Caru de Souza e arte de construir encontros

Reconhecida como uma das vozes femininas da nova geração do blues carioca, a cantora acumula participações em importantes festivais do gênero
sexta-feira, 26 de junho de 2026
por Marcelo Gonzales
Foto: Divulgação
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Entre a moda, a música e o blues, Caru de Souza transformou sua trajetória artística em uma ponte que conecta pessoas, histórias e movimentos culturais dentro e fora de Nova Friburgo.

Alguns artistas que deixam sua marca pelos palcos que ocupam. Outros são lembrados pelas canções que interpretam. Mas existem aqueles cuja presença ultrapassa os limites da própria obra e se revela na capacidade de aproximar pessoas, incentivar talentos e fortalecer a cultura ao seu redor. Em Nova Friburgo, Caru de Souza construiu sua trajetória exatamente nesse encontro entre arte e coletividade.

Reconhecida como uma das vozes femininas da nova geração do blues carioca, a cantora acumula participações em importantes festivais do gênero, colaborações com músicos nacionais e internacionais e um trabalho autoral que encontrou seu ponto alto no lançamento do álbum "Amor, Pele & Blues", em 2024. Mais do que isso, tornou-se uma presença constante na construção de redes culturais que ajudam a manter viva a cena artística da região serrana.

A relação de Caru com a arte começou cedo. Nascida no Rio de Janeiro, chegou ainda criança a Nova Friburgo, onde encontrou os primeiros estímulos para desenvolver sua criatividade. Entre desenhos, aulas de piano, teatro e apresentações escolares, a música passou a ocupar um espaço cada vez maior em sua vida. Aos cinco anos, em uma festa de Natal do Colégio Nossa Senhora das Dores, viveu sua primeira experiência diante do público ao cantar "Aquarela", de Toquinho.

Durante a juventude, transitou entre diferentes linguagens artísticas. Estudou música, aprofundou sua experiência teatral e, mais tarde, ingressou no curso superior de Moda. O caminho profissional seguiu inicialmente por essa área, mas a música nunca deixou de caminhar ao seu lado.

Foi no início dos anos 2000 que essa ligação ganhou força definitiva. Ao retornar para Nova Friburgo após a graduação, criou o projeto Blu Et Noir, duo de voz e violão que marcou seus primeiros passos nos palcos da cidade.

Pouco tempo depois, integrou a banda Gnose, um dos nomes que ajudaram a movimentar a cena alternativa friburguense durante mais de uma década.

O encontro com o blues aconteceu de forma natural. Influenciada inicialmente por artistas como Led Zeppelin e Janis Joplin, foi ao mergulhar na obra de Nina Simone que encontrou uma identidade musical capaz de traduzir sua forma de cantar e de compreender a arte. A partir dali, passou a construir um repertório marcado pelo protagonismo feminino, revisitando intérpretes históricas como Koko Taylor, Bessie Smith e Billie Holiday.

A presença constante em eventos dedicados ao gênero ampliou seu alcance artístico. Ao longo dos anos, dividiu palco com nomes importantes do blues brasileiro e internacional, participou do Festival Sesc de Verão, do Festival de Jazz & Blues de Rio das Ostras, do Fundinho Festival, em Uberlândia, além de se tornar figura presente em todas as edições do Fri Jazz & Blues, realizado em Lumiar e São Pedro da Serra.

Sua voz também passou a integrar diferentes projetos musicais, participando de gravações de artistas e bandas de diversas regiões do país. Em 2024, essa experiência acumulada resultou no lançamento de seu primeiro álbum autoral, "Amor, Pele & Blues", trabalho que reúne composições próprias e reafirma sua identidade dentro da música brasileira contemporânea.

Paralelamente à carreira artística, Caru sempre manteve uma atuação voltada para a valorização de outros músicos e para o fortalecimento da participação feminina na cena cultural. É integrante do espetáculo "Mulheres do Blues", criadora do Clube Magnólia e membra fundadora da União Brasileira do Blues, iniciativas que ampliam espaços de visibilidade e troca entre artistas.

Em 2026, essa trajetória recebeu mais um reconhecimento com o prêmio Mulher é Arte – Troféu Dirce Montechiari, concedido pela Prefeitura de Nova Friburgo. Uma homenagem que sintetiza não apenas a qualidade de sua produção artística, mas também sua contribuição para a construção de uma cena cultural mais diversa, colaborativa e representativa.

Ao longo dos anos, Caru de Souza transformou a música em linguagem, encontro e pertencimento. E talvez seja justamente essa capacidade de reunir pessoas em torno da arte que explique por que sua voz ecoa para além dos palcos, ajudando a compor a trilha sonora de uma região que continua encontrando na cultura uma de suas formas mais bonitas de resistência e identidade.

 

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