O aumento de casos de esporotricose nos últimos dias em Nova Friburgo tem preocupado moradores e protetores de animais. A doença caracterizada por uma micose subcutânea é causada pelo fungo do gênero Sporothrix e pode afetar humanos e animais, principalmente gatos, que representam mais de 50% das ocorrências. Embora a enfermidade seja pouco grave em pessoas, pode ser fatal para os felinos.
Moradores do bairro Cascatinha relatam a proliferação da doença entre gatos de rua recentemente. A moradora Fernanda Vieira relata que já fez contatos com a Secretaria Municipal do Bem-estar Animal (Sebea) relatando a presença de um gato com esporotricose na rua onde ela mora, a Travessa Natália. “Já cuidamos dele antes, mas a doença voltou, e agora está pior. Temos até o remédio para aplicar, mas o gatinho é arisco e não aceita aproximação nem medicação na comida”, conta.
Fernanda ainda ressalta que quando entrou em contato com a Sebea um funcionário “passou o caso para o setor de Vigilância em Saúde, da prefeitura. Lá, disseram que não podiam fazer nada. Perguntei sobre a clínica particular que foi contratada pela prefeitura para atendimento aos animais de rua, mas me responderam que não podemos levar o gato doente lá porque esse serviço só faz atendimentos para animais vítimas de acidentes, fraturas e maus-tratos”.
A moradora relatou ainda que tentou contato com o setor de Vigilância em Saúde e obteve como resposta que “nada poderia ser feito e que já havia sido feita uma reunião, pois essa questão é de competência da Sebea.” Fernanda diz que o funcionário lhe prometeu um retorno, mas, até agora, nada. “No fim das contas, é aquele empurra-empurra sem fim e ninguém faz nada”, lamentou. Protetores de animais também alertam que há registros de infecção por esporotricose em diversos felinos no bairro Granja Spinelli, indicando uma possível infestação.
A VOZ DA SERRA entrou em contato com a Subecretaria de Comunicação Social da prefeitura para saber informações sobre a denúncia da moradora do bairro Cascatinha, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
O que é a doença
O fungo que causa a esporotricose vive no solo, palha, vegetais, espinhos e madeira, encontrando condições ideais de sobrevivência em regiões quentes e úmidas, com alta densidade populacional de gatos. O Sporothrix brasiliensis é a espécie responsável pela forma zoonótica da doença, aquela transmitida dos animais para os humanos.
Em gatos, a esporotricose se manifesta por feridas na pele, geralmente na face, orelhas e patas, que demoram a cicatrizar. Nos humanos, a infecção ocorre pelo contato direto com lesões de animais infectados, arranhões, mordidas ou secreções. As feridas surgem nos braços, mãos ou rosto, podendo se espalhar pelos vasos linfáticos, acompanhadas de vermelhidão, inchaço e caroços sob a pele. Em casos mais graves, o fungo pode atingir os pulmões, causando tosse e falta de ar.
Os sintomas em humanos aparecem de forma lenta, dias ou semanas após o contato. Entre os sinais mais comuns estão: feridas que não cicatrizam; caroços vermelhos sob a pele; dor e aumento da sensibilidade na região; feridas com pus; ínguas próximas às lesões; febre e mal-estar.
Diagnóstico e tratamento
Para humanos, o tratamento da esporotricose está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é eficaz quando iniciado precocemente. Em gatos, o diagnóstico deve ser feito por um médico veterinário, que pode solicitar exames de sangue, citológicos ou histopatológicos para descartar outras doenças e confirmar a infecção. O tratamento envolve antifúngicos sistêmicos e tópicos, acompanhado de acompanhamento laboratorial até a conclusão do processo.
É fundamental o descarte correto de materiais contaminados para evitar riscos à saúde de pessoas, animais e ao meio ambiente. Apesar disso, a maioria dos contatos com o fungo não causa a doença, afetando principalmente indivíduos com sistema imunológico comprometido ou feridas na pele.
Prevenção
O cuidado com gatos e o uso de luvas ao manusear animais ou materiais orgânicos suspeitos são essenciais para evitar a transmissão da doença. Qualquer ferida na pele que não cicatriza deve ser avaliada por um profissional de saúde, e os animais devem ser levados ao veterinário ao surgirem sinais da doença.
A esporotricose, apesar de pouco comum, exige atenção redobrada de tutores, protetores e autoridades de saúde para conter a disseminação e proteger humanos e felinos da doença.

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