Hamilton Werneck

Hamilton Werneck

Eis um homem que representa com exatidão o significado da palavra “mestre”. Pedagogo, palestrante e educador, Hamilton Werneck compartilha com os leitores de A VOZ DA SERRA, todas as quartas, sua vasta experiência com a Educação no Brasil.

19/09/2018

As portas das escolas estão abertas e novos alunos, com valores bastante diferenciados de seus professores e até dos projetos pedagógicos das escolas, sentam-se nas salas de aula. Como conviver com eles? Primeiro é importante compreendê-los. Eles já são adoolescentes do século 21 e, nós, professores do século passado. Há uma necessidade urgente de compreensão.

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12/09/2018

Quando éramos alunos do ensino fundamental, na década de 60, nossos professores aconselhavam a ler livros, nunca revistas em quadrinhos, cheias de imagens. Nós gostávamos dos quadrinhos e algumas revistas eram bastante interessantes. Nossos professores diziam que as imagens dos quadrinhos não eram palavras e, portanto, não enriqueceriam nosso vocabulário.

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05/09/2018

 A vida humana sempre esteve envolvida em conflitos. Ultimamente eles aumentaram devido à velocidade com que as coisas acontecem. Os imprevistos aumentaram, assim como o estresse das pessoas. É muito difícil que uma pessoa desses tempos de mudança não tenha alguma depressão, algum desejo de suicídio, algum nervosismo ou insegurança. Quem não enfrenta essas coisas não vive o seu tempo.

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29/08/2018

Houve uma evolução no processo de aprender e de ensinar. Se quisermos, podemos considerar uma volta ao espírito tribal. Em uma tribo indígena, o que um sabe os demais também sabem. A sobrevivência faz com que se ensine tudo a todos, menos os segredos do pajé, que, mantendo-os a sete chaves, garante o poder sobre a tribo. Foi o que vi, em Mato Grosso, na década de 60, em algumas tribos em uma aldeia missionária de Utiaharity, localizada a uns 650 quilômetros a noroeste de Cuiabá.

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22/08/2018

Enquanto a sociedade da primeira onda era a sociedade do sobreviver, a sociedade de segunda onda é a sociedade do fazer. Vive-se hoje em um tipo de sociedade em que a tônica é conhecer. Existe uma febre, em nossos dias, correspondente ao desejo de novidades e de coisas diferentes. Isto é inerente ao ser humano e pode ser constatado ao longo da história. No período das grandes navegações, havia um desejo incontido por riquezas, especiarias e sedas do Oriente. Àquela época, navegadores e aventureiros conseguiam trazer essas riquezas para a Europa e encantavam os habitantes.

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15/08/2018

O ser humano evoluiu bastante entre a era das máquinas e a era das pessoas. A década de 90 mostrou que as emoções deveriam voltar a fazer parte do cotidiano das pessoas. A era das máquinas marcou este ser humano pela dependência de sistemas, em que o racional, com toda a sua força, determinava o caminho de cada um. Cenas comuns da vida mostravam o quanto se matava nas pessoas a emoção. Quem não se lembra de cenas simples, em que crianças com o joelho ferido vinham correndo ao encontro dos pais, chorando de dor, e ouviam simplesmente: - Cale esta boca... homem não chora... pare de chorar!

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08/08/2018

Além das crenças e dos valores, a sociedade do século XXI é a sociedade do cérebro. Já podemos dizer que a década de 1990 foi a década do cérebro, quando muitos estudos foram realizados explorando as múltiplas inteligências e, mais ainda, quando se deixou de fazer comparações com os computadores – retrato de uma visão tecnicista – e partiu-se para uma visão mais ampla e abrangente: a floresta tropical.

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01/08/2018

Há alguns anos, o ensino em um curso visava atender aos objetivos do programa, medindo-se em seguida o que os interlocutores aprenderam. Quando se apresentava um produto, ocorria coisa semelhante. Os produtos eram apresentados ao mercado, que aguardava o comportamento do consumidor, quase obrigado a comprá-los pela falta de opções.

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25/07/2018

Durante muitos anos, encarava-se a questão da crença dentro dos parâmetros da fé religiosa. Tratava-se de um valor espiritual. Este valor continua existindo. A questão que se impõe neste início de século e que envolve as empresas de educação e demais empresas de produção é ainda a crença. Contudo, essa crença tem hoje conotações bem ampliadas, porque existem os que acreditam por razões de fé e os que não têm fé em valores espirituais e precisam acreditar em alguma coisa para levar adiante sua empresa ou participar dela com entusiasmo.

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18/07/2018

Quando aprendemos a nadar ou a andar de bicicleta, nós o fazemos com os dois lados do cérebro. São aprendizados integrados. Conjugamos os movimentos dos braços, das pernas e da cabeça, equilibramos o corpo, movemos membros de ambos os lados, exigindo que nosso cérebro trabalhe de maneira conjugada. O resultado é impressionante: aprendemos e nunca mais nos esquecemos desse aprendizado. Muito diferente é quando aprendemos com uma única parte do cérebro: decoramos e, em seguida, esquecemos.

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