Conversa sobre a realidade (Parte 2)

Gabriel Alves

Educação Financeira

CEO da empresa Delta, de consultoria, Gabriel escreve sobre economia e finanças e dá dicas de inteligência no gerenciamento de gastos e de como conquistar o equilíbrio entre desejo de aquisições e controle emocional para otimizar as despesas.

sexta-feira, 09 de julho de 2021

No último dia 1º o real, nossa moeda oficial, completou 27 anos de circulação na economia brasileira e eu completei dois anos da minha primeira coluna neste jornal. A combinação perfeita para um texto comemorativo e, com isso, rico em detalhes. É claro, esta é uma coluna e não um artigo científico. Hoje, dou sequência ao tema a este tema iniciado na semana passada. A propósito, caso não tenha acompanhado a primeira parte desta conversa, basta acessar a seção de colunas, no portal de A VOZ DA SERRA e ver a íntegra.

Acesso a crédito e Inadimplência

Com juros e inflação sob controle (talvez sejamos uma economia ainda jovem demais para termos algo “sob controle”, mas estão a níveis relativamente baixos e nunca antes alcançados), o acesso a crédito torna-se mais barato, o risco dos bancos é reduzido e, infelizmente, o endividamento tem aumentado. Apesar da queda entre 2016 e 2018, a série do endividamento das famílias com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) em relação à renda acumulada dos últimos 12 meses apresentou forte aumento no último ano, saindo de 19,32% em janeiro de 2005 – quando a série fora criada – e chegando a 58,00% em março de 2021. Este é um movimento global, a população brasileira ainda tem baixo endividamento quando comparado a países desenvolvidos, mas estes são níveis preocupantes. Até que ponto o crédito se mantém saudável? O que pode acontecer quando a inadimplência for insustentável? Já passamos por isso antes.

Qualidade de vida

Por fim – e muito longe de ser menos importante –, devemos entender a evolução dos índices de desenvolvimento humano. Afinal, esta deveria ser a maior preocupação de toda política econômica; a qualidade de vida. Em 1994, o Brasil ocupava a 71ª posição no ranking global de IDH com pontuação de 0,642; já em 2019, o índice subiu para 0,765 num ritmo abaixo da evolução global, pois – apesar do aumento – a nossa colocação caiu para a 84ª posição.

Ao longo destes anos, já passamos por momentos melhores e outros ainda piores – isso é fato –, mas a evolução é fluida; nenhuma realidade é linear. O ponto positivo, é que realmente vemos uma evolução social ao longo dos últimos 27 anos e, muito disso, graças ao real. É uma moeda emergente, e como qualquer outra dentro da mesma classificação, volátil. Desde o início de sua circulação, nossa moeda já perdeu 85% do seu poder de compra, mas ainda assim é motivo de orgulho; foi a nossa melhor moeda dos últimos 100 anos. Portanto, vamos comemorar!

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