Lovebetter: Quando a Tecnologia tenta traduzir as emoções

Criado pela psicóloga brasileira Eliana Monteiro, radicada na Irlanda, aplicativo utiliza inteligência artificial para ajudar pessoas
quinta-feira, 04 de junho de 2026
por Marcelo Gonzales
Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

Há quem passe a vida tentando entender o amor. Não como tema de poemas ou canções, mas como objeto de estudo. O que faz duas pessoas escolherem caminhar juntas? Por que alguns relacionamentos resistem ao tempo enquanto outros se perdem pelo caminho? E, sobretudo, por que pessoas que se amam tantas vezes acabam sofrendo uma com a outra?

Essas perguntas acompanharam a trajetória da psicóloga Eliana Monteiro desde muito antes de se transformarem em pesquisa acadêmica. Nascida em Bom Jardim, na Região Serrana do Rio de Janeiro, ela construiu uma formação marcada pela busca de respostas para os desafios da vida afetiva. 

Estudou Teologia, formou-se em Psicologia, especializou-se em Sexualidade Humana e, mais tarde, mudou-se para a Irlanda, onde concluiu um doutorado em Psicologia Aplicada pela Universidade de Cork.

Foi durante essa jornada que uma descoberta chamou sua atenção. 

Ao investigar as diferenças entre casais felizes e infelizes, percebeu que os conflitos nem sempre surgiam por razões distintas. Em muitos casos, as discussões giravam em torno dos mesmos temas. O que fazia diferença era a forma como cada casal lidava com o que acontecia depois da divergência.

Segundo Eliana, muitas crises não nascem da ausência de amor, mas da dificuldade de compreensão. O que uma pessoa diz nem sempre corresponde ao que a outra escuta. Entre uma frase e sua interpretação surgem mal-entendidos, ressentimentos e distâncias emocionais que, quando acumulados, transformam companheiros em estranhos vivendo sob o mesmo teto.

Dessa percepção nasceu o LoveBetter, plataforma desenvolvida para auxiliar pessoas a compreender melhor seus sentimentos e os conflitos que enfrentam nos relacionamentos. O funcionamento é simples: o usuário descreve uma situação vivida e informa como está se sentindo. Em poucos segundos, a inteligência artificial apresenta uma análise que busca identificar emoções, necessidades afetivas e possíveis caminhos para uma conversa mais construtiva.

A proposta não é apontar culpados nem substituir o acompanhamento profissional. A intenção é oferecer uma pausa entre a emoção e a reação, ajudando as pessoas a enxergarem aquilo que, muitas vezes, fica escondido por trás das palavras ditas durante uma discussão.

A própria criadora costuma definir o aplicativo como uma espécie de “tradutor emocional”. A comparação ajuda a compreender a ideia central do projeto: se diferentes idiomas precisam de tradução para serem compreendidos, talvez algo semelhante aconteça com as emoções. Muitas vezes existe afeto, mas faltam ferramentas para interpretar o que o outro realmente está tentando comunicar.

Ainda em fase de desenvolvimento, o LoveBetter já alcançou usuários em dezenas de países e vem crescendo principalmente por indicação espontânea. O interesse despertado pela proposta revela um fenômeno cada vez mais presente na sociedade contemporânea, a busca por apoio tecnológico para questões tradicionalmente consideradas humanas.

Se durante décadas as pessoas recorreram a conselhos de amigos, livros especializados ou consultórios para entender seus relacionamentos, agora começam a experimentar uma nova possibilidade. A tecnologia passa a ocupar espaço também nas conversas sobre afeto, diálogo e convivência.

Talvez nenhuma inteligência artificial seja capaz de resolver sozinha os desafios do amor. Mas iniciativas como o LoveBetter mostram que, em um mundo cada vez mais conectado, a tentativa de compreender melhor uns aos outros continua sendo uma das mais antigas e importantes necessidades humanas.

Mais informações: https://lovebetter.app

 

 

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