As viagens se tornaram frequentes. A natureza, cada vez mais presente. Até que surgiu o convite para viverem numa propriedade rural em Toca da Onça, dentro de uma área de preservação cercada por mata. A casa era simples, de pau a pique, alimentada por energia solar e acessível apenas por uma longa caminhada por trilha.
Foi para lá que seguiram os três: Iris, Santiago e Cecília, filha de um relacionamento anterior de Iris, que encontrou em Santiago um companheiro de vida e de cuidados. Enquanto a menina estudava à distância, a família aprendia uma nova forma de existir.
Entre plantações, fogão a lenha e o silêncio da floresta nasceram também as primeiras composições. Iris escrevia poemas. Santiago criava melodias e arranjos. Aos poucos, as canções começaram a registrar a própria história que viviam. Não eram músicas inspiradas pela vida. Eram a própria vida transformada em música.
Foi naquele cenário que surgiu "Sertão da Paz", projeto autoral que reúne lembranças, paisagens e sentimentos de uma família que escolheu desacelerar para recomeçar.
A chegada de Yara, a segunda filha do casal, trouxe novos desafios e novos horizontes. Os shows começaram ainda em 2021 e logo se espalharam pelos palcos de Lumiar, São Pedro da Serra e Nova Friburgo. Muitas vezes a bebê acompanhava os pais nas apresentações, acomodada em um carrinho ou cercadinho montado ao lado dos instrumentos.
Hoje, após mais de mil apresentações realizadas juntos, Iris e Santiago continuam dividindo muito mais do que um palco. Compartilham a criação das músicas, a rotina da casa, os sonhos, as filhas e os planos para o futuro.
Na prática, contam que quase não existe separação entre a vida familiar e o processo criativo. As ideias surgem na cozinha, durante viagens de carro ou no meio das tarefas cotidianas. A música acontece enquanto a vida acontece.
As filhas cresceram cercadas por esse ambiente. As duas demonstram afinidade com a arte e participam naturalmente do universo criativo construído pelos pais. Um universo que, segundo o casal, é tão bonito quanto contraditório.
Há momentos em que a casa exige mais atenção. Em outros, é a arte que ocupa o centro dos dias. E é justamente nesse equilíbrio imperfeito que a família encontra seu caminho.
Talvez seja por isso que, ao serem perguntados sobre o que sustenta a relação nos períodos difíceis, eles não falem sobre sucesso ou reconhecimento. Falam sobre propósito. Sobre a família que construíram. Sobre os sonhos compartilhados.
Antes de cada viagem ou apresentação, mantêm um pequeno ritual. Dentro do carro, fazem uma oração juntos. Agradecem o que possuem e os caminhos que ainda desejam percorrer.
Entre montanhas, canções e afetos, a história de Iris e Santiago parece lembrar algo simples e precioso: algumas famílias são construídas tijolo por tijolo. Outras são construídas nota por nota. A deles, talvez, seja feita das duas coisas.
Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana
Personalidade
As viagens se tornaram frequentes. A natureza, cada vez mais presente. Até que surgiu o convite para viverem numa propriedade rural em Toca da Onça, dentro de uma área de preservação cercada por mata. A casa era simples, de pau a pique, alimentada por energia solar e acessível apenas por uma longa caminhada por trilha.
Foi para lá que seguiram os três: Iris, Santiago e Cecília, filha de um relacionamento anterior de Iris, que encontrou em Santiago um companheiro de vida e de cuidados. Enquanto a menina estudava à distância, a família aprendia uma nova forma de existir.
Entre plantações, fogão a lenha e o silêncio da floresta nasceram também as primeiras composições. Iris escrevia poemas. Santiago criava melodias e arranjos. Aos poucos, as canções começaram a registrar a própria história que viviam. Não eram músicas inspiradas pela vida. Eram a própria vida transformada em música.
Foi naquele cenário que surgiu "Sertão da Paz", projeto autoral que reúne lembranças, paisagens e sentimentos de uma família que escolheu desacelerar para recomeçar.
A chegada de Yara, a segunda filha do casal, trouxe novos desafios e novos horizontes. Os shows começaram ainda em 2021 e logo se espalharam pelos palcos de Lumiar, São Pedro da Serra e Nova Friburgo. Muitas vezes a bebê acompanhava os pais nas apresentações, acomodada em um carrinho ou cercadinho montado ao lado dos instrumentos.
Hoje, após mais de mil apresentações realizadas juntos, Iris e Santiago continuam dividindo muito mais do que um palco. Compartilham a criação das músicas, a rotina da casa, os sonhos, as filhas e os planos para o futuro.
Na prática, contam que quase não existe separação entre a vida familiar e o processo criativo. As ideias surgem na cozinha, durante viagens de carro ou no meio das tarefas cotidianas. A música acontece enquanto a vida acontece.
As filhas cresceram cercadas por esse ambiente. As duas demonstram afinidade com a arte e participam naturalmente do universo criativo construído pelos pais. Um universo que, segundo o casal, é tão bonito quanto contraditório.
Há momentos em que a casa exige mais atenção. Em outros, é a arte que ocupa o centro dos dias. E é justamente nesse equilíbrio imperfeito que a família encontra seu caminho.
Talvez seja por isso que, ao serem perguntados sobre o que sustenta a relação nos períodos difíceis, eles não falem sobre sucesso ou reconhecimento. Falam sobre propósito. Sobre a família que construíram. Sobre os sonhos compartilhados.
Antes de cada viagem ou apresentação, mantêm um pequeno ritual. Dentro do carro, fazem uma oração juntos. Agradecem o que possuem e os caminhos que ainda desejam percorrer.
Entre montanhas, canções e afetos, a história de Iris e Santiago parece lembrar algo simples e precioso: algumas famílias são construídas tijolo por tijolo. Outras são construídas nota por nota. A deles, talvez, seja feita das duas coisas.
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