Moradores de Macaé de Cima organizam mutirão de roçada

A ação acontece nesta quarta-feira, na Estrada dos Garlipp
terça-feira, 10 de março de 2026
por Jornal A Voz da Serra
Foto: Henrique Pinheiro
Foto: Henrique Pinheiro

Moradores de diversos bairros de Nova Friburgo vêm denunciando à redação de A VOZ DA SERRA a falta de capina e roçada nas ruas e loteamentos, serviços recentemente terceirizados pela prefeitura e que não vem sendo cumpridos à risca. Cansados de esperar pelo serviço, moradores das localidades rurais de Macaé de Cima, Rio das Flores e Rio Bonito estão organizando um mutirão de manutenção da Estrada dos Garlipp até a bifurcação do acesso a Rio das Flores e Rio Bonito. A ação está marcada para a manhã desta quarta-feira, 11.

Segundo a Associação Macaé de Cima (AMC), a estrada está bem crítica, com mato alto invadindo a pista, pontas de pedras, valas entupidas e enormes valetas, que impedem o tráfego de veículos. De acordo com a AMC, a última manutenção de grande porte na estrada foi feita há cerca de seis anos. As últimas manutenções foram realizadas por moradores, com ou sem participação da prefeitura. Para o mutirão desta quarta, a prefeitura promete enviar funcionários para ajudar.

Falta de suporte 

Segundo Carla Delorenci de Pinho, diretora-tesoureira da AMC, moradores das áreas rurais de Nova Friburgo sofrem com o abandono. "As solicitações de manutenção periódica são frequentes, mas a prefeitura não faz a manutenção preventiva da estrada. Somente quando a via já está impraticável e os moradores fazem mutirões é que a prefeitura manda alguém para ajudar. Isso é uma vergonha, pois a manutenção preventiva do acesso é um dever do município e um direito nosso.", explicou.

Ela também comenta sobre outras situações de abandono das comunidades rurais. Para ela, a situação das pequenas comunidades é muito clara: com pouca representatividade política, essas regiões ficam cada vez mais esquecidas pelo poder público. Carla explica que, por causa da falta de serviços básicos, muitas famílias que nasceram e sempre viveram ali estão sendo obrigadas a ir embora. Faltam escolas, atendimento regular de saúde e condições adequadas de acesso.

“Isso acontece justamente nas cabeceiras do Rio Macaé, rio mais importante do estado, dentro de uma área de proteção ambiental como Macaé de Cima, que gera ICMS Verde, produz água e abriga uma das áreas mais ricas em biodiversidade da Mata Atlântica. Mesmo assim, os serviços públicos vêm diminuindo, a coleta de lixo passou a ser feita apenas a cada 15 dias, as escolas oferecem cada vez menos vagas e o atendimento do PSF (Posto de Saúde da Família) não tem regularidade. A comunidade também não conta nem sequer com uma van que faça o transporte até o centro do município”, finaliza.

 

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