Este sábado, 11, é o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, uma boa oportunidade para se reforçar a importância da conscientização da população sobre os riscos dessa doença crônica e a adoção de hábitos saudáveis para sua prevenção.
A obesidade acomete pessoas de todas as idades e está associada a diversos problemas graves de saúde, como doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão, além de estigmas e estereótipos preconceituosos relacionados ao excesso de peso, que podem desencadear problemas psicológicos, depressão, baixa autoestima e angústia.
É importante saber que atualmente a obesidade representa um dos maiores desafios de saúde pública, sendo considerada epidemia pelo Ministério da Saúde. De acordo com projeções do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (Iess), esse problema poderá atingir até 30% da população adulta brasileira até 2035.
Entre os mais jovens, um em cada três crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos no Brasil tem sobrepeso ou obesidade, de acordo com levantamento nacional com base nos dados do Sistema Único de Saúde (SUS). Já no Rio Grande do Sul, segundo o ImpulsoGov, cerca de 40% das crianças estão em situação de sobrepeso.
Ações
Para auxiliar a população, o Conselho Federal de Medicina publicou novas normas para cirurgias bariátricas. No caso de adolescentes, a atualização permite que pacientes a partir dos 14 anos possam ser submetidos aos procedimentos. Para isso, eles precisam se enquadrar em casos muito graves, com IMC acima de 40, que levem a complicações de saúde.
Outro procedimento liberado é a gastroplastia endoscópica. Utilizando um dispositivo acoplado à ponta do endoscópio para a realização de uma sutura, a técnica é feita exclusivamente por via endoscópica, sem cortes. Em comparação às cirurgias tradicionais, traz menor tempo de recuperação, sem necessidade de internação.
A realidade por trás dos números
Apesar dos avanços, o acesso ao tratamento ainda é desigual no país. Entre as pessoas que convivem com essa realidade está Jucilene Soares, 48 anos, moradora de Nova Friburgo, que há anos tenta tratar a obesidade pelo SUS, mas enfrenta inúmeras barreiras. Ela conta que a maior dificuldade está na falta de endocrinologistas disponíveis na rede pública da região.
“Quando conseguimos consulta, os poucos especialistas disponíveis estão sobrecarregados atendendo pacientes com diabetes e outros problemas. A obesidade acaba ficando em segundo plano, como se não fosse uma doença séria”, relata. Sem acompanhamento adequado, Jucilene afirma que o tratamento se torna quase impossível, o que gera frustração e impacto emocional.
Para ela, falar sobre o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade é fundamental. “Essa data precisa servir de alerta. As pessoas pensam que é só questão de ‘fechar a boca’, mas não é. Precisamos de apoio, de profissionais, de políticas públicas. A obesidade é uma doença e deve ser tratada com responsabilidade”, destaca.
Jucilene reforça que a sociedade e o poder público precisam prestar mais atenção ao tema, garantindo acesso a cuidados e acolhimento para quem vive essa condição.
O que é obesidade
Segundo o Ministério da Saúde, a doença é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o acúmulo anormal ou excessivo de gordura no corpo. Representando um grande problema de saúde pública mundial, a obesidade pode ser causada por diversos fatores, como inatividade física, consumo excessivo de calorias e de alimentos ultraprocesados, sono insuficiente, disruptores endócrinos, ambiente intrauterino, uso de medicamentos obesogênicos e status socioeconômico. Além disso, a obesidade está diretamente relacionada ao agravamento de outras doenças como hipertensão arterial, diabetes, problemas renais e até diferentes tipos de câncer.
Alimentação saudável e atividade física
A prevenção da obesidade é a melhor estratégia para garantir a saúde e o bem-estar da população desde a infância. Sabe-se que o padrão alimentar relacionado às doenças crônicas não transmissíveis é caracterizado, especialmente, pelo baixo consumo de alimentos in natura e minimamente processados, em paralelo ao consumo excessivo de ultraprocessados. A obesidade está mais relacionada à qualidade do que se come, do que à quantidade ingerida. Além disso, a falta ou insuficiência de atividade física também desempenha um papel importante no desenvolvimento da doença.
Riscos e projeções
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), os números da doença tendem a crescer nos próximos anos. Cerca de 13 tipos de câncer já possuem alguma relação com a obesidade, sendo os mais comuns os de fígado, mama, tireóide, ovário, rim, pâncreas e estômago.
E essa é uma realidade que tende a evoluir de forma negativa: até 2025 serão 29 mil novos casos de câncer causados pelo excesso de peso (4,6% do total), segundo estudo epidemiológico feito em colaboração com a Harvard University (Estados Unidos) e publicado em 2018. Se as tendências atuais continuarem, quase 3 bilhões de adultos, metade da população mundial, terão sobrepeso ou obesidade até 2030.
Além disso, poucos países estão plenamente preparados para enfrentar essa realidade, seja por meio da prevenção ou do tratamento adequado. Essas são algumas das conclusões do Atlas Mundial da Obesidade 2025, relatório produzido pela Federação Mundial da Obesidade.
O impacto da obesidade no Brasil
No Brasil, a realidade segue a mesma tendência preocupante. O número de pessoas com obesidade cresce a cada ano:
· Em 2003, 12,2% da população adulta vivia com obesidade;
· Em 2019, esse percentual mais que dobrou, chegando a 26,8%;
· Em 2025, a projeção é que 31% da população adulta esteja com obesidade.
E as perspectivas futuras não são melhores. Até 2030, a obesidade pode aumentar em 33,4% entre os homens e 46,2% entre as mulheres. Se nada mudar, até 2044, quase metade da população adulta brasileira (48%) terá obesidade, e outros 27% viverão com sobrepeso, um cenário crítico para a saúde pública.
Aproximadamente um a cada três brasileiros (31%) vive com obesidade, e essa porcentagem tende a crescer nos próximos cinco anos. No país, cerca da metade da população adulta, entre 40% e 50%, não pratica atividade física na frequência e intensidade recomendadas. Os dados são do Atlas Mundial da Obesidade 2025 (World Obesity Atlas 2024), da Federação Mundial da Obesidade (World Obesity Federation – WOF).
Um desafio coletivo
Combater a obesidade não pode mais ser adiado. Criar ambientes que incentivem hábitos saudáveis, garantir o acesso a alimentos nutritivos e promover a prática de atividades físicas são passos fundamentais. Regulamentar a publicidade de alimentos ultraprocessados e ampliar políticas públicas eficazes também são estratégias essenciais. O futuro da saúde global depende das escolhas que fazemos hoje.
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Reportagem da estagiária Laís Lima com informações do Conselho Nacional de Nutrição. Supervisão de Henrique Amorim

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