Frio e céu nublado não eliminam riscos: inverno exige cuidados contra o câncer de pele

A doença representa cerca de 30% dos tumores malignos registrados no Brasil
quinta-feira, 04 de junho de 2026
por Isabella Rodrigues (*)
Foto: Magnific
Foto: Magnific

Com a chegada das temperaturas mais baixas e a proximidade do inverno, muitos friburguenses já tiraram os casacos do armário e passaram a aproveitar o clima típico da serra. Porém, junto com o frio, surge também um comportamento que preocupa os especialistas: o abandono dos cuidados com a proteção solar.

Embora o verão seja tradicionalmente associado aos riscos da exposição ao sol, médicos e entidades ligadas ao combate ao câncer de pele alertam que a prevenção deve continuar durante todo o ano, inclusive nos meses mais frios. A radiação ultravioleta (raios UV) continua presente, mesmo quando o sol não aparece com intensidade ou permanece encoberto pelas nuvens.

De acordo com o Ministério da Saúde, o câncer de pele é o tipo mais comum no Brasil e representa 30% de todos os tumores malignos registrados no país. A doença se divide em dois grupos principais, o não melanoma, que é o mais frequente e possui altas chances de cura quando diagnosticado precocemente, e o melanoma, considerado mais agressivo devido ao maior potencial de disseminação para outros órgãos.

Riscos

Um dos principais erros durante o inverno é acreditar que o céu encoberto bloqueia completamente a radiação solar. Segundo especialistas, uma parcela significativa dos raios ultravioleta consegue atravessar as nuvens e alcançar a superfície terrestre. Dependendo das condições atmosféricas, até mesmo dias fechados podem apresentar níveis consideráveis de radiação.

Esse cenário é comum em Nova Friburgo durante os meses de outono e inverno. A combinação entre neblina, temperaturas mais baixas e menor incidência visual do sol faz com que muitas pessoas deixem de adotar medidas simples de proteção. O resultado é uma exposição contínua que, ao longo dos anos, contribui para o envelhecimento precoce da pele e aumenta o risco de desenvolvimento de tumores.

Outro fator que merece atenção é a altitude. Municípios serranos tendem a receber uma incidência maior de radiação ultravioleta em comparação com regiões localizadas ao nível do mar. Isso acontece porque a atmosfera é menos espessa em áreas mais elevadas, reduzindo parte da filtragem natural dos raios solares.

Perigos

Ao contrário do que muitos imaginam, o câncer de pele não está relacionado apenas a episódios de queimaduras solares. Os danos provocados pela radiação são cumulativos. Pequenas exposições diárias, sem proteção adequada, podem gerar alterações celulares ao longo dos anos. É recomendado evitar exposição solar entre 10h e 16h.  

E quem trabalha ao ar livre deve ter atenção redobrada. Profissionais da construção civil, agricultura, jardinagem, entregadores, agentes de trânsito e outros trabalhadores que permanecem por várias horas expostos à luz natural estão entre os grupos mais vulneráveis.

Mas os riscos não se restringem a quem trabalha sob o sol. A radiação ultravioleta pode atravessar vidros, o que significa que motoristas e pessoas que trabalham próximos a janelas também estão sujeitas aos seus efeitos.

Além disso, atividades comuns durante o inverno friburguense, como caminhadas, trilhas, passeios em áreas de montanha e visitas a pontos turísticos ao ar livre também aumentam o tempo de exposição.

Prevenção

Entidades de saúde reforçam que o protetor solar deve fazer parte da rotina diária, independentemente da estação. A recomendação é utilizar o produto nas áreas mais expostas, como rosto, pescoço, orelhas, colo e mãos, reaplicando-o ao longo do dia quando necessário.

Além do protetor, outras medidas ajudam a reduzir os riscos. Chapéus de abas largas, bonés, óculos com proteção ultravioleta e roupas adequadas funcionam como barreiras complementares contra a radiação. Atualmente, inclusive, já existem tecidos com proteção UV incorporada, especialmente indicados para pessoas que permanecem longos períodos em ambientes externos.

Como identificar

Além da prevenção, observar alterações na pele continua sendo uma das principais formas de identificar precocemente a doença. Feridas que não cicatrizam, manchas que crescem, mudam de cor ou apresentam bordas irregulares devem ser avaliadas por um dermatologista.

O câncer ocorre principalmente nas áreas do corpo que são mais expostas ao sol, como rosto, pescoço e orelhas. Se não tratado adequadamente, pode destruir essas estruturas. Ao ver qualquer sinal, procure imediatamente um profissional da saúde especializado.

Em estágios iniciais o câncer de pele pode ser silencioso, sem apresentar coceira, dor ou mudanças perceptíveis. O melanoma, por exemplo, pode se desenvolver em áreas do corpo que não são frequentemente expostas ao sol, como palmas das mãos, planta dos pés, ou até mesmo nas mucosas.

O diagnóstico precoce é considerado um dos principais aliados no tratamento do câncer de pele. Quando identificado nas fases iniciais, as chances de cura são elevadas, especialmente nos casos de câncer de pele não melanoma.

Para identificar e facilitar o diagnóstico precoce do melanoma, é necessário realizar mensalmente o autoexame da pele, seguindo a regra ABCDE para avaliar a aparência das pintas:

A – Assimetria: a metade da pinta não “casa” com a outra metade;

B – Bordas irregulares: as pintas são dentadas, chanfradas, com sulcos;

C – Cores: a coloração não é a mesma em toda a pinta, há diferentes tons de marrom, preto e, às vezes, azul, vermelho ou branco;

D – Diâmetro: a pinta é maior do que 5 mm (0,5 centímetros);E – Evolução: mudanças da aparência ou crescimento rápido de uma pinta.

(Com informações dos portais Gov.br e Melanoma Brasil)

 

(*) Estagiária com supervisão de Henrique Amorim

 

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