Corrente do bem

Massimo

Massimo

Coluna diária sobre os bastidores da política e acontecimentos diversos na cidade.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Para pensar:

“Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta.”

John Galbraith

Para refletir:

“A verdadeira arte da memória é a arte da atenção.”

Samuel Johnson

Corrente do bem

Quem viveu aqueles dias de janeiro de 2011 aqui em Nova Friburgo ou em cidades próximas certamente irá se lembrar da imensurável quantidade de insumos doados por pessoas que cujos nomes jamais saberemos, espalhadas pelos quatro cantos do Brasil.

Com enorme frequência chegavam caminhões trazendo desde água a medicamentos, passando por roupas, fraldas, e tudo mais que pudesse servir às centenas de desabrigados.

Devemos muito a desconhecidos, aos quais nunca poderemos agradecer pessoalmente.

Passar adiante

Existem, no entanto, maneiras de passar o carinho adiante, fazendo nossa parte para aliviar o sofrimento de quem, hoje, experimenta dores que nos são tão familiares.

Nesse espírito, a coluna abre espaço para divulgar iniciativas voltadas a arrecadar doações para as vítimas das chuvas, sobretudo em Minas Gerais e no Espírito Santo, começando pela carta divulgada pela Cáritas Diocesana que a coluna reproduz abaixo.

Aspas (1)

Aos senhores Reverendíssimos Sacerdotes e ao amado povo de Deus,

Temos acompanhado diariamente, pelos mais diversos meios de comunicação social, a dramática situação que tem tomado conta de muitas localidades desde que se iniciaram as fortes chuvas de verão.

A Diocese de Nova Friburgo, marcada em sua história por semelhante sofrimento, se solidariza com as famílias atingidas pelo tão grande tormento. E, unida aos esforços da Cáritas Diocesana, se mobiliza para poder diminuir a aflição destes irmãos que perderam tantos bens.

Aspas (2)

No município de Campos dos Goytacazes sofrem as comunidades ribeirinhas, bem como os municípios de Porciúncula, Italva, Itaperuna, Laje do Muriaé, Bom Jesus do Itabapoana, Cardoso Moreira, Santo Antônio de Pádua, Natividade, Aperibé, São Francisco de Itabapoana e Varre Sai.

Além destes municípios, que compõem nossa diocese vizinha, fomos procurados por familiares de pessoas que residem em alguns municípios da Zona da Mata de Minas Gerais e sofrem igual situação: Carangola, Espera Feliz, Divino e Orizânia.

Aspas (3)

Diante da aflição sofrida por nossos irmãos estamos promovendo uma coleta em caráter de “urgência”. Estaremos recolhendo nas sedes das paróquias os seguintes provimentos: água mineral, material de limpeza e higiene pessoal, roupas e alimentos não perecíveis. A coleta será realizada até o domingo dia e de fevereiro, e depois encaminhada para a sede de Cáritas Diocesana que se responsabilizará pela distribuição.

Outro ponto de coleta será a sede da Cáritas Diocesana, que fica na rua ao lado do Detran em Duas Pedras, Nova Friburgo.

Na certeza da caridade de todos, agradecemos.

Gratidão

A coluna desde já agradece pelo apoio dos leitores, e abre espaço para divulgar qualquer iniciativa de caráter semelhante.

Afinal, jamais poderemos ser suficientemente gratos pela ajuda que recebemos, e mais do que ninguém sabemos o quanto essas doações são decisivas em momentos de grande aflição.

Cansaço

A coluna anda realmente saturada de enfrentamento, e com muita vontade de divulgar boas notícias sobre nossa região, mas o contexto não anda muito favorável para isso.

Veja o leitor que na tarde desta quarta-feira, 29, a Prefeitura de Nova Friburgo divulgou nota na qual afirma que “o processo 1077/16 não havia sido concluído [quando da adesão à ata de Duque de Caxias], o que só se concretizou em 17 de abril de 2017. A compra dos medicamentos foi realizada pelo município no dia 21 de fevereiro de 2017. Portanto, não havia objeto comparativo. No período de janeiro a abril de 2017, o Governo não poderia deixar o hospital desabastecido.”

Segue

“Entre fazer uma contratação por meio de dispensa de licitação optou-se por aderir a ata (sic), devidamente registrada após procedimento licitatório. Caso contrário, a rede de saúde ficaria desabastecida de medicamentos.

Sendo assim, a municipalidade reitera que não houve, em qualquer momento, má fé (sic), esquema ou dano ao erário e que possui como finalidade maior zelar pelo cuidado com a saúde da população.”

Registros

O Governo Municipal sabe muito bem que a sessão de julgamento na qual o TCE-RJ credenciou o processo licitatório 1077/16 se deu no dia 25 de novembro de 2016, data a partir da qual o processo poderia ter sido levado adiante.

Mais que isso: sabe que o ofício enviado por Bruno Villas Bôas (coordenador do processo de transição por parte do governo recém-eleito) a Edson Lisboa (coordenador do processo de transição por parte do governo que se encerrava), com cópias para Rogério Cabral e Renato Bravo, foi enviado posteriormente a este credenciamento, no dia 2 de dezembro de 2016.

Clareza

Ora, este ofício se encerra solicitando claramente a “suspensão imediata do edital de licitação para aquisição e fornecimento de medicamentos para o sistema de saúde municipal de Nova Friburgo”; e a “adesão da ata de registro sugerida para regularização dos estoques de medicamentos, evitando assim a emissão de fornecimento de emergência”.

Ou seja, o governo eleito solicitou - antes mesmo de assumir - que o processo fosse interrompido, e agora diz que ele não havia sido concluído? Tudo isso depois do TCE já ter credenciado o processo 1077/16.

Mais claro que isso, impossível.

Maduro

Mas, como se não houvesse demonstrações suficientes quanto à escolha deliberada que foi feita, bem como de quem foi seu artífice, a coluna pode acrescentar que o então secretário de Infraestrutura e Logística, Angelo Jaquel, assumiu suas funções no dia 13 de janeiro de 2017 e encontrou o processo 1077/16 absolutamente pronto, razão pela qual rapidamente se dedicou a ele.

Sem alternativa?

A primeira data agendada acabou sendo adiada por orientação do então secretário de Governo, mas Angelo insistiu e a remarcou para oito dias depois.

E, por ter levado adiante o processo licitatório, foi repreendido pelo mesmo secretário a plenos pulmões nas dependências do Palácio Barão de Nova Friburgo, ao alcance de diversas testemunhas.

É cansativo, portanto, que o governo insista em dizer que não teve outra escolha, ou que não se tratou de uma opção planejada com antecedência.

Inesquecível

Algumas pessoas parecem ainda não ter a dimensão do volume de registros reunidos acerca daqueles dias, e da forma como qualquer esforço por reescrever os fatos pode ser imediatamente comprovado ou descartado.

Já passamos, há muito, da fase de tentar encontrar uma falha na apuração, ou alguma brecha pela qual seja possível dar cores bonitas a tudo o que se passou.

Quadros clínicos foram agravados em função de tudo que aconteceu.

Não se esquece esse tipo de coisa.

Outro estágio

O Palácio Barão de Nova Friburgo, neste momento, deveria guardar seus esforços retóricos para tentar convencer a Polícia Federal, o Ministério Público e a Controladoria Geral da União (CGU).

E não apenas para justificar de alguma forma a compra de medicamentos com inaceitável sobrepreço, mas também tudo que envolveu a crise da esterilização em 2017 - incluindo o lamentável memorando 21 que determinou a continuidade da realização de cirurgias quando os problemas da CME já era evidentes, bem como tudo o que foi apurado a respeito da alimentação hospitalar, para citar apenas investigações que são de domínio público.

Caminho errado

Porque junto a esta coluna, definitivamente não vai ser com notas como esta que a atual administração vai recuperar um pouco que seja da credibilidade perdida.

Melhor mandar boas notícias do cotidiano, que publicaremos com satisfação. Certamente deve haver muitas, por exemplo, relacionadas à aplicação dos R$ 18 milhões recebidos através do Programa de Financiamento aos Municípios na Área da Saúde (FinanSUS), não?

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