Características do profissional na sociedade do conhecimento - Códigos de modernidade - Parte 2

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Quando uma pessoa se propõe a instalar a internet em seu computador, está aceitando, de início, receber muitos dados e até e-mails inconvenientes. O discernimento é tão importante que, por meio dele, decidiremos o que vamos permitir que entre ou não. Seria um absurdo e até uma anticultura não ter o serviço por causa do lixo. Também a sociedade industrial e do conhecimento são acumuladoras de lixo; nem por isso deixamos de nos envolver com a produção e os serviços oferecidos. Conclui-se que Toro, quando apresenta essa proposta de modernidade, se refere à necessidade de desenvolvimento da prática do discernimento, por intermédio da educação.

O capitalismo tradicional baseava-se no individualismo. O neocapitalismo baseia-se na cooperação. Era mais fácil para um marxista lutar contra o capitalismo tradicional do que, propriamente, contra o neoliberalismo. A dialética de Hegel – da oposição dos contrários e da teoria dos conflitos –, diante da proposta da cooperação, torna-se ferramenta de debate mais complexa e difícil de ser manejada. Pois bem, ao apresentar um de seus códigos sobre a compreensão do entorno social e da atuação do ser humano sobre ele, Bernardo Toro quer deixar claro que a inserção das pessoas na sociedade é condição básica para o exercício da cidadania e que, além disso, ninguém poderá viver isoladamente, nem dentro de seu bairro, nem de seu condomínio, nem de seu negócio.

Lembramo-nos do pensamento de Samuelson sobre o espaço de relação: quanto maior for o nosso relacionamento no tempo e no espaço, maiores oportunidades teremos. Esse espaço poderá ser interplanetário, dependendo do alcance e das possibilidades de comunicação do profissional. Viver em sintonia com seu entorno social, negociar respeitando normas estabelecidas, entender as diferenças culturais e promover ao máximo os direitos humanos são premissas da proposta do código. A sociedade das máquinas, uma sociedade de segunda onda, primava por implementar a uniformidade perfeitamente ligada à produção em série.  

O que se pretende, segundo Toro, com a era das pessoas, em uma sociedade de terceira onda, é ressaltar a unidade em detrimento da uniformidade. Quando um educador defende a uniformização nas escolas, ele está retratando que sua mentalidade é de segunda onda, que é um educador de outra era, talvez muito bom para nossos avós, não para os netos de hoje. Ao contrário da uniformização, a unidade é marcada por símbolos.

Cabe uma simples lembrança sobre os princípios do cristianismo: vestidos de modo diferente e até falando línguas diferentes, os cristãos perseguidos dentro do Império Romano adotaram um símbolo que representava sua unidade. Este símbolo era o peixe. Mas por que tal adoção? O peixe, na língua grega, contém as iniciais, também em grego, da base da fé cristã, que pode ser lida assim: Jesus Cristo, filho de Deus Salvador. Os cristãos interpretavam o símbolo, entendiam seu significado     e usavam-no para manter a unidade entre eles e transmitir os conceitos básicos da fé. Quem não entendesse dessa simbologia via um desenho de peixe que, aparentemente, não significava outra coisa senão um peixe. Estes elementos são fundamentais para que a sociedade seja democrática e produtiva. (Continua na próxima quarta-feira, 24)

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