda queda no endividamento entre os mais ricos
quinta-feira, 13 de agosto de 2020
por Jornal A Voz da Serra
Dívidas aumentam entre as famílias mais pobres em julho

O percentual de famílias com dívidas atingiu 67,4% em julho, o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). A constatação é de uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgada esta semana.

Esse crescimento se deve ao aumento do endividamento das famílias com até dez salários mínimos de renda, que chegou ao recorde de 69% em julho, acima dos 68,2% de junho e dos 65,4% de julho de 2019. Por outro lado, o grupo de famílias com renda superior a esse patamar teve uma redução do endividamento, chegando a 59,1% em julho, abaixo dos 60,7% em junho. Apesar disso, o percentual ficou acima dos 58,7% de julho de 2019.

De acordo com a CNC, as necessidades de crédito têm aumentado para as famílias com menor renda, seja para pagamento de despesas correntes, seja para manutenção de algum nível de consumo. Por outro lado, o estudo aponta que, para as famílias de maior renda, tem aumentado a propensão para poupar.

A pesquisa é realizada mensalmente com 18 mil consumidores e considera como as dívidas todas as despesas declaradas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnês de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa, ainda que estejam em dia. A Peic também questiona os entrevistados sobre dívidas ou contas em atraso, percentual que chegou a 26,3% no geral, o maior valor desde setembro de 2017.

Mais uma vez, o percentual cresceu para as famílias de menor renda e caiu para as mais ricas. Enquanto os lares com até dez salários mínimos tiveram aumento de 28,6% em junho para 29,7% em julho, para os demais, o percentual caiu de 11,3% para 11,2%.  

Outro percentual calculado pela pesquisa é o das famílias que não terão condições de pagar suas dívidas, que chegou a 12% em julho, acima dos 11,6% de junho e dos 9,6% de julho de 2019. Nesse caso, o percentual cresceu para os dois grupos de renda: de 13,2% em junho para 13,7% em julho no caso das mais pobres; e de 4,7% em junho para 4,9% em julho no caso das mais ricas.

 

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