Ciclone Yakecan no mar acende alertas e deve provocar ventos e recordes de frio

Madrugada de quarta para quinta deve marcar apenas 5 graus em Friburgo, prevê meteorologia
terça-feira, 17 de maio de 2022
por Adriana Oliveira (aoliveira@avozdaserra.com.br)
O céu de Friburgo no fim de tarde desta terça (Foto: Adriana Olveira)
O céu de Friburgo no fim de tarde desta terça (Foto: Adriana Olveira)

A onda mais  forte de frio do ano, até agora, está chegando e promete derrubar as mínimas para até 5 graus  em Nova Friburgo  na madrugada desta quarta para quinta-feira, 19,  em pleno outono. Não está descartada a possibilidade de formação de geada ao amanhecer  nas áreas mais altas do município.

As máximas, ou seja, as temperaturas nas horas mais quentes do dia, não deverão passar de 16 graus. Isto sob sol pleno, sem nuvens, como indicam as previsões meteorológicas para os próximos dias em Friburgo A tendência é que as temperaturas subam aos poucos  ao longo do fim de semana e da próxima semana, mas para um patamar mais frio que o atual

Segundo o Climatempo, várias cidades devem registrar agora novos recordes de frio este ano. O motivo da friagem é o avanço de uma massa de ar polar associada à formação de sucessivos ciclones  extratropicais sobre o oceano, desde a semana passada. Esse ciclones atuam jogando mais umidade para o continente, como uma  turbina.

O mais recente deles, na costa do Rio Grande do Sul e do Uruguai, está ganhando força nesta terça  e deve se transformar em uma tempestade subtropical, conforme a Marinha. Este sistema foi batizado de Yakecan e será o 15º fenômeno meteorológico relevante a se formar em águas oceânicas brasileiras e a receber um nome.

O que já vinha chamando a atenção dos meteorologistas brasileiros, e de outros centros internacionais de monitoramento meteorológico, é a trajetória anômala deste sistema, que tende a avançar do mar para o continente, segundo a Marinha. O comum é que estes ciclones passem pela costa da Região Sul, às vezes do Sudeste, e avancem para o alto-mar. 

Independentemente de sua classificação técnica, esse ciclone é uma área de baixa pressão atmosférica muito intensa e com potencial para provocar ventania perigosa, até agora restrita apenas ao Sul do Brasil. 

A Marinha do Brasil emitiu um alerta sobre o forte ciclone Yakecan, que pode causar estragos no Sul do país.  Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a Região Sul é a que mais deve sofrer: os ventos podem chegar a 115 km/h ou mais, causando destelhamentos.

O vento forte e persistente provocado pelo ciclone sobre o oceano deixa o mar muito agitado e gera grandes ondas que vão provocar ressaca, inclusive no Sudeste. A situação é de perigo para  a navegação marítima.

Frio precoce é efeito do La Niña, que continua 

O Climatempo  já tinha previsto - e o jornal A VOZ DASERRA, noticiado -  a primeira onda de frio intenso deste ano  para a segunda quinzena de maio. 

O frio precoce pode ser efeito do prolongamento do fenômeno La Niña (resfriamento das águas do Oceano Pacífico), que se estabeleceu na primavera de 2021,  atravessou todo o verão de 2022,  já afeta o outono, promete ficar durante o inverno e ameaça se estender  até o início de 2023.

Segundo o Climatempo, o fenômeno havia perdido força em fevereiro e março, mas voltou a se intensificar  em  abril, com o deslocamento de águas mais frias das camadas mais profundas do Pacífico em direção à superfície. Esse novo resfriamento indicou aos meteorologistas que o fenômeno poderá persistir por mais alguns meses.

Em março, como mostrou A VOZ DA SERRA, um relatório do Instituto de Pesquisas Internacionais para o Clima e Sociedade (IRI), ligado à Universidade de Columbia, nos EUA, já previa a continuidade do La Niña nos meses seguintes. 

Ainda  há divergências quanto à duração desse prolongamento. Enquanto alguns modelos meteorológicos indicam que o fenômeno deve atuar até o fim do  inverno, em setembro, outros cogitam a possibilidade de La Niña se estender até o  início de 2023. De certeza até agora, só há a alta probabilidade de La Niña continuar neste  inverno, oscilando de fraco a moderado.  

La Niña influencia o clima no mundo todo. No Brasil, define o regime de chuvas no verão, facilitando, o Sudeste,  a formação de corredores de umidade que descem da Amazônia. Daí o verão altamente chuvoso que tivemos. Por causa do fenômeno,  o verão friburguense só teve 24 dias quentes e ensolarados e dias com termômetros marcando apenas 12 graus em pleno fevereiro, como mostrou A VOZ DA SERRA. .

Assim como abril, maio é um mês de transição, com grandes variações térmicas e, consequentemente, mudanças bruscas de temperatura. Por isso nesta época ficam  mais recorrentes os nevoeiros (foto acima, de Vera Barcellos), que costumam se dissipar nas primeiras horas da manhã.  Os dias ficam bem mais frios, mas nem tão secos:  ainda ocorrem chuvas, porém rápidas. 

Como um dos principais efeitos de La Niña é o frio precoce, em fevereiro o Climatempo já previa  que maio poderia ser um mês com bastante oscilação de temperaturas, variando de dias muito quentes para dias frios devido ao avanço de massas de ar de origem polar.

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TAGS: Clima