Dia Mundial do Diabetes: Ações em Nova Friburgo reforçam a importância da prevenção

Em Nova Friburgo, segundo a Secretaria de Saúde, há aproximadamente 2.800 pessoas com diabetes estão cadastradas na rede municipal
quinta-feira, 13 de novembro de 2025
por estagiária Laís Lima com supervisão de Henrique Amorim
foto: Henrique Pinheiro
foto: Henrique Pinheiro

Nesta sexta-feira,14, quando é celebrado o Dia Mundial de combate ao Diabetes, diversas instituições em todo o mundo realizam ações de conscientização sobre a doença, caracterizada por alterações nas taxas de glicose no sangue, e que afeta milhões de pessoas exigindo atenção constante. 

Em Nova Friburgo, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, as ações de prevenção, orientação e acompanhamento relacionadas ao diabetes acontecem de forma contínua durante todo o ano nas unidades da Atenção Primária. Os pacientes diagnosticados são acompanhados tanto pelas equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF), por meio dos médicos de família, quanto pelos endocrinologistas da rede. Além disso, a Unidade Básica de Saúde Dr. Waldyr Costa conta com uma equipe especializada para o atendimento desses usuários.

A testagem é realizada rotineiramente através dos exames solicitados nas próprias unidades, conforme avaliação clínica. Atualmente, aproximadamente 2.800 pessoas com diabetes estão cadastradas na rede municipal, retirando insumos mensalmente.

Mais iniciativas

O Dia Mundial do Diabetes será marcado no município com uma iniciativa especial da Associação dos Diabéticos de Nova Friburgo (Adinf), que vai oferecer atendimento gratuito à população ao longo de todo o dia.

A ação acontece das 9h às 16h, na Drogaria H7, na Avenida Alberto Braune, em frente à prefeitura, com a realização gratuita de testes de glicemia, aferição de pressão arterial e orientação nutricional. O objetivo é facilitar o acesso a exames simples, mas essenciais, e incentivar o diagnóstico precoce, fundamental para evitar complicações mais graves causadas pelo diabetes, como o comprometimento da visão, dos rins e do sistema cardiovascular.

Cenário nacional preocupa especialistas

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), mais de 13 milhões de brasileiros vivem hoje com a doença, o que corresponde a 6,9% da população. O número crescente de casos reflete um problema de saúde pública que exige maior atenção das autoridades e da sociedade.

O levantamento mais recente da Federação Internacional de Diabetes (IDF), divulgado em 2025, aponta que 589 milhões de adultos vivem com diabetes no mundo. O Brasil ocupa a sexta posição no ranking global de incidência, com 16,6 milhões de diagnósticos, ficando atrás apenas de países muito populosos, como China e Índia.

Esse avanço está diretamente ligado ao estilo de vida moderno: alimentação rica em ultraprocessados, consumo de açúcar acima do recomendado, sedentarismo e excesso de peso são fatores que contribuem para o surgimento do diabetes tipo 2, responsável por cerca de 90% dos casos.

O que é o diabetes e como ele se manifesta

O diabetes é uma condição caracterizada pela produção insuficiente ou pelo mau aproveitamento da insulina, hormônio que controla o nível de açúcar no sangue. Quando não tratado corretamente, pode provocar sérios danos à visão, aos rins, ao coração e ao sistema circulatório.

Entre os sintomas mais comuns estão sede excessiva, vontade frequente de urinar, formigamento nos pés e mãos, visão embaçada, infecções recorrentes e demora na cicatrização de feridas. Como muitos desses sinais podem passar despercebidos, o diagnóstico precoce é determinante para evitar o agravamento da doença.

Desafios no tratamento da doença

 Para quem vive com diabetes, o tratamento vai muito além da medição diária da glicose. Muitos pacientes enfrentam dificuldades para obter medicamentos, insulinas modernas e tecnologias como bombas de insulina e sensores contínuos. Apesar dos avanços na medicina, esses recursos ainda são de difícil acesso para grande parte da população, seja pelo alto custo ou pela oferta limitada no Sistema Único de Saúde (SUS).

Outro ponto importante é a falta de equipes multidisciplinares. O controle adequado da doença depende de acompanhamento com endocrinologistas, nutricionistas, educadores físicos, psicólogos e oftalmologistas. Sem esse suporte, muitos pacientes têm dificuldade para manter hábitos saudáveis e seguir corretamente o tratamento.

Prevenção é o melhor caminho

A boa notícia é que o diabetes tipo 2 (não insulino dependente e tratado com medicamentos combinados com dieta e mudança no estilo de vida) pode ser prevenido com atitudes simples, como manter o peso adequado, praticar atividades físicas regularmente, reduzir o consumo de açúcares e priorizar alimentos naturais. Essas medidas ajudam a evitar o desenvolvimento da doença e também beneficiam quem já convive com ela. A informação é outra grande aliada. Muitas pessoas desconhecem os riscos e as complicações que o diabetes pode causar, e acabam adiando a busca por atendimento médico.

Mobilização reforça compromisso com a saúde pública

O Dia Mundial do Diabetes chama atenção para a necessidade de investir em políticas públicas que ampliem o acesso a exames, medicamentos e atendimento especializado. Ao mesmo tempo, valoriza iniciativas locais que fazem a diferença na vida das pessoas.

Os cuidados que todo paciente diabético deve ter

A recepcionista em Nova Friburgo, Alessandra Couto, tem 37 anos, e desde os 20 convive com o diabetes tipo 2. Ela conta que faz um grande esforço para seguir o tratamento à risca. “Tomo três tipos de medicamentos e procuro sempre fazer exercícios físicos e dieta. Às vezes, confesso, saio da linha e como uma sobremesa. Ninguém é de ferro, mas depois me sinto culpada”, conta a paciente que vai rotineiramente às consultas com um endocrinologista e quando tem distúrbios na taxa de glicose, aplica doses de insulina em casa. 

“O médico sempre me orienta sobre a importância de manter os níveis de glicemia sempre estáveis (se possível, até 100 mgl, em jejum) para não comprometer a minha saúde. O diabetes é uma doença traiçoeira. Não aparenta sintomas no início, mas lá na frente, se não houver cuidado, o preço a ser pago será alto”, sustenta Alessandra.     

Mais do que números, a data reforça um compromisso coletivo: garantir qualidade de vida, informação e tratamento adequado para quem vive com a doença, e criar condições para que novos casos sejam prevenidos no futuro.

 

 

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