Professor José Augusto completa 40 anos de atuação esportiva

Trabalho ao longo destas décadas já rendeu 17 pódios na São Silvestre infantil
quinta-feira, 14 de outubro de 2021
por Vinicius Gastin
 Quarenta anos e contando: eventos como a Copa Prodesporte de Futebol Society inspiram novas ideias
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Um dos grandes nomes de todos os tempos do esporte de Nova Friburgo, o professor José Augusto Theodoro escreve a sua história há exatas quatro décadas. Em 12 de outubro de 1981, aos 16 anos de idade, recebeu um convite do amigo Marcelo Sanglard para participar de uma corrida no distrito de Amparo. Apesar de nunca ter praticado aquela modalidade, fez um único treino e aceitou o desafio. Na mesma época nascia o movimento de corridas de rua no Brasil, com a realização das primeiras maratonas no Rio de Janeiro.

“Fui o último colocado na prova, mas ali nascia uma paixão que mudou completamente o rumo de minha vida. Nunca mais parei de correr. Cursando o ensino médio, sonhava em fazer faculdade de informática, a profissão do futuro na época, mas assim que comecei a cursar, vi que o que eu queria mesmo era o esporte. Abandonei o curso e fui fazer educação física. Depois de três anos de horário integral na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), veio a proposta de emprego na área de pesquisa no Centro de Apoio a Pesquisa (Capes), mas a decisão de voltar para Nova Friburgo já estava tomada”, conta.

Naquela época, a educação física em Nova Friburgo ainda engatinhava, com poucos profissionais. Até então o esporte friburguense era incentivado por abnegados, que lutavam sem recursos e com nenhum interesse financeiro. Com as crises econômicas o número de pessoas que dedicava boa parte do tempo ao esporte foi diminuindo e o cenário esportivo foi ficando escasso. Clubes se fundiram, escolinhas se fecharam e a Conf, primeira associação de corredores de Nova Friburgo, já estava paralisada. Foi quando surgiu a ideia de criar a Associação dos Corredores Friburguenses (Ascof). Em 34 anos de existência, foram mais de 300 eventos de corrida.

“Assim começou a nossa história no esporte. Na mesma época, final dos anos 80, começou a prática da natação em Friburgo, com a Escola Pulo n’Água,  no antigo  Hotel Sans Souci. A escola cresceu e foi para um prédio em frente ao Hopital São Lucas. Como não existiam competições de natação, começamos organizar o Campeonato Friburguense de Natação, com etapas na própria Pulo n’Água, Sesc, Sef, Country Clube e Sesi. Mais tarde este circuito deu lugar ao Circuito Paft, reunindo as cidades de Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis e Além Paraíba-MG, e depois foi substituído pelo Circuito Serrano de Natação”, lembra Augusto.

Nova Friburgo chegou a ter mais de 200 pessoas competindo provas de natação em outras cidades, e 23 atletas federados, entre eles Matheus Ferro, que competiu pelo Flamengo por anos e chegou à seleção brasileira. Nesta mesma época, o professor Alexandre Assunção voltou a atuar na profissão, e mais tarde revelou Jheniffer Alves.

Além da natação e do atletismo, Augusto também conta capítulos marcantes em outras modalidades. Em 1995, novamente a convite de Marcelo Sanglard, organiza, em Amparo, a primeira corrida de mountain bike de Nova Friburgo. Dois anos depois nascia o Circuito Friburguense de Mountain Bike, que revelou nomes como Damiano Militão, penta campeão estadual de cross country, Bruno Baeta, penta campeão estadual de down hill, e Albert Junior, de Petrópolis, campeão sulamericano.

Intercolegial também é marca

Outra passagem importante nesta trajetória de quatro décadas são os Jogos Intercolegiais. Depois de pesquisarem sobre os antigos jogos estudantis, Augusto e mais alguns profissionais conseguiram reunir, já na primeira edição, em 2000, o total de 1.072 atletas competindo em modalidades como judô, atletismo, natação, futsal, basquete, vôlei e handebol.

A competição se tornou o maior atrativo do esporte estudantil e, nas suas 19 edições, ajudou a revelar alguns nomes de destaque, à exemplo de Rafael Galhardo, Roberto Thurler, Bernardo Ribeiro, Gabriel Ribeiro, Arthurzinho - considerado hoje a maior joia das categorias de base do Fluminense – dentre tantos outros.

No atletismo, Wallace Daflon correu pela primeira vez no Intercolegial, e seguiu carreira até se firmar como um dos melhores do Brasil nos 400 metros. “Além de ajudar a revelar alguns atletas, o Inter talvez tenha inspirado diversos jovens a cursar educação física. É muito comum rever antigos jogadores voltados à competição, como professores comandando suas equipes e assumindo posições de destaque no esporte da cidade. O primeiro dos meus trabalhos foi no Colégio Nossa Senhora das Dores, onde atuei por 17 anos, organizando dezenas de olimpíadas estudantis, passeios ciclísticos e outros eventos, atuando ainda nas equipes voleibol e futsal”, destaca.

Augusto também participou do lançamento da Escolinha de Futebol do Nova Friburgo Country Clube, a convite do professor Alexandre Fajardo. Com a Prodesporte, organizou os primeiros torneios de futebol society para escolinhas, a Copa Prodesporte de Futebol Society. “Nos últimos 20 anos atuei efetivamente no Conselho Municipal de Esporte. Enquanto presidente, em  2011 e 2012, conseguimos recursos federais para a reforma de sete espaços esportivos destruídos pelas chuvas. Por todos estes anos lutamos, até agora em vão, por um tratamento político mais sério com o esporte, para que se possa dar mais oportunidades aos jovens”, observa o professor José Augusto.

Atrelando o esporte ao caráter social, algo praticamente dissociável, Augusto foi também um dos mantenedores do Instituto Amigos do Esporte, com projetos de futebol no bairro Rui Sanglard, Riograndina e de voleibol no distrito de Conselheiro Paulino. Também fez parte da promoção de duas edições do evento Mexa-se, reunindo 23 modalidades esportivas. Uma história que merece ser contada, exaltada e perpetuada. Com novas páginas ainda a serem escritas.

“Ao completar 40 anos de esporte, só me resta agradecer por tudo que consegui realizar, por cada sorriso dado e recebido, por cada lágrima de emoção, por cada vitória e também pelas derrotas, mas acima de tudo agradecer a todos os amigos empresários e familiares, que não me atrevo a citar nenhum nome para não cometer injustiça. Agradeço a todos que deram sua cota de contribuição para que todo o trabalho citado fosse possível e reforçar o convite para continuar vivendo este sonho. Um sonho coletivo de ver o esporte ocupar o destaque que merece em nossa cidade”, finaliza.

 

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