O significado da Páscoa

Max Wolosker

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Economia, saúde, política, turismo, cultura, futebol. Essa é a miscelânea da coluna semanal de Max Wolosker, médico e jornalista, sobre tudo e sobre todos, doa a quem doer.

terça-feira, 19 de março de 2024

Como acontece de tempos em tempos, o dia 31 de março de 2024, pelo calendário gregoriano, coincidirá com o dia 31 de março de 5784, no calendário judaico. Como as Testemunhas de Jeová se baseiam, em termos de comemorações religiosas, ao calendário judaico, tivemos no domingo uma curiosidade marcante. Os católicos comemoraram a Páscoa, que significa no cristianismo a ressureição de Cristo. Nesse mesmo domingo, as Testemunhas de Jeová celebraram a Paixão de Cristo. Significados opostos, mas na mesma época. A título de informação o calendário judaico é do tipo lunissolar cujos meses são baseados nos ciclos da lua enquanto o ano é adaptado regularmente de acordo com o ciclo solar[, por isso, ele é composto alternadamente por anos de 12 ou 13 meses e pode ter de 353 a 385 dias. Aliás, em 358 d.C., ele foi padronizado pelo rabino Hillel II, que instituiu um calendário baseado em cálculos matemáticos precisos, para evitar a confusão e incerteza sobre as datas das celebrações religiosas.

Mas, na realidade, o que significa a palavra páscoa? Ela se origina da palavra Pascha, em latim,  que deriva do hebraico Pessach que quer dizer “a passagem”. Daí, os judeus a festejarem em janeiro (Nissam), pois marca a libertação do povo hebreu da escravidão, no Egito. Já para os católicos, Páscoa é uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo e a passagem da morte para a vida. Já as Testemunhas de Jeová não a incluem em seu calendário pelas seguintes alegações: a atual comemoração da Páscoa não se baseia na Bíblia; Jesus nos mandou relembrar sua morte, não sua ressurreição; realiza-se essa celebração no aniversário de sua morte, de acordo com o calendário lunar usado nos tempos bíblicos. — Lucas 22:19, 20; acredita-se que as origens dos costumes da Páscoa moderna, se originam de antigos ritos de fertilidade, que  são inaceitáveis para Deus. Ele exige que lhe demos “devoção exclusiva” e se sente ofendido com formas de adoração que incluem práticas que Ele não aprova. — Êxodo 20:5; 1 Reis 18:21.

É importante frisar que essas religiões fazem três interpretações diferentes de fatos marcantes da história da humanidade. No caso dos judeus, a Páscoa tem um significado completamente diferente daquele dos católicos, embora, filosoficamente. possamos interpretar libertação da escravidão como uma ressureição para a vida livre. Eles não comemoram a Ressureição, pois para eles o Messias ainda não chegou. Então, a morte de Jesus assume um outro significado. Talvez, a de um visionário, ou de um personagem insatisfeito com o jugo de um povo ao império romano, ou, para mim o mais provável, de um profeta com ideias muito avançadas para a época.

Já para os católicos, a Páscoa é um momento marcante na história do cristianismo, talvez mais importante do que a Paixão, apesar de toda a dramaticidade nela envolvida, pois significa o início de uma nova vida, aqui a interpretação é minha, a vida eterna que é a finalidade das religiões.

Já as Testemunhas de Jeová, veem nessa ressureição uma reafirmação das suas crenças na continuação da vida no novo mundo, que seria aqui na Terra, num mundo sem as desigualdades, as imperfeições e os vícios quem vemos hoje. Na realidade, o objetivo é o mesmo, não importa a fé que se professa. Assegurar que a nossa vida na Terra tem um objetivo que não somente o de nascer, viver e morrer.

Agora com relação à Pascoa cristã, seu dia foi estabelecido por decreto do Primeiro Concílio de Niceia (ano de 325 d.C), devendo ser celebrado sempre no domingo após a primeira lua cheia do equinócio da primavera (no Hemisfério Norte) e outono (no Hemisfério Sul. Com ovos de chocolate, pois para mim ela não existe sem essa guloseima. A explicação para estar intimamente ligada a essa guloseima, encontra a seguinte explicação. Primeiramente, há o debate, por parte dos estudiosos, a respeito da origem da simbologia dos ovos. Sabemos que o ovo era visto, em muitas culturas antigas, como um símbolo de fertilidade que representava o nascimento e o ciclo da vida. Isso se tornou perceptível, ao longo da história da humanidade, uma vez que diversos povos, em determinadas ocasiões, presenteavam outros com ovos de galinha. No Norte da Europa, algumas etnias cultuavam uma deusa chamada Eostre, também conhecida como Ostarae algumas teorias a respeito falam que o culto a ela tinha algum tipo de conexão com ovos, coelhos e lebres. Eostre era uma deusa da fertilidade (assim como o coelho e o ovo eram considerados símbolos da fertilidade). Mas a teoria mais aceita é que com a proibição pelo papa Júlio III (1550-1555) do consumo de ovos na quaresma, as pessoas começaram a enfeitá-los para continuarem a dá-los de presente, como era o costume. Na Alemanha, crianças bem comportadas ganhavam ovos coloridos e enfeitados. No entanto, parece que foi nos Estados Unidos, para onde imigrantes germânicos levaram a tradição dos ovos coloridos e enfeitados, o local a partir do qual a Páscoa e suas associações com o ovo, o chocolate e o coelho espalharam-se para o mundo. Há de se fazer a ressalva de que eles surgiram na França do século XVIII, quando confeiteiros começaram a rechear os ovos de galinha com cacao. Daí a ser todo de chocolate, foi um pulo.

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