Motoristas de Nova Friburgo tiveram uma surpresa desagradável ao chegarem nos postos para abastecer seus carros na tarde de quarta-feira, 11: o preço da gasolina subiu. E sem aviso prévio. Em diversos postos de combustíveis da área central da cidade, o litro pulou de R$ 6,49 para R$ 6,99 e em alguns, o litro da gasolina comum já custa até R$ 7,05. A revolta, obviamente, é geral entre os clientes.
Em alguns postos do centro da cidade, litro já custa até R$ 7,05
O aumento não ocorre somente aqui. Em vários estados, a gasolina também está mais cara. Entre os afetados está o Rio de Janeiro, que, segundo relatos de motoristas, o aumento, sem justificativa do governo, chega a até R$ 1 no litro.
Na última terça-feira, 10, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que investigue os aumentos registrados pelo Brasil ao longo desta semana. Sindicatos de combustíveis de todo o país relatam que já estão percebendo o aumento médio de preço de R$ 0,80 para o diesel e R$ 0,30 na gasolina. De acordo com a Senacon, esse aumento não deveria estar sendo praticado, por não ter sido anunciado por órgãos oficiais, como a Petrobras.
O último reajuste oficial dos combustíveis foi em janeiro, quando a gasolina sofreu um reajuste com redução de R$ 0,14 por litro, queda de 5,2%, para cerca de R$ 2,57 nas refinarias. O diesel teve seu último reajuste em 6 de maio de 2025, com uma queda de R$ 0,16 por litro, para aproximadamente R$ 3,37.
O motorista de aplicativo Roberto Tavares ficou revoltado com o aumento. Ele conta que deixou para abastecer o tanque do seu carro na quarta-feira à noite e foi pego de surpresa pelo aumento repentino. “Circulei pela manhã e a tarde pela cidade e o preço da gasolina na maioria dos postos estava entre R$ 6,49 e R$ 6,79. Quando terminei o expediente e fui abastecer, já estava R$ 7,05. Um abuso. Estão usando a guerra no Oriente Médio para ganhar dinheiro em cima dos consumidores”, reclamou.
Outro cliente emendou: “É engraçado. Quando tem redução nas refinarias, a queda nas bombas para o público leva dias para ser praticada pelos postos. Quando é para subir, nem esperam acabar a gasolina que está no estoque e já sobem o preço imediatamente. Agora com a guerra no Irã já subiram o preço por conta.”
Aumento do petróleo
O aumento nos combustíveis praticado nos últimos dias pode ser resultado da guerra no Oriente Médio, deflagrada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Bombardeios a refinarias e instalações de petróleo e o fechamento pelo Irã do Estreito de Ormuz, por onde costuma ser escoado em navios até um quinto do petróleo de todo o mundo, geram preocupações.
Entre terça, 10, e quarta-feira, 11, três embarcações cargueiras, que transportavam combustível refinado, foram bombardeadas próximo à região de Ormuz. Devido a essas e outras situações provocadas pelo conflito armado barril de petróleo chegou a cerca de US$ 120 na segunda-feira, 9, e baixou para US$ 90 no dia seguinte (terça-feira), e se mantém nesse preço. O valor teve a maior alta desde 2022.
Medidas no Brasil
Nesta quinta-feira, 12, o Governo Federal anunciou a decisão de zerar o imposto do PIS e Cofins do preço dos combustíveis, em uma tentativa de frear a alta dos preços. De acordo com o governo, a redução pode chegar a R$ 0,64 por litro nas bombas, para conter a pressão de custos e gerar condições para que essa redução também chegue à população.
O Ministério Público (MP) sancionou uma medida provisória que prevê o pagamento da subvenção a produtores e importadores de diesel. Outro decreto a ser editado nesta quinta-feira, 12, determina que os postos de combustíveis adotem sinalização clara e visível ao consumidor, informando a redução dos tributos federais e do preço conforme a subvenção. O MP ainda prevê um Imposto de Exportação, como medida regulatória para aumentar o refino interno. (
Com informações da BBC News e O Globo)
Deixe o seu comentário