Dois leilões, inicialmente marcados para o início de maio, para quitar dívidas da antiga fábrica Ypu, não deverão ocorrer. O administrador do atual Complexo Ypu, Moair Lengruber, garantiu, nesta semana, para A VOZ DA SERRA, que a possibilidade de realização dos leilões - com valor de aproximadamente R$ 160 milhões - está “afastada”, graças a quitação da maior parte das dívidas fiscais e trabalhistas da antiga fábrica de artigos de couro e passamanaria, junto a credores e os governos municipal, estadual e federal.
O complexo situado em uma área de 300 mil metros quadrados, próximo ao centro da cidade, atualmente tem, segundo Moair, 90% das instalações ocupadas por empresas de diferentes segmentos que alugaram galpões e funcionam nas antigas instalações da Ypu, o que vem garantindo a recuperação financeira do empreendimento.
Moair Lengruber explica que desde a década passada vem liquidando débitos trabalhistas da antiga Ypu e conseguiu zerar toda a dívida que existia com a Prefeitura de Nova Friburgo. Disse ainda que os débitos com a União estão sendo parcelados e a quitação de dívidas junto ao Governo do Estado do Rio de Janeiro já está em fase final.
“Todas essas negociações irão permitir que a história de Nova Friburgo seja preservada com a manutenção do Complexo Ypu. É nosso desejo reformar toda essa estrutura física e criar aqui um museu que vai manter vivo o potencial industrial da cidade. Com isso, não existe mais a possibilidade de toda a sede da antiga fábrica Ypu ir a leilão para pagar dívidas”, assegurou o administrador. O leilão, inicialmente, englobaria toda a estrutura onde funcionou a indústria, na Rua Maximilian Falck, além de vilas residenciais que serviram como moradia para antigos funcionários nas imediações do Rio Santo Antônio.
Um marco na industrialização de Friburgo
A imponente fábrica Ypu começou a funcionar na década de 1910 em uma grande área que pertencia ao alemão Maximilian Falck. A Ypu obteve destaque no processo de industrialização do município, inicialmente com a fabricação de artigos têxteis e passamanaria. Depois ganhou fama no mercado com itens de couro, principalmente cintos, bolsas e carteiras de primeira qualidade. A indústria chegou a empregar cerca de 1.500 funcionários em sua época áurea.
No entanto, a partir da década de 1980, a Ypu começou a sofrer uma grande crise financeira associada a mudanças drásticas de mercado, o que levou ao encerramento de suas atividades.

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