Neste domingo,7, o Brasil celebra o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa, uma data que remete a um dos capítulos mais importantes da história do jornalismo brasileiro. A comemoração tem origem em um ato de resistência realizado em 1977, quando a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) publicou o “Manifesto pela Liberdade de Imprensa”, documento que denunciava a censura imposta pelo regime militar e defendia o direito da sociedade ser informada livremente.
A iniciativa ocorreu em um dos períodos mais delicados da história do país. Embora o governo do então presidente Ernesto Geisel já sinalizasse uma abertura política gradual, o Brasil ainda vivia sob os efeitos da ditadura militar instaurada em 1964. A censura aos meios de comunicação, a perseguição a opositores do regime e as restrições às liberdades individuais ainda faziam parte da realidade nacional.
O manifesto reuniu aproximadamente três mil assinaturas de jornalistas de diferentes regiões do país e tornou-se um símbolo da luta pela liberdade de expressão e pelo direito à informação. A escolha da data para celebrar a liberdade de imprensa no Brasil é uma homenagem à coragem desses profissionais, que desafiaram um sistema repressivo para defender um dos pilares fundamentais da democracia.
Uma história marcada pela resistência
A publicação do manifesto aconteceu menos de dois anos após a morte do jornalista Vladimir Herzog, então diretor de jornalismo da TV Cultura. Em outubro de 1975, Herzog foi preso por agentes do regime militar e morreu sob tortura nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo. O caso gerou forte repercussão nacional e internacional e tornou-se um marco da luta pelos direitos humanos e pela liberdade de imprensa no Brasil.
Durante o período da ditadura, jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão eram submetidos a rigorosos mecanismos de controle. Reportagens eram censuradas antes mesmo de serem publicadas, profissionais eram perseguidos e muitos veículos precisavam recorrer a estratégias criativas para denunciar a existência da censura sem enfrentar sanções ainda mais severas.
Com a redemocratização do país, a Constituição Federal de 1988 passou a garantir a liberdade de expressão e de imprensa como direitos fundamentais. No entanto, especialistas destacam que a preservação dessas conquistas exige vigilância permanente.
A liberdade de imprensa é considerada um dos pilares de qualquer regime democrático. Ela assegura que jornalistas possam investigar, apurar e divulgar informações de interesse público sem sofrer censura, intimidação ou represálias.
Mais do que um direito dos profissionais da comunicação, trata-se de uma garantia da própria população. É por meio do trabalho da imprensa que cidadãos têm acesso a informações sobre políticas públicas, decisões governamentais, economia, saúde, educação, segurança e diversos outros temas que impactam diretamente suas vidas.
Além de informar, o jornalismo exerce uma função fiscalizadora, acompanhando a atuação dos poderes públicos e privados e contribuindo para a transparência das instituições. Quando a imprensa atua de forma livre e independente, a sociedade ganha instrumentos para participar de maneira mais consciente da vida democrática.
Novos desafios para o jornalismo
Embora a censura institucionalizada tenha ficado no passado, o exercício da profissão continua enfrentando obstáculos. De acordo com levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o Brasil registrou 164 casos de violência contra jornalistas em 2023.
As ocorrências incluem agressões físicas, ameaças, intimidações, assédio judicial e ataques virtuais. O crescimento da desinformação nas redes sociais e a disseminação de notícias falsas também representam desafios para os profissionais da área, que precisam lidar diariamente com a necessidade de verificar informações e combater conteúdos enganosos.
Outro ponto de preocupação é a concentração dos meios de comunicação e a necessidade de ampliar a diversidade de vozes presentes no debate público. Especialistas defendem que uma imprensa plural e representativa fortalece a democracia ao permitir que diferentes perspectivas sejam apresentadas à sociedade.
Uma nova geração comprometida com a informação
Enquanto o jornalismo enfrenta transformações impulsionadas pelas novas tecnologias e pelas mudanças nos hábitos de consumo de notícias, uma nova geração de profissionais começa a ocupar espaço nas redações e universidades.
A estudante de Jornalismo, Eleonora Martins, de 22 anos, que ingressou recentemente na graduação, vê na profissão uma oportunidade de contribuir para a sociedade por meio da informação.
“Escolhi o Jornalismo porque acredito no poder que a informação tem de transformar realidades. Quando conhecemos a história da liberdade de imprensa no Brasil, entendemos que muitos profissionais enfrentaram riscos e dificuldades para garantir um direito que hoje parece natural, mas que foi conquistado com muita luta”, afirma.
Para ela, os desafios atuais reforçam a importância do trabalho jornalístico. “Vivemos um momento em que as informações circulam muito rápido. Isso torna ainda mais importante o papel do jornalista na checagem dos fatos e na produção de conteúdos confiáveis. A liberdade de imprensa é essencial para que possamos cumprir essa missão”, destaca a universitária.
Um compromisso que permanece atual
Passados 49 anos da publicação do Manifesto pela Liberdade de Imprensa, a data continua carregando um significado profundo para jornalistas e para toda a sociedade brasileira. Mais do que recordar um momento histórico, o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa reforça a importância da defesa permanente da informação livre, do pensamento crítico e da democracia.
Em um cenário marcado pela velocidade das redes sociais, pela circulação de conteúdos falsos e pelos constantes desafios enfrentados pelos profissionais da comunicação, preservar a liberdade de imprensa significa garantir que a população continue tendo acesso a informações de qualidade, produzidas com responsabilidade, ética e compromisso com a verdade.
A história mostra que uma sociedade bem informada é também uma sociedade mais forte, participativa e preparada para defender seus direitos. Por isso, a liberdade de imprensa permanece não apenas como uma conquista do passado, mas como uma necessidade permanente para o futuro do país.
(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim

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