Um em cada quatro estudantes abandona a universidade após o primeiro ano

Constatação é de estudo divulgado pela OCDE nesta semana
quinta-feira, 11 de setembro de 2025
por Jornal A Voz da Serra
(Foto: Freepik)
(Foto: Freepik)

O Brasil enfrenta um cenário preocupante no ensino superior. De acordo com o relatório Education at a Glance (EaG) 2025, divulgado na terça-feira, 9, pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), um em cada quatro estudantes abandona a graduação já no primeiro ano do curso. A taxa brasileira, de 25%, é quase o dobro da média dos países analisados, que gira em torno de 13%.

A dificuldade de permanência não se limita ao início da vida universitária. Segundo a OCDE, apenas 49% dos brasileiros concluem a graduação mesmo após três anos do prazo regular para finalização, enquanto a média internacional é de 70%. O resultado reflete diretamente no nível educacional da população jovem: só 24% dos brasileiros de 25 a 34 anos conseguem completar o ensino superior, percentual bem abaixo da média da organização, que é de 49%.

O relatório aponta a falta de orientação vocacional e de suporte aos novos alunos como fatores que podem estar ligados ao alto índice de evasão. Em um país de profundas desigualdades, os custos com transporte, material didático e a necessidade de conciliar estudo e trabalho também se somam ao desafio.

Desempenho por gênero

Entre os estudantes brasileiros, as mulheres apresentam maior persistência nos estudos: 53% delas concluem a graduação no prazo esperado ou até três anos após a data prevista. Entre os homens, a taxa é de 43%. Apesar dessa diferença de nove pontos percentuais, ela é menor que a registrada na média da OCDE, de 12 pontos.

Baixa mobilidade acadêmica

Outro dado que chama atenção é a estagnação da mobilidade estudantil. Enquanto a média da OCDE cresceu de 6% para 7,4% entre 2018 e 2023, a proporção de estudantes estrangeiros no Brasil permanece em apenas 0,2%. O contraste reforça as barreiras do país em se tornar destino internacional para a educação superior.

Diploma e mercado de trabalho

Apesar das dificuldades para concluir o ensino superior, o diploma universitário ainda representa um diferencial expressivo no mercado de trabalho brasileiro. Adultos com graduação recebem, em média, 148% a mais que aqueles com apenas o ensino médio, proporção que supera em muito a média da OCDE, de 54%. Só a Colômbia (150%) e a África do Sul (251%) apresentam diferenças maiores.

Ainda assim, o relatório revela outro desafio: quase um quarto dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos (24%) não estuda nem trabalha. A taxa, conhecida como “nem-nem”, é significativamente superior à média internacional de 14%. Nesse grupo, as mulheres são maioria (29%), contra 19% dos homens.

Investimento em educação

A OCDE também destaca o baixo nível de investimento do Brasil no ensino superior. Em 2022, o país aplicou cerca de US$ 3.765 por aluno (aproximadamente R$ 20 mil), enquanto a média da organização foi de US$ 15.102, o equivalente a R$ 80 mil. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), entretanto, contestou os dados, alegando que a metodologia utilizada não distingue corretamente os aportes entre instituições públicas e privadas.

Quando comparado ao ensino básico, a disparidade é ainda maior. O relatório mostra que o Brasil investe três vezes menos que os países considerados ricos nessa etapa da formação, revelando uma fragilidade que se reflete em toda a trajetória educacional.

Retrato preocupante

O documento da OCDE compõe um retrato que reforça velhos desafios: alta evasão, baixa taxa de conclusão, pouca internacionalização e desigualdades de acesso. Embora o diploma universitário continue garantindo melhores oportunidades de renda, o Brasil segue distante da média internacional em indicadores de permanência e formação de profissionais qualificados. (Fonte: Correio Braziliense)

 

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